Dilma deveria dialogar e articular mais, diz assessor de Lula
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Dilma deveria dialogar e articular mais, diz assessor de Lula

Para o ex-ministro Luiz Dulci, diretor do Instituto Lula, presidente Dilma Rousseff deveria se empenhar mais nas articulações no Congresso, se aproximar dos movimentos sociais e melhorar diálogo com sociedade: "Ela nem sempre consegue explicar suas medidas"

Roldão Arruda

31 de março de 2015 | 10h53

Na avaliação de Luiz Dulci, ex-secretário-geral da Presidência da República, a presidente Dilma Rousseff tem dificuldades para se comunicar com os movimentos sociais e explicar as medidas econômicas que seu governo adotou. Dulci também acredita que a presidente deveria se dedicar mais à consolidação da sua base política no Congresso. Para ele, o governo “não tem base estável no parlamento”.

O ex-ministro é diretor do Instituto Lula, em São Paulo, e um dos conselheiros mais próximos do ex-presidente. Suas declarações foram feitas durante entrevista ao cientista político Rudá Ricci.

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Na entrevista, Dulci disse que a crise econômica não é tão grave quanto a oposição tenta fazer crer e defendeu a política econômica conduzida sob a batuta de Joaquim Levy, ministro da Fazenda: “O ajuste é necessário. Houve um certo descontrole fiscal.”

A entrevista foi gravada no dia 16 de março, logo após os protestos de rua contra o governo, e divulgada em duas partes. A segunda foi ao ar no domingo, dia 29. Na conversa, o ex-ministro defende o reajuste fiscal que está sendo realizado por Dilma. Afirma que, embora difícil para um governo com vocação desenvolvimentista, a medida mostrará seus efeitos a médio prazo. “O País vai voltar a crescer gradativamente.”

Os principais desafios de Dilma, porém, não são econômicos: “Os desafios políticos são maiores.”

Dulci acredita que o governo da presidente Dilma precisa agir em várias frentes. A primeira delas está no Congresso, onde as dificuldades de articulação política hoje são maiores do que no governo Lula. Isso ocorre, entre outros fatores, porque o número de partidos aumentou e a fidelidade partidária ficou ainda mais esgarçada.

A recomendação do ex-secretário-geral é para que Dilma tente estabelecer uma linha de pontos programáticos com os partidos que integraram a coligação eleitoral de 2014 e formalize uma aliança programática – o mais rapidamente possível: “No Brasil não se governa sem alianças.”

Embora difícil de ser costurada, a aliança não é impossível, segundo Dulci. “É possível desde que a presidente se dedique mais a isso”, afirmou. “A participação dela é muito importante.”

Outra frente de ação se refere aos movimentos sociais, com os quais a presidente deveria melhorar o seu nível de diálogo. Dulci enfatiza essa questão em mais de um momento da entrevista.

“Esse é um dos principais desafios”, disse ele ao cientista político. “Ela nem sempre consegue explicar suas medidas. Há um problema de diálogo com a sociedade.” Para o ex-ministro, “a governabilidade no parlamento é fundamental, mas é preciso ter também uma governabilidade social, sobretudo com os setores da população organizada”.

O GOVERNO LULA

Dulci iniciou a carreira política no meio sindical em Minas e foi um dos fundadores do PT. Ao se referir ao governo do presidente Lula, que ele integrou do primeiro ao último dia, disse: “O Lula governou durante oito anos fazendo pontes, procurando beneficiar os setores populares, especialmente os excluídos, mas sem antagonismos, sem confrontos com a indústria nem com o setor financeiro.”

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O vídeo com a íntegra da entrevista está no site do Rudá Ricci. A primeira parte pode ser vista aqui. E a segunda, aqui

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