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Comissão da Verdade convoca coronel para depor sobre “Operação Limpeza”

Roldão Arruda

24 de março de 2014 | 15h27

A Comissão Nacional da Verdade convocou o coronel reformado Paulo Malhães, de 76 anos, para depor durante uma audiência pública que será realizada nesta terça-feira (25), no Rio. Em depoimento prestado voluntariamente à Comissão Estadual da Verdade do Rio, dias atrás, o coronel revelou que foi o comandante da chamada Operação Limpeza, que, na década de 1970, tinha a tarefa de desaparecer com os corpos de militantes políticos mortos sob tortura. Suas atividades também teriam se estendido à região onde ocorreu a Guerrilha do Araguaia.

Até o início da tarde desta segunda-feira (24), o coronel não haviam confirmado seu comparecimento à audiência pública.

A Comissão Nacional tem poder legal para convocar pessoas para depor. Se o coronel não comparecer e não apresentar um motivo, estará sujeito a condução coercitiva. Ele também poderá responder pelo crime de desobediência.

A audiência pública será realizada em conjunto pela Comissão Nacional e a Comissão Estadual do Rio. O foco do evento será a chamada Casa da Morte, em Petrópolis. Funcionando de maneira clandestina e a serviço dos aparelhos de informação e repressão das Forças Armadas, a casa tem sido apontada como o principal centro de tortura e desaparecimento de presos políticos entre 1971 e 1973.

Malhães atuava no Centro de Informação de Exército (CIE). Foi, segundo apurou a Comissão Estadual, um dos responsáveis pela montagem e funcionamento da Casa da Morte. Também atuou em São Paulo e na região sul do Pará.

Segundo seu relato, receosas de que os corpos de militantes políticos fossem localizados e identificados, as autoridades militares montaram a Operação Limpeza. A missão de seus integrantes era desenterrar os corpos e jogá-los em rios. Em alguns casos, foram arrancadas as arcadas dentárias e cortados as pontas dos dedos das mãos, para impedir a identificação. Na época ainda não eram utilizados os exames de DNA.

Os corpos eram postos em sacos impermeáveis e com pedras de peso calculado, para impedir que afundassem completamente ou flutuassem. 

O objetivo era criar condições para que o corpo fosse arrastado pelo rio. “Podem escavar o Brasil todo, mas não vão achar ninguém, porque nós desaparecemos com todo mundo”, disse Malhães à Comissão Estadual.

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