Em São Paulo, deficiência no cadastro do Bolsa Família prejudicou sobretudo famílias extremamente pobres
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Em São Paulo, deficiência no cadastro do Bolsa Família prejudicou sobretudo famílias extremamente pobres

Roldão Arruda

05 de fevereiro de 2014 | 21h06

Após dez anos da criação do Bolsa Família, na cidade de São Paulo dezenas de milhares de famílias em situação de extrema pobreza só agora começam a ser beneficiadas com a transferência de recursos prevista no programa. É isso o que indica o último balanço da Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura sobre o esforço que está sendo feito para ampliar a distribuição do benefício na cidade.

Com números contabilizados até o final de dezembro, o balanço mostra que 120.142 famílias foram incorporadas ao programa em 2013.  Isso representa um salto de 52% em relação ao total de 228.299 famílias que tinham sido cadastradas entre 2003 e 2012.

Não foi o número geral, porém, que mais chamou a atenção de Luciana Temer, a titular da secretaria. Ao detalhar as condições das novas famílias inscritas ela verificou que 85% delas (101.903) estão situadas nas faixas mais baixas de renda, a chamada linha da extrema pobreza (quando a renda per capita no grupo familiar é menor que R$ 70).

A cidade de São Paulo sempre teve um dos piores índices de cadastramento de famílias no programa federal em todo o País. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social, que utiliza dados do censo demográfico de 2010, existem na capital 500.666 famílias que se enquadram no perfil econômico e social indicado para receber o benefício. Até dezembro de 2012, porém, apenas 228.299 famílias – menos da metade – estavam cadastradas.

O prefeito Fernando Haddad, filiado ao PT, partido que está no governo federal e que tem entre suas principais bandeiras a difusão de políticas de transferência de renda, prometeu sair atrás dessas famílias. Após um ano no cargo, cumpriu quase metade da meta. Se os cálculos feitos pelo Desenvolvimento Social estiverem corretos, ainda existem 152.225 famílias na cidade que poderiam ser beneficiadas.

Sobre o resultado do trabalho em 2013, Luciana diz: “Vínhamos trabalhando até agora principalmente na chamada linha da pobreza, que são famílias com renda per capita de até R$ 140. O mais importante para nós foi que, por meio da busca ativa, acabamos localizando as famílias que estão abaixo dessa linha, que são extremamente pobres, as que mais precisam, com R$ 70 per capita. Elas têm tantas carências que nem vão procurar os serviços de assistência social.”

Ainda de acordo com a secretária, a localização de famílias mais carentes foi possível com o aumento do número de cadastradores, a mobilização das subprefeituras e o maior envolvimento de agentes comunitários de saúde, que têm acesso às áreas de maior pobreza, entre outras iniciativas.

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