Cresce influência da Consulta, um partido sem registro
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Cresce influência da Consulta, um partido sem registro

Roldão Arruda

09 Janeiro 2013 | 18h53

A Consulta Popular – organização política que se define como socialista e revolucionária – está ampliando sua influência na cena política. Para 2013, o objetivo da direção nacional é intensificar esforços para unir, em torno de um programa comum, setores situados à esquerda da frente de apoio ao governo da presidente Dilma Rousseff. Quer pressionar o governo na direção de mudanças estruturais na sociedade.

Em 2012, um dos principais feitos da militância da Consulta foi a organização do Levante Popular da Juventude – que se notabilizou pela série de esculachos contra agentes de Estado que teriam praticado tortura e outros atos de violação dos direitos humanos no período da ditadura militar (1964-1985).

A Consulta está estruturada em 17 Estados, segundo seus dirigentes, e reúne cerca de mil pessoas engajadas de maneira mais direta nas suas articulações. Na eleição municipal de 2012, apoiou os candidatos petistas, com três exceções, no Rio de Janeiro, Belém e Recife, cidades nas quais pediu votos para o PSOL.

Embora funcione com estrutura de partido, a Consulta não tem registro na Justiça Eleitoral. Na verdade, o processo eleitoral não está no horizonte imediato da organização, como explica em seu site, no capítulo inicial, o chamado Quem Somos: “Não somos um agrupamento eleitoral. Isso não significa negar a importância das eleições na política, mas romper com a lógica da centralidade na luta eleitoral.”

Foi essa “lógica da centralidade na luta eleitoral” dentro do PT que deu origem à Consulta, em 1997. Descontentes com o fato de que o partido estaria deixando de lado o chamado trabalho de base, com os movimentos populares, para apostar pesado na lógica eleitoral, grupos de militantes começaram a se reunir à parte.

Luiz Inácio Lula da Silva chegou a participar da reunião inicial, mas não passou dali. Ao lado de José Dirceu, ele já pavimentava na época o caminho que o levaria à Presidência da República, em 2003, sob a consigna de que a política é a arte do possível.

João Pedro Stedile, dirigente do MST, foi um dos principais articuladores dos descontentes, para os quais a esquerda não deveria abandonar projetos revolucionários para se tornar “gerente da máquina administrativa”.

De acordo com suas origens, a Consulta procura se aproximar sobretudo de movimentos sociais. Também tenta se articular na área sindical. No trabalho de organização dá atenção especial à formação dos militantes, com extensos cursos sobre realidade brasileira e pensamento socialista.

Na avaliação da organização, a crise econômica em curso no mundo está apenas no início. Será profunda e prolongada e as políticas macroeconômicas desenvolvimentistas aplicadas atualmente no Brasil e em outros países da América Latina se mostrarão insuficientes para enfrentá-la.

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