Destino do papa, Rio é o primeiro Estado sem maioria católica
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Destino do papa, Rio é o primeiro Estado sem maioria católica

Roldão Arruda

04 de março de 2013 | 16h25

Em junho, quando chegar ao Brasil para a 28.ª Jornada Mundial da Juventude, o papa substituto de Bento XVI vai desembarcar diretamente no primeiro Estado em que os católicos já não são maioria na população. A tendência é que nos próximos anos o mesmo aconteça em outras regiões, até no Nordeste, onde o catolicismo se mantém mais arraigado.

Quem faz essas constatações é o sociólogo e demógrafo René Decol. A partir da análise de uma série histórica de dados do Censo Demográfico, no período de 1940 a 2010, ele observou que a tendência no Brasil inteiro é de diminuição da maioria católica. O Rio seria apenas o início.

A tabela abaixo, elaborada pelo demógrafo, mostra que os católicos representavam 91,7% do total da população do Rio em 1940. Passados 70 anos, o censo de 2010 indicou que hoje representam menos da metade: 45,6%.

Vale notar também que o grupo dos sem religião passou de 2,2% em 1950, para 15,6% em 2010.

“Isso não se deve só ao crescimento dos evangélicos”, diz Decol. “Observa-se também o crescimento dos sem religião e de numerosas minorias religiosas que compõem o chamado caldeirão religioso, entre elas espíritas, budistas, judeus e outras.”

Segundo o estudioso, também fazem parte desse novo cenários as religiões new wave: “Ao contrário daquelas tradicionais, milenares, elas apareceram recentemente. Um exemplo é o Santo Daime.”

Para o pesquisador, trata-se de um momento histórico importante: “Estamos assistindo a mudanças numa das instituições mais antigas que conhecemos. Isso é possível porque o censo demográfico brasileiro tem uma pergunta sobre religião, o que não é comum, por exemplo, nos países da Europa.”

O gráfico abaixo, também produzido pelo demógrafo, aponta, em milhões de pessoas, o declínio católico e a ascensão de outros grupos religiosos em todo o território nacional.

O declínio católico, porém, não acarretará de imediato uma supremacia evangélica, um estado teocrático controlado por pastores. A tendência, segundo o demógrafo, é em direção a um Estado multirreligioso.

“É uma tendência forte no mundo todo”, diz. “Até na América Latina, que recentemente ainda era ainda muito católica.”

Com o declínio em termos populacionais, o peso da doutrina católica tende a diminuir: “A Igreja Católica, cada vez mais, se torna apenas mais uma voz na discussão social e política. Não é mais a única voz, e talvez nem mais a mais importante, apenas mais uma voz no caldeirão do debate contemporâneo de ideias, tendencias, visões de mundo etc.”

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