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Cresce número de candidatos indígenas

O TSE registra 86 candidaturas indígenas neste ano. É um número cinco vezes maior do que o contabilizado em 2010

Roldão Arruda

17 de setembro de 2014 | 21h42

Por determinação da Justiça Eleitoral, os candidatos a cargos no Legislativo e no Executivo passaram neste ano a registrar na ficha de inscrição se são brancos, negros, índios, pardos ou amarelos. É uma autodeclaração, assim como a que se faz no Censo Demográfico.

Até agora, das 26.156 pessoas inscritas para disputar cargos que vão de presidente a deputado estadual, 86 se declararam indígenas. Isso representa 0,33% do total. Não é muito, quando se considera que no Censo de 2010 o número de brasileiros que disseram pertencer a grupos indígenas chegou a 896,9 mil – o equivalente a 0,47% do total da população, em torno de 190,7 milhões.

Em outras palavras, os índios ainda estão sub-representados. Esse número, no entanto, também contém uma revelação bastante positiva, segundo o antropólogo Ricardo Verdum, da Comissão de Assuntos Indígenas da Associação Brasileira de Antropologia: “Ele é quase cinco vezes maior do que o número de candidatos que, segundo levantamento que fiz, se anunciaram como indígenas em 2010.”

Não é uma comparação precisa, adverte o antropólogo, porque naquela eleição a Justiça Eleitoral não pedia esse tipo de declaração aos candidatos. Ela dá uma ideia, no entanto, das mudanças que estariam ocorrendo no País. “A partir de políticas públicas de defesa da cultura e dos interesses indígenas, é relevante o fato de mais pessoas se identificarem com sua origens”, afirma.

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O quadro do TSE sobre “cor” e “raça” também indica que o grupo dos bancos é o mais bem representado na eleição. Embora totalize 47,7% do total da população do País, o grupo detém 54,9% da candidaturas.

Assim como os índios, negros e pardos estão sub-representados. Representam 50,7% da população brasileira, segundo o Censo de 2010, mas seus candidatos somam 44,2% dos inscritos no TSE.
O mesmo acontece com o grupo identificado como da raça amarela: tem um peso de 1,1% no total da população e 0,46% das candidaturas.

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