Cientistas e sindicalistas pedem a Dilma para vetar texto do Código Florestal
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Cientistas e sindicalistas pedem a Dilma para vetar texto do Código Florestal

Roldão Arruda

11 de outubro de 2012 | 18h18

Cientistas, sindicalistas e sem-terra encaminharam cartas à presidente da República, Dilma Rousseff, pedindo que vete a medida provisória que trata do Código Florestal. Na quarta-feira, 10, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências entregaram no Planalto um documento assinado em conjunto, no qual afirmam que a MP 571/2012, com o texto aprovado recentemente no Congresso, representa “mais retrocessos e riscos para o País”.

Hoje, 11 de outubro, Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), o Movimento dos Sem Terra (MST) e outras organizações ligadas à questão agrária também divulgaram carta  encaminhada à presidente, pedindo que não homologue a MP. “Da forma como está, o texto protege os latifundiários grileiros e especuladores, que nada produzem sobre a terra”, diz o o documento.

Nas duas cartas é criticada a alteração do texto anterior da MP que permitiu estender a grandes propriedades benefícios que haviam sido concedidos apenas aos pequenos. “Se não bastasse a redução da área a ser recuperada em beiras de rios, o agronegócio também se valeu do benefício concedido aos pequenos produtores de poderem recuperar as áreas com até 50% de espécies frutíferas exóticas e expandiu essa possibilidade para as médias e grandes propriedades. Ou seja, onde deveria haver matas, haverá monocultivos com apelação econômica, ou seja, ao invés dos grandes proprietários de terra serem obrigados a recuperarem o que destruíram, serão beneficiados e certamente voltarão a agredir os remanescentes que sobraram”, diz a carta encaminhada pela CUT.

A carta dos cientistas, que é mais longa e detalhada que a dos trabalhadores, termina da seguinte maneira: “Senhora Presidenta, se queremos um futuro sustentável para o País, se queremos promover o desenvolvimento do Brasil, se queremos que a agricultura brasileira perdure ao longo do tempo com grande produtividade, que minimizemos os efeitos das mudanças climáticas, que mantenhamos nosso estoque de água, essencial para a vida e para a agricultura, que protejamos a rica biodiversidade brasileira, temos que proteger nossas florestas. Portanto solicitamos que a Presidência da República e o governo federal atuem, no que estiver a seu alcance, para que a MP 571/ 2012, aprovada pelo Senado Federal, não se concretize.”

De maneiras diferentes, as duas cartas pedem à presidente para que não se torne refém da bancada ruralista. “Acreditamos firmemente que a decisão da mandatária maior do País deve transcender os interesses de grupos e responder aos interesses maiores da nação”, diz a SBPC. “Tendo sob seu domínio a grande maioria do Congresso Nacional, por meio da poderosa bancada ruralista, o agronegócio transformou a legislação ambiental em legislação agrícola, voltada para garantir interesses próprios e de grandes proprietários de terra”, bate a CUT.

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