Comissão quer saber de onde saíam ordens para torturar
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Comissão quer saber de onde saíam ordens para torturar

Roldão Arruda

24 de setembro de 2012 | 18h14

A Comissão Nacional da Verdade quer ir além dos nomes dos agentes policiais e militares acusados de envolvimentos com torturas, sequestros e desaparecimentos de presos políticos nos anos do regime militar. De acordo com informações de integrantes da comissão, também faz parte de seus objetivos rastrear a cadeia de comando. Em outras palavras, de onde vieram as ordens para aquelas ações?

Parece ficar cada vez mais claro para a comissão que a tortura não era cometida de forma isolada, por agentes do Estado que não se submetiam a ordens superiores e agiam por conta própria. O sociólogo Paulo Sérgio Pinheiro, um dos sete membro da comissão, tem dado declarações enfáticas a esse respeito: “A tortura foi uma política de Estado durante a ditadura militar no Brasil. As torturas, os desaparecimentos e os assassinatos não foram um excesso por parte de alguns grupos do Estado.”

A comissão também investiga a origem dos fundos da Operação Bandeirantes, mais conhecida pela sigla Oban, uma força tarefa organizada em São Paulo, nos anos do regime militar, com a participação de agentes do Exército, da Polícia Civil e da Polícia Militar, para ações de repressão política. Embora utilizasse funcionários e instalações públicas, a operação contava com recursos originários de empresas.

A Oban foi a antecessora do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), que era vinculado diretamente ao comando do Exército e contava com a colaboração de policiais civis dedicados à repressão política, lotados no antigo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).

As relações entre a repressão e grupos empresariais foram abordadas no documentário Cidadão Boilesen, que focaliza o caso de Henning Boilesen. Dinamarquês naturalizado brasileiro, ele presidiu o grupo Ultra e é apontado como um dos financiadores da Oban, lembrada sobretudo pela violência de seus métodos. Em 1971, ele foi vítima de uma emboscada e morto por guerrilheiros.

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