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“Devemos comemorar a resistência da sociedade”, diz estudioso em debate sobre ditadura

Roldão Arruda

24 Março 2014 | 21h27

“O que devemos comemorar na passagem dos 50 anos do golpe é a resistência da sociedade brasileira. Não fosse ela, estaríamos ainda hoje numa ditadura, talvez não mais militar, mas ditadura civil. Não fosse a resistência dos partidos, sindicatos, universidades, associações civis, profissionais, das artes, da literatura, do teatro, não teríamos feito a transição democrática que logramos. Temos muito que comemorar.”

Essas afirmações foram feitas pelo professor Sérgio Adorno, coordenador do Núcleo de Estudos da Violência da USP, na abertura do seminário O Golpe de 1964 e a Onda Autoritária na América Latina, na tarde desta segunda-feira (24), na Cidade Universitária. Segundo o professor, a sociedade brasileira reagiu à ditadura com vários tipos de manifestações, que acabaram permitindo a formação de diferentes correntes de opinião no movimento de resistência.

“É hora de se comemorar o retorno à democracia e recuperar a memória do sofrimento, para superá-lo e avançar na direção de uma sociedade mais justa, igualitária, democrática, capaz de respeitar as diferenças, os pluralismos. É hora de evitar as tentações dos radicalismos, que provocam polarizações e levam a tentações golpistas”, afirmou o professor. Ele também disse que a democracia deve ser entendida como um processo de construção permanente: “Temos que superar os problemas presentes, mas sabendo que a sociedade cria e enfrenta novos problemas.”

O seminário, que prossegue até 27 de março, é promovido pelo Departamento de História, Escola de Artes e Ciências Humanas da USP, pela Universidade de Brown (Estados Unidos) e a Associação de Pesquisadores de História das Américas.

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