As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Fernando Morais integra Comissão da Verdade da Prefeitura

Jornalista e escritor, Morais prepara um relato sobre a vida do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É autor de Olga, sobre a companheira do líder comunista Luiz Carlos Prestes

Roldão Arruda

24 de setembro de 2014 | 01h18

Será instalada amanhã, dia 25, a Comissão da Memória e da Verdade da Prefeitura de São Paulo. Durante o ato, o prefeito Fernando Haddad deve anunciar os nomes dos cinco responsáveis pela condução dos trabalhos do grupo. O mais conhecido é o jornalista e escritor Fernando Morais, autor dos livros A Ilha, Corações Sujos, Chatô  – O Rei do Brasil e Olga, entre outros.

Como político, Morais foi deputado estadual e dirigiu as secretarias de Cultura e Educação, nos governos de Orestes Quércia e Luiz Antonio Fleury Filho, ambos pertencentes ao PMDB. Atualmente prepara um livro sobre a vida do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, focalizando o período que vai de sua prisão em 1980 até o final de seu segundo mandato, em 2010.

Também devem compor o grupo: Audálio Dantas,  César Cordaro, Ferminio Fecchio e Tereza Lajolo.

Audálio presidia o Sindicato dos Jornalistas do Estado à época do assassinato de Vladimir Herzog, em 1975;  Cordaro é advogado e integra o Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça; Fecchio  foi ouvidor Polícia do Estado e recebeu em 2003 o Prêmio de Direitos Humanos da OAB-SP; e Teresa, que é professora, foi vereadora pelo PT e secretária municipal de Transportes na administração da prefeita Luiza Erundina. Ela também ocupou o cargo de relatora na CPI da Câmara que tratou das valas comuns do Cemitério de Perus.

A lei de criação da comissão foi aprovada na Câmara e sancionada por Haddad em julho. Ela terá o papel de ajudar a esclarecer o papel desempenhado pela Prefeitura de São Paulo e agentes públicos municipais, no período da ditadura, entre 1964 a 1988. As investigações, segundo informações da assessoria da Prefeitura, deverão apurar indícios de perseguição e demissão de funcionários por motivação política, a ocultação de pessoas em cemitérios públicos municipais e a censura e repressão a educadores da rede pública municipal, entre outras frentes.

Durante o trabalho de criação da CPI, o secretário municipal de Direitos Humanos, Rogério Sottili, lembrou que “a cidade de São Paulo concentra cerca de 20% dos mortos e desaparecidos políticos registrados no Brasil”.

Um dos principais focos de atenção da comissão será apoiar os trabalhos de investigação das 1049 ossadas encontradas em 1990 na  vala clandestina de Perus. Acredita-se que os restos mortais de desaparecidos políticos façam parte das ossadas.

 

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.