Comissão da Verdade de São Paulo quer ouvir Paulo Maluf
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Comissão da Verdade de São Paulo quer ouvir Paulo Maluf

Roldão Arruda

14 Maio 2013 | 20h12

A Comissão Municipal da Verdade de São Paulo quer ouvir o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP). Ele receberá nos próximos dias um convite para prestar esclarecimentos sobre o Cemitério Dom Bosco, no bairro de Perus, que foi usado para o sepultamento de pessoas mortas pelos serviços de repressão política, nos anos da ditadura militar – entre 1964 e 1985.

O autor do pedido de convite e presidente da comissão, vereador Gilberto Natalini (PV), disse que seu principal objetivo é obter informações sobre um projeto que previa a instalação de dois fornos crematórios naquele local, no ano 1969.

“Quando era prefeito biônico de São Paulo, Maluf e o diretor do Instituto Médico Legal, Harry Shibata, entraram em tratativas para a instalação desses crematórios”, explicou Natalini. “O projeto não foi adiante porque a empresa inglesa contratada para o serviço desistiu. Seus donos ficaram desconfiados ao constatar que projeto não havia reservado espaço para uma capela. Não seria possível, portanto, velar e encomendar os corpos.”

O vereador desconfia que o objetivo era usar o local para cremar corpos de indigentes, pessoas não identificadas e mortos pela repressão “Queriam um crematório ou um incinerador?”, pergunta.

Maluf não é obrigado a comparecer. A comissão paulistana não tem os mesmos poderes da Comissão Nacional da Verdade para convocar pessoas.

Ontem, por meio de sua assessoria de imprensa, o deputado, que faz parte da base aliada do governo, fez um comentário irônico sobre a decisão dos vereadores. Disse que também iria convidá-los para conhecer as obras que fez no município e no Estado. Seriam 14.525, pelas suas contas.

O deputado iniciou sua carreira política na Arena  – o partido que dava fachada legal à ditadura. Natalini se refere a ele como prefeito biônico, porque chegou à Prefeitura de São Paulo em 1969 por indicação dos militares. A expressão aplicava-se também a parlamentares que não eram eleitos por voto direto.

O médico Harry Shibata dirigiu o IML em um dos períodos mais duros da repressão e tem sido apontado como colaborador do regime militar. Ele assinou o atestado de óbito de Vladimir Herzog, apontando como causa da morte o suicídio. Mais tarde o Estado brasileiro reconheceu que o jornalista morreu sob tortura e, recentemente, a Justiça determinou que o atestado fosse modificado.

O cemitério de Perus tem sido alvo de atenções de familiares de mortos e desaparecidos desde a década de 1970.

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