Comissão Nacional vai apontar cadeia de comando no caso da morte de Rubens Paiva
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Comissão Nacional vai apontar cadeia de comando no caso da morte de Rubens Paiva

Roldão Arruda

07 de fevereiro de 2014 | 00h00

Mais documentos sobre o caso de Rubens Beyrodt Paiva, desaparecido desde 1971, serão divulgados nos próximos dias. Devem confirmar o nome do militar que teria sido responsável pela operação que resultou na tortura e morte do ex-deputado.

A divulgação será feita pela Comissão Nacional da Verdade. Sua preocupação é apontar a cadeia de comando das operações que envolvem esse e outros casos de graves violações de direitos humanos.

No dia 20 de janeiro de 1971, o ex-deputado foi preso em sua casa, sob a acusação de manter correspondência com exilados políticos. Segundos os militares da Aeronáutica que foram buscá-lo, sem mandado, sem identificação, seria apenas para prestar depoimento.

Paiva nunca mais foi visto e figura desde então na lista de mortos e desaparecidos. Em 1986, o médico Amílcar Lobo, ex-tenente do Exército que atendia torturados no Destacamento de Operações de Informações do 1.º Exército, disse que o viu em estado crítico, nas dependências daquela instituição. Mais tarde surgiram documentos comprovando que ele passou por lá.

A versão oficial divulgada na época, porém, foi outra. Os militares disseram que, ao ser levado para fazer o reconhecimento de um aparelho clandestino, Paiva teria sido sequestrado por companheiros terroristas.

Essa foi a versão apresentada à imprensa na época. No livro Segredo de Estado, O Desaparecimento de Rubens Paiva, o jornalista Jason Tércio fez uma lista das manchetes dos jornais do Rio logo após o suposto sequestro.

No dia 23 de janeiro de 1971, um sábado, o principal título da primeira página de O Globo dizia: Terror Liberta Subversivo de Um Carro dos Federais. No Jornal do Brasil o título foi: Terroristas Metralham Automóvel da Polícia e Resgatam Subversivo. A Tribuna da Imprensa registrou: Terror Resgatou Preso em Operação-Comando.

Nesta quinta-feira, 6, o Jornal Nacional, da TV Globo, divulgou importante depoimento sobre o caso, feito pelo coronel da reserva Raimundo Ronaldo Campos. Ao depor perante a Comissão Estadual da Verdade do Rio, ele admitiu que participou da armação da farsa do sequestro.

 Ainda capitão naquela época, ele e mais dois companheiros metralharam e atearam fogo no carro, atribuindo o atentado a terroristas. Campos disse que obedecia ordens de seus superiores e que sabia tratar-se de uma operação para ocultar a morte de um prisioneiro. O depoimento foi feito em novembro.

Acompanhe o blog pelo Twitter – @Roarruda 

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.