Dilma escolheu petista com perfil técnico para presidir Incra
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Dilma escolheu petista com perfil técnico para presidir Incra

A nova presidente do Incra, Maria Lúcia Falcón, toma posse nesta segunda-feira, 30. Burocrata do PT, ela já ocupou cargos no governo de Sergipe, no Ministério do Planejamento, BNDES e Petrobrás. Será primeira mulher a presidir a autarquia

Roldão Arruda

29 de março de 2015 | 11h29

A engenheira agrônoma Maria Lúcia Falcón toma posse nesta segunda-feira, 30, na presidência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A cerimônia vai sinalizar três novidades no Incra: será a primeira mulher a presidir a autarquia; será a primeira vez, desde a ascensão do PT à Presidência da República, em 2003, que um representante da região nordestina chega àquele cargo; e também será a primeira vez – no período petista – que a política de reforma agrária não será comandada por alguém indicado pela corrente política Democracia Socialista (DS).

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A escolha do nome de Maria Lúcia envolveu consultas a movimentos sociais e às diferentes correntes políticas que atuam no interior do PT. Também levou em consideração o desejo da presidente Dilma Rousseff de nomear alguém com experiência na área administrativa.

Maria Lúcia é uma burocrata do PT. Engenheira agrônoma, com especialização em economia e sociologia, tornou-se conhecida no interior do partido especialmente por sua atuação como secretária de Estado de Planejamento de Sergipe, no período de 2007 a 2010, durante a gestão de Marcelo Deda – que é considerada uma gestão exemplar nos moldes petistas.

Em 2011, no início do primeiro mandato da presidente Dilma, seu nome foi cogitado pela primeira vez para a presidência do Incra.  Acabou nomeada, porém, para a secretaria nacional de Planejamento e Investimentos Estratégicos, no Ministério do Planejamento.

Maria Lúcia voltou em 2012 para Sergipe, onde chefiou a Secretaria de Desenvolvimento Urbano na fase final da gestão Deda. Antes de atuar no governo estadual, ela comandou a Secretaria de Planejamento da Prefeitura de Aracaju.

Até a quarta-feira, 18, quando saiu a sua nomeação oficial para o Incra, ela atuava como assessora da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Pelo site da Petrobrás também é possível saber que Maria Lúcia já integrou o Conselho Fiscal da estatal.

Ela tem o apoio de movimentos sociais que defendem a reforma agrária, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e a Via Campesina. Maria Lúcia é conhecida entre eles sobretudo como um quadro técnico do Estado de Sergipe, que pode representar o fim do predomínio de uma corrente petista no Incra.

João Pedro Stedile, integrante da coordenação nacional do MST, disse ao Estado que o perfil da engenheira agrônoma se encaixa no perfil que tem sido defendido pelo movimento junto ao governo federal. “Tem que ser gente com conhecimento técnico e compromisso com a reforma agraria”, afirmou.

FALTA DE VONTADE POLÍTICA

A nova presidente, que substitui Carlos Guedes (2012-2015), vai encarar uma instituição enfraquecida. De acordo com documento elaborado há pouco pela Confederação Nacional das Associações dos Servidores do Incra, o primeiro mandato da presidente Dilma foi marcado pela falta de vontade política em relação à reforma agrária, à regularização fundiária e à organização do cadastro rural. Isso teria resultado no enfraquecimento da instituição.

O nome da presidente nomeada para o Incra não foi a primeira opção depositada na mesa da presidente Dilma. O nome mais cotado inicialmente era o de Maria Fernanda Coelho, ex-presidente da Caixa Econômica Federal.

A escolha recaiu sobre Maria Lúcia depois que Patrus Ananias, titular do Ministério do Desenvolvimento Agrário (ao qual está vinculado o Incra), convidou a ex-presidente da CEF para trabalhar com ele, no cargo de secretária nacional executiva da pasta.

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