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Brigadeiro diz que não sabia de torturas na Base Aérea do Galeão

Segundo relatos de ex-presos políticos, ex-deputado Rubens Paiva e o militante político Stuart Angel foram torturados naquela base

Roldão Arruda

30 de julho de 2014 | 18h53

A Base Aérea do Galeão, no Rio, abrigou um importante centro de repressão e tortura de prisioneiros políticos nos anos da ditadura militar. Relatos de sobreviventes daquele período são claros na identificação do local e no detalhamento das atividades do Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa) – nome dado ao serviço de inteligência e repressão daquela força. Pelos porões da base passaram, entre outros, os ex-deputados Rubens Paiva e o militante de esquerda Stuart Angel, desaparecidos desde 1971. Os dois foram torturados naquele local, segundo relatos de ex-presos.

Os comandantes daquela unidade militar, porém, garantem que desconheciam essas ações. Ontem, ao depor perante a Comissão Nacional da Verdade, no Rio, os brigadeiros reformados Jorge José de Carvalho e Antonio da Motta Paes Junior, que comandaram a Base Aérea do Galeão entre 1971 e 1974 disseram que exerciam apenas atividades operacionais e que não tinham ligações com o pessoal do Cisa.

Diante do jurista José Carlos Dias, um dos integrantes da Comissão Nacional, Carvalho disse não saber se Stuart Angel passou por alguma das dependências da área sob seu comando. “O que era crime político era Cisa”, afirmou.

Ao final do depoimento, o jurista comentou: “O brigadeiro pode até ignorar os fatos, mas tudo isso aconteceu no porão da casa dele.”

Paes Júnior, ao falar para o coordenador da Comissão, advogado Pedro Dallari, seguiu a mesma linha: reconheceu a presença do pessoal da área de informação e segurança no Galeão, mas garantiu que não tinha ligações com o trabalho que realizavam. Disse ter recebido “instruções superiores” para não intervir.

Outro comandante daquela que deveria depor nesta quarta-feira, 30, não compareceu perante a comissão. Alegou motivos de saúde.

 

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