Ex-ministro Delfim Netto vai depor na Comissão da Verdade
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Ex-ministro Delfim Netto vai depor na Comissão da Verdade

Roldão Arruda

05 Junho 2013 | 21h53

Está marcado para o dia 25, às 11 horas, o depoimento do ex-ministro Antonio Delfim Netto perante a Comissão Municipal da Verdade de São Paulo. Os vereadores querem obter dele esclarecimentos sobre o esquema montado por um grupo de executivos e empresários paulistas para financiar o esquema de repressão nos anos da ditadura militar.

O convite para o depoimento foi entregue a Delfim há quase dois meses. Ontem, dia 4, ele enviou dois assessores à Câmara para confirmar o comparecimento, segundo o presidente da comissão, vereador Gilberto Natalini (PV).

Delfim esteve à frente do Ministério da Fazenda entre 1967 e 1974. Foi nessa época que executivos e empresários paulistas teriam organizado a “vaquinha” para financiar a repressão a militantes de esquerda. Esse esquema deu origem à Operação Bandeirantes – organização paramilitar que depois seria substituída pelo DOI-Codi, serviço de informações e repressão vinculado ao comando do 2.º Exército.

“O ex-ministro tem sido citado como pessoa que transitava nesses meios empresariais que arrecadavam recursos financeiros para financiar o aparato da repressão”, diz o vereador Natalini. “Queremos esclarecer qual foi o papel desses empresários, com os quais o Delfim muito provavelmente mantinha contatos.”

As ligações entre empresários e agentes da repressão constituem o tema central do documentário Cidadão Boilesen, sobre a vida do empresário Henning Albert Boilesen (1916-1971), que presidiu o Grupo Ultra, da Ultragaz. Segundo o filme de Chaim Litewski, ele ajudou a articular o esquema de financiamento e participou de sessões de tortura de presos políticos. Foi assassinado em 1971, numa emboscada armada por militantes de esquerda, em São Paulo.

Trajetória

Com 85 anos, Delfim é professor emérito da Faculdade de Faculdade de Economia e Administração da USP e ainda tem influência na política econômica do País. Desde o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva assessora informalmente o Palácio do Planalto nessa área.

Nos anos do regime militar figurou como um dos ministros mais influentes do governo e o principal responsável pelo chamado “milagre econômico” – período de rápido crescimento da economia no início da década de 1970, no mandato do general Emílio Garrastazu Médici.

Em 1968, foi um dos signatário do Ato Institucional n.º5, que levou ao endurecimento do regime. No governo presidente João Figueiredo ocupou sucessivamente os ministérios da Agricultura e do Planejamento.

Antes de ser chamado pelo governo militar, ele participou do governo de Laudo Natel, em São Paulo, como titular da Secretaria da Fazenda.  Após a redemocratização, foi eleito deputado federal por cinco mandatos consecutivos, pelas legendas que sucederam a Arena, o partido que dava sustentação política à ditadura. Após não conseguir a reeleição em 2006, ele se afastou da política.

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