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Fantasma do voto útil volta a rondar eleitores

Roldão Arruda

03 de setembro de 2012 | 17h07

Em 1974, o candidato do MDB ao Senado, Orestes Quércia, impôs uma derrota acachapante ao representante da Arena, o ex-governador Carvalho Pinto. O resultado não decorreu, porém, exatamente das qualidades do emedebista. A enxurrada de 4,6 milhões de votos atribuídos a ele resultou sobretudo do descontentamento com o regime militar. Votava-se no MDB, única oposição consentida, para mostrar contrariedade. Foi o voto de protesto.

Anos depois, em 1990, no segundo turno da eleição para o governo de São Paulo, o candidato do PMDB, Luiz Antônio Fleury, derrotou Paulo Maluf, então filiado ao PDS, herdeiro da Arena. Assim como Quércia, seu padrinho político, Fleury não era conhecido e não ganhou exatamente pelos seus méritos: foi catapultado pelos temores de eleitores do PT e do PSDB.

Após terem visto seus candidatos – Plínio de Arruda Sampaio (PT) e Mário Covas (PSDB) – derrotados no primeiro turno, eles se uniram para impedir a vitória do favorito, Maluf, identificado com o período do regime militar e eternamente às voltas com acusações de corrupção. Foi a opção pelo menos pior. Foi o voto útil.

Fleury não fez bom governo. E quando policiais militares invadiram a Casa de Detenção de São Paulo, em 2 de outubro de 1992, e mataram 112 prisioneiros, foi inevitável para muitos eleitores a lembrança daquele voto útil. Afinal, o Massacre do Carandiru ocorreu no governo do homem que haviam ajudado a eleger. Amarga lembrança.

Agora o fantasma do voto útil volta a rondar os eleitores politicamente mais engajados e identificados com siglas partidárias.

De acordo com a primeira pesquisa de intenção de voto após o início do horário da propaganda eleitoral gratuita, Celso Russomano, o candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, vai para o segundo turno da eleição. Nesse cenário, que pode mudar, falta definir apenas o nome de seu concorrente. Os mais prováveis são o tucano José Serra e o petista Fernando Haddad.

Isso significa que um grupo de eleitores pode ter que ceder e votar num candidato que não seja exatamente seu preferido. Para impedir a ascensão de um terceiro, que passa mais ao largo daquilo que desejam. Mesmo considerando que Serra e Haddad não têm nada a ver com Fleury e que o meio de campo ideológico de hoje está menos definido do que uma década atrás, o dilema do voto útil já ronda a cabeça de alguns eleitores.

Dilema chato, mas comum.

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