‘É uma tragédia’, diz Giannazi sobre novo perfil da Assembleia
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‘É uma tragédia’, diz Giannazi sobre novo perfil da Assembleia

Na avaliação do deputado mais votado do bloco de oposição na Assembleia, Carlos Giannazi (PSOL), o controle do governador Geraldo Alckmin (PSDB) sobre a casa será total. Ao falar sobre o encolhimento da oposição, que passou de 29 para 18 parlamentares, ele também culpa o PT

Roldão Arruda

13 de outubro de 2014 | 22h23

Na avaliação do deputado estadual Carlo Giannazi (PSOL), reeleito pela terceira vez consecutiva para a Assembleia de São Paulo, o poder do governador Geraldo Alckmin (PSDB) sobre aquela casa na próxima legislatura será incontornável. “É uma tragédia”, diz ele na entrevista abaixo. “A Assembleia saiu desta eleição mais conservadora, mais evangélica, mais reacionária e, sobretudo, mais governista.”

A bancada de oposição ao governo, tradicionalmente formada pelo PT, PC do B e PSOL, encolheu de 29 para 18 deputados, num conjunto de 94 parlamentares. Nesse pequeno bloco, Giannazi se destaca como o mais votado na eleição do dia 5. Ele saiu das urnas com 164.929 votos. Enio Tatto, que liderou o PT em quantidade de votos, ficou bem atrás dele, com 108 mil.

Como você analisa o novo perfil da Assembleia?

Piorou muito. O que teremos lá a partir de janeiro é uma tragédia. A Assembleia ficou mais conservadora, mais governista, mais evangélica. Aumentou o número de parlamentares reacionários e a bancada da bala, ao mesmo tempo que o tamanho da oposição diminuiu. A bancada do PT passou de 24 para 14 deputados. O bloco de oposição caiu de 29 para 18.

O que isso significa em termos de funcionamento da casa?

O que era ruim ficou pior. Se a gente nunca conseguia as 32 assinaturas que são necessárias para requerer uma CPI, imagina agora. Até para fazer uma emenda de plenário, que requer 19 assinaturas, vamos ter dificuldades. Será necessário procurar apoio de algum dissidente do governo. Nesse cenário, nosso mandato vai trabalhar procurando levar denúncias para o Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado e outras instituições. Vamos buscar outros caminhos, porque internamente será muito difícil.

Fora o PT, o PSOL e o PC do B, todos os outros partidos se alinham com o governador?

Sem exceção. No final do ano o governador vai distribuir cargos, secretarias, diretorias de empresas estatais, diretorias de ensino, com o intuito de montar e garantir o funcionamento do blocão governista. Ele vai ter controle total. Na legislatura que termina agora havia uma dissidência, o Major Olímpio, do PDT, que não votava com o governo, embora o seu partido fosse da base aliada. Ele se elegeu deputado federal. A Assembleia vai perder um parlamentar de origem militar mas de perfil humanista e moderado.

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 A que você atribui essa mudança no perfil da Assembleia e o fortalecimento do governador?

São três fatores. O primeiro é o domínio que o Alckmin tem sobre a máquina administrativa do Estado. Ele faz muita barganha com os prefeitos do interior, muitos deles à frente de prefeituras totalmente quebradas, sem recursos, necessitando de obras, verbas do Estado, emendas que favoreçam o município. O governador domina e instrumentaliza isso muito bem. É um especialista em tornar os municípios dependentes das verbas do Estado. É a sua principal força. Ele faz a mesma coisa com a Assembleia, distribuindo cargos e verbas.

De outro lado, existe um setor da imprensa que blinda o governador. Eu sei disso porque mensalmente fazemos denúncias contra o Alckmin, passamos para a imprensa e depois não vemos nenhuma publicação.

A outra questão é a própria desmoralização do PT. O partido abandonou os movimentos sociais, as lutas sociais, entrou nesse esquema de corrupção e se desmoralizou. Isso potencializou a onda conservadora que estamos vendo em São Paulo. O PT também é responsável por isso.

E o seu partido, o PSOL?

Estamos fora disso. Somos oposição ao PT e ao PSDB. Mantivemos a coerência e fomos reconhecidos nas urnas. Eu fui o candidato mais votado no bloco de oposição, após fazer uma campanha sem estrutura, sem grana, sem um centavo de doação de empresas. A campanha foi toda feita com nossos recursos.

 

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