‘Candidatos são omissos sobre aids’, afirma diretor de ONG
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‘Candidatos são omissos sobre aids’, afirma diretor de ONG

A Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia) encaminhou aos candidatos à Presidência da República perguntas sobre políticas de combate à epidemia de aids. Só Aécio Neves respondeu

Roldão Arruda

26 de setembro de 2014 | 00h36

O Brasil registrou um preocupante aumento de 11% na taxa de infecções pelo vírus HIV no período de 2005 a 2013, segundo relatório divulgado recentemente pela Organização das Nações Unidas (ONU/Unaids). Essa foi uma das razões que levaram a Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia) a encaminhar a cada candidato à Presidência da República uma indagação sobre propostas de ações para conter a epidemia. Só receberam resposta de Aécio Neves, candidato pelo PSDB.

O silêncio dos outros foi considerado espantoso pelo diretor da ONG, o antropólogo Richard Parker. Para ele trata-se de uma grave omissão, considerando a gravidade da epidemia de aids no País.

O que levou a Abia a encaminhar a pergunta aos candidatos à Presidência?

A aids é a questão de saúde que mais dominou os debates sobre saúde pública nos últimos 25 anos. É o setor no qual mais tem sido gasto dinheiro, onde se elaboraram mais políticas públicas. Não há dúvida de que foi o grande motor do aumento dos gastos neste período. Trata-se, portanto, de uma questão para ser debatida publicamente, mas que não está aparecendo nos debates eleitorais.

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Qual foi a reação dos candidatos?

Só tivemos retorno da campanha do Aécio Neves. Dilma Rousseff, Marina Silva e Pastor Everaldo não responderam. Nem o Eduardo Jorge e a Luciana Genro, que, eu achei, seriam os candidatos com mais coisas a dizer sobre o tema. Fiquei surpreso nesses casos. Em relação à Dilma eu já esperava algo mais ou menos assim.

Por que?

O governo dela fugiu do enfrentamento da questão, como tem sido denunciado de maneira sistemática pelos movimentos sociais. Um exemplo disso foram as campanhas de saúde que não aconteceram. A campanha contra a homofobia nas escolas foi censurada, a campanha de prevenção de aids voltada para homens que fazem sexo com homens também não saiu, assim como a campanha destinada à prostitutas. Foi uma coisa atrás da outra, ano após ano. Não nos surpreendemos quando a ONU anunciou recentemente que a epidemia está crescendo no Brasil, principalmente entre jovens gays, homens que fazem sexo com homens e pessoas trans. A falta de uma resposta da campanha da Dilma é consistente com a maneira como o governo dela tratou a aids.

E quanto à segunda colocada nas pesquisas, Marina Silva?

Não sei se não respondeu porque a campanha dela não se preocupa com o assunto. Não sei se está evitando polêmica depois daquela questão das políticas LGBT que ela anunciou e depois retirou do programa. Não sei se foi a preocupação com a bancada evangélica e com o voto evangélico, repetindo o que acontece com a Dilma. Seja qual for o motivo, o silêncio impressiona, porque, como já disse, se trata de um dos principais assuntos de saúde pública no Brasil e no mundo.

O programa dela aborda a questão LGBT.

O programa da Marina não menciona aids nem HIV em nenhum momento. Fiz uma procura no documento e encontrei muita coisa sobre cidadania, mas nada sobre a aids.

Você acha que os setores mais conservadores estão conquistando mais espaço?

Os movimentos sociais vem denunciando há alguns anos uma onda de conservadorismo, vinculada ao avanço de grupos religiosos conservadores. Isso tem tido um impacto grande nas políticas públicas. No governo federal, nos Estados e municípios verifica-se um claro retrocesso, um medo de políticos e administradores de enfrentarem a questão. Isso deixa claro que a sociedade brasileira deve se mobilizar urgentemente para exigir uma resposta efetiva à epidemia.

O que candidato do PSDB respondeu foi satisfatório para a Abia?

A resposta mostra uma certa seriedade na maneira como sua campanha aborda a questão. O fato de se posicionar já é um reconhecimento da seriedade da epidemia. É coerente com os governos do PSDB. No governo de Fernando Henrique Cardoso a aids teve um enfrentamento razoável. Nesse sentido, a campanha do Aécio marcou pontos.

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A informação sobre os candidatos e a pergunta da Abia está na última edição do boletim informativo da entidade.  O boletim também contém a íntegra da resposta enviada pelo comitê de campanha de Aécio, que foi resumida da seguinte maneira:

Irá promover a retomada da prioridade para a manutenção do Programa HIV/AIDS por meio da Rede Brasil Prevenção e Tratamento das DST/AIDS e Hepatites Virais (Rede). A Rede será estruturada, segundo o texto enviado à Abia, “a partir de três frentes de ação: qualificar o atendimento realizado pela atenção básica dos municípios, criar ou fortalecer os Serviços de Atenção Especializada em HIV/AIDS, DST e hepatites virais e organizar a atenção hospitalar”.

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