Chamar o oponente de nazista e fascista pode causar impacto, mas desrespeita o eleitor
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Chamar o oponente de nazista e fascista pode causar impacto, mas desrespeita o eleitor

Roldão Arruda

20 de julho de 2012 | 23h15

Política eleitoral é retórica. Usar adjetivos fortes para desqualificar o oponente, mobilizar corações e mentes e mostrar que está do lado do bem, faz parte do jogo. Mas é possível fazer isso sem exageros, como os que se verificaram nesta semana em mais um confronto entre petistas e tucanos. Alguém aí acredita, sinceramente, que o PSDB é um partido fascista? Ou que os militantes do PT defendam ideias nazistas? No sentido estrito?

Ao comentar, a pedido do Estado, as trocas de acusações entre os dois partidos, a historiadora Maria Aparecida de Aquino, professora da USP e estudiosa de regimes autoritários, observou o seguinte: “Além de historicamente datadas, fascista e nazista são expressões extremamente fortes, que se referem à total supressão das liberdades do indivíduo, o domínio absoluto. A filósofa Hannah Arendt disse que o nazismo impede o indivíduo de se relacionar com os outros e até com ele mesmo. Ele se despersonaliza.”

Para a historiadora, não há nada no atual cenário político brasileiro que se aproxime das expressões fascista e nazista. “É extremamente temerário e abusivo que o partido – seja o PSDB, o PT, o PMDB, qualquer um – utilize tais expressões. Quem faz isso extrapola, comete um erro brutal.”

Toda ameaça à liberdade de expressão e todo autoritarismo devem ser sempre denunciados, segundo Maria Aparecida. É possível fazer isto, porém, sem atropelar a história nem desrespeitar os eleitores.

O cientista político Rubens Figueiredo também comentou a troca de farpas entre PT e PSDB. “Eles usam as expressões fascista e nazista mais pelo impacto que elas causam do que pela associação com o conceito. Fascistas e nazistas pregavam factóides, pregavam a solução final. Depois que assumiram o poder não houve mais eleições, contraditório, possibilidade de opinião divergente. Nao é o caso do Brasil, onde temos eleições e debates”, afirmou.

Figueiredo acredita que os políticos exageram quando querem denunciar algo que cerceia a liberdade do outro. “Deveriam falar de maneira clara em cerceamento da liberdade, sem falsear conceitos.”

Governos fascistas, sem possibilidade de contraditório, segundo o cientista, sobrevivem no Irã, na Coréia do Norte, na Venezuela…

 

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