Crise paralisa Comissão da Verdade do Largo São Francisco
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Crise paralisa Comissão da Verdade do Largo São Francisco

Roldão Arruda

12 de agosto de 2013 | 22h39

A Comissão da Verdade da Faculdade de Direito do Largo São Francisco parou de funcionar há mais de um mês. A paralisação foi causada pelo pedido de demissão dos três professores que integravam o coletivo.

Eles decidiram se afastar no final do mês de junho, após um pronunciamento feito por Alexandre Pariol Filho, representante dos funcionários da faculdade na comissão, durante um ato público. No dia 23 de maio, em evento organizado pelo Fórum Aberto pela Redemocratização da Universidade de São Paulo, o funcionário se apresentou como representante da maioria dos membros do coletivo. Por um acordo interno, porém, a única pessoa autorizada a falar em nome da comissão seria seu presidente, professor Gilberto Bercovici – da cadeira de Direito Econômico.

O depoimento do funcionário está na internet. Quem visita o blog do fórum pode verificar que ele se apresentou como diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP(Sintusp), afirmando em seguida que não falava em nome do grupo. “Falo em nome da maioria da Comissão da Verdade”, disse.

Para os professores o acordo foi desrespeitado. Segundo informações obtidas pelo blog entre integrantes da comissão, eles também não teriam gostado do teor do pronunciamento de Pariol. Especialmente do fato de ter citado nomes de professores que estariam sendo examinados pela comissão. Um dos nomes mencionados pelo funcionário foi o do professor Alfredo Buzaid, que ocupou o cargo de diretor da escola do Largo São Francisco antes de ser chamado pelo general Emílio Médici para o Ministério da Justiça, em 1969.

O caso gerou uma crise interna. Os docentes se afastaram em junho, no final do primeiro semestre letivo. Aguarda-se agora a eleição de novos representantes dos professores.

A comissão foi criada em dezembro do ano passado, com o objetivo é examinar e esclarecer violações de direitos humanos ocorridas no âmbito daquela instituição durante a ditadura militar. Seus nove integrantes – três professores, três estudantes e três funcionários – foram escolhidos entre seus pares, por meio de eleições diretas.

Além de Bercovici, pediram demissão, em caráter irrevogável, os docentes Ana Elisa Liberatore Silva Bechara, do Departamento de Direito Penal, e Geraldo Miniuci Ferreira Júnior, do Departamento de Direito Internacional.

O Fórum Aberto pela Democratização da USP é uma espécie de frente de oposição ao atual reitor da instituição, João Grandino Rodas. O grupo contesta, entre outras coisas, a forma como o reitor criou a Comissão da Verdade da USP.

Rodas teria ignorado um acordo interno, segundo o qual a comissão seria constituída a partir do voto direto, como no Largo São Francisco. Em vez disso ele nomeou os integrantes do grupo . Também partiu dele a decisão de indicar o jurista e professor emérito Dalmo de Abreu Dallari para o cargo de presidente.

O ato público do qual Pariol participou era denominado Ato Contra a Comissão da Mentira de Grandino Rodas.

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