Coronel Telhada ataca políticos com “sangue nas mãos”
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Coronel Telhada ataca políticos com “sangue nas mãos”

Roldão Arruda

25 de janeiro de 2013 | 23h23

Com Felipe Frazão

“Ontem, 24 de janeiro, seria o aniversário de 65 anos de Alberto Mendes Junior, caso ele não tivesse sido assassinado por terroristas no dia 10 de maio de 1970″. Foi assim que o ex-comandante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), o vereador paulistano Coronel Telhada (PSDB), iniciou o texto de uma mensagem divulgada nesta sexta-feira, 25, em sua página no Facebook.

Na frase seguinte ele definiu o seu objetivo: criticar políticos que estão no poder e que no passado pertenceram a grupos que pegaram em armas contra a ditadura militar. O texto continua: “(Foi) Assassinado por grupos terroristas de políticos que hoje estão no poder e ainda se apresentam como defensores dos direitos humanos… Políticos que têm na memória e nas mãos o sangue desse jovem que foi morto aos 23 anos, amarrado, com a cabeça esfacelada a golpes de coronhas de fuzil.”

A mensagem não diz quais são esses políticos. Sabe-se, no entanto, que o grupo que matou o tenente pertencia à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Era liderado pelo capitão Carlos Lamarca, que desertou do Exército para se unir à esquerda armada.

Em 1969, a VPR fundiu-se a outra organização de esquerda, Colina Mineira, da qual fazia parte a futura presidente Dilma Rousseff. Essa união, porém, durou pouco. No racha, Dilma desligou-se do grupo de Lamarca. Em maio de 1970, quando o tenente da PM foi morto, ela estava presa há cinco meses, no DOI-Codi, em São Paulo.

O vereador tucano está em seu primeiro mandato parlamentar. Foi o quinto candidato mais votado entre os 55 eleitos – mais de 89 mil votos. Entre 2009 e 2011, chefiou o 1.º batalhão de choque da Polícia Militar.

Ao explicar a divulgação da mensagem, disse: “Sempre faço isso aí como um grito de revolta, porque era um jovem de 23 anos que foi morto defendendo a constituição da época no País e é totalmente esquecido. Muitos dos que estão no poder hoje eram desses grupos armados, vide José Genoino, José Dirceu. São pessoas criminosas, que roubaram, mataram e foram anistiadas. Hoje estão condenados por outros crimes e novamente não acontece nada.”

O episódio ao qual se refere ocorreu no Vale do Ribeira, no interior de São Paulo – a região escolhida por Lamarca para treinar guerrilheiros. Na época, tropas do Exército e da Polícia Militar foram deslocadas para a área.

O tenente Mendes, que pertencia ao 1.º Batalhão de Choque da PM, foi preso pelos guerrilheiros e ali mesmo, na mata, executado e enterrado. Promovido após sua morte, por bravura, ao posto de capitão, deixou para sua família a pensão relativa ao posto.

Dos cinco guerrilheiros envolvidos no episódio do assassinato do tenente, só um está vivo. Lamarca foi morto por tropas do Exército, em 1971, no interior da Bahia.

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