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Questão indígena tem pouco destaque na reta final da eleição

O tema não ganhou destaque nem no debate eleitoral de Mato Grosso do Sul, um dos principais focos de conflitos fundiários

Roldão Arruda

23 de outubro de 2014 | 20h45

Com José Maria Tomazela, de Campo Grande,
e Valmar Hupsel Filho

A campanha eleitoral chega aos momentos finais sem ter dado atenção à questão indígena. O tema não apareceu nos debates entre os candidatos nas redes de TV e recebeu um tratamento ralo nas propostas de governo que os dois apresentaram.

Nessa quinta-feira, 23, a presidente e candidata Dilma Rousseff divulgou uma carta endereçada aos povos indígenas, na qual lembra o que fez em seu governo e sinaliza o apoio a algumas de suas reivindicações. Lembrou, entre outras coisas, que a Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial em Terras Indígenas foi instituída em seu governo.

Para o próximo mandato, a candidata prometeu fortalecer a Fundação Nacional do Índio (Funai). Seria o oposto do que fez nos últimos quatro anos, quando aquela instituição passou por um visível processo de esvaziamento.

Sônia Guajajara, da coordenação da Articulação dos Povos Índigenas do Brasil (Apib) não viu novidade na carta. “Escrever é fácil. Ela tem que confirmar isso com atitude”, disse ao repórter Valmar Hupsel Filho. “Há 32 terras prontas para terem a demarcação assinada. Doze delas estão prontas, já passaram por todos os procedimentos e não têm conflito. Estão na mesa do ministro da Justiça, que não assinou e paralisou todos os processos.

Em Mato Grosso do Sul, Estado que tem a segunda população indígena do País, atrás apenas do Amazonas, e grande número de conflitos envolvendo índios e fazendeiros, a questão indígena também foi praticamente ignorada pelos candidatos ao governo, segundo relato do repórter José Maria Tomazela. O programa do candidato do PT, Delcídio do Amaral, tem 17 propostas que incluem a mulher e a população negra, mas não contempla a população indígena. A assessoria informou que o candidato sempre manifestou publicamente preocupação com a proteção dos índios.

Em contato com índios da etnia terena em Aquidauana, interior do Estado, o candidato do PSDB, Reinaldo Azambuja, prometeu criar, se eleito, uma superintendência para assuntos indígenas, mas a proposta não aparece entre as prioridades em seu programa de governo.

“Eu sei que eles (a campanha do adversário) vão para dentro das aldeias e dizem que o Reinaldo não gosta de índios. O único programa que tem algo específico para as comunidades indígenas é o nosso”, afirmou Azambuja na ocasião. No site da campanha, a criação do órgão não é mencionada.

AÉCIO RECONHECE PROBLEMA

Na terça-feira, 21, durante a visita de Aécio Neves a Campo Grande, índios terenas entregaram a ele um documento pedindo rapidez na demarcação das terras indígenas. Na presença de Azambuja, o candidato do PSDB reconheceu que a situação no Estado é grave e prometeu, se eleito, fazer parceria com o Estado para resolver os conflitos, respeitando os direitos dos índios.

Um dos principais conflitos ocorre na região de Sidrolândia, onde um índio foi morto no ano passado, durante o cumprimento de uma reintegração de posse pela Polícia Federal, na Fazenda Buriti. A ordem de despejo acabou suspensa e uma decisão recente do Tribunal Federal de Recursos (TRF-3) manteve a posse dos índios nas terras. De acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai) o Estado de Mato Grosso do Sul tem cerca de 75 mil indígenas, com predominância das etnias terena e guarani-kaiowá.

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