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Após declarar que Juscelino foi assassinado, Comissão Municipal da Verdade pede intervenção de Dilma

Roldão Arruda

06 de março de 2014 | 20h36

A Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, instalada na Câmara Municipal de São Paulo, quer que Dilma Rousseff declare oficialmente que o ex-presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) não morreu em decorrência de um acidente, mas foi assassinado.

Em ofício enviado ontem à presidente, os vereadores solicitam que “determine as medidas e as providências necessárias com a finalidade de alterar a causa oficial da morte do ex-presidente da República e de seu motorista, e, em nome da história do Brasil, da verdade, da memória e da justiça, proclamar oficialmente os assassinatos de Juscelino Kubitschek e Geraldo Ribeiro”

A solicitação dos vereadores é baseada num relatório de trinta páginas, produzido por eles mesmos, no qual afirmam terem reunido “dezenas de indícios, evidências, testemunhos e provas” suficientes para concluir que “a versão oficial de acidente automobilístico foi forjada na ditadura militar”.

Eles se referem aos fatos ocorridos em 22 de agosto de 1976. Naquele dia, Juscelino embarcou num Opala em São Paulo e pegou a Rodovia Presidente Dutra, rumo ao Rio. Não chegou ao destino. Segundo apurações policiais feitas na época, na altura do município de Resende, ao tentar ultrapassar um ônibus, o Opala colidiu com uma carreta. Morreram o presidente e seu motorista e amigo Geraldo Ribeiro.

Como Juscelino era temido pela ditadura militar, pela sua popularidade, desde o primeiro dia foram levantadas dúvidas sobre o acidente. Sempre se aventou a possibilidade de atentado. Em 1996 chegaram a exumar o corpo de Ribeiro, em Belo Horizonte, para examinar um fragmento metálico localizado em sua cabeça na época do acidente. A perícia concluiu que era um prego do caixão.

Em 2001, uma Comissão Externa da Câmara dos Deputados analisou o caso e concluiu: “Por mais que se exercite a imaginação e a criatividade, não se consegue encontrar um argumento sólido, balizado, lógico e técnico que possa apoiar a tese de assassinato.”

No ano passado a Comissão da Verdade Municipal voltou ao caso. Uma vez que a história da morte da JK também é objeto de análise da Comissão Nacional da Verdade, os vereadores justificaram a investigação afirmando que Juscelino embarcou em São Paulo.

Baseados sobretudo em depoimentos, concluíram que o motorista foi atingido por um tiro segundos antes do acidente. Ou seja: o objeto em seu crânio não seria um prego, mas um projétil de arma de fogo.

Quanto à perícia de 1996, os vereadores acreditam que foi falha. Gilberto Natalini (PV), presidente da comissão, já fez mais de uma referência à necessidade de novo exame. A família do motorista já declarou, porém, que é contra uma nova exumação, por considerá-la desrespeitosa.

O Relatório JK, como foi denominado, também foi enviado ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e ao atual coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari.

Além de Natalini, fazem parte da comissão os vereadores Mário Covas Neto (PSDB), Juliana Cardoso (PT), Ricardo Young (PPS), José Police Neto (PSD), Laércio Benko (PHS) e Rubens Calvo (PMDB).

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