Bispo quer mudança de nome da Rodovia Castelo Branco
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Bispo quer mudança de nome da Rodovia Castelo Branco

Roldão Arruda

15 Março 2013 | 23h23

Durante missa celebrada ontem na Catedral da Sé, o bispo emérito Angélico Bernardino Sândalo sugeriu a mudança do nome da Rodovia Castelo Branco (SP-280), que liga São Paulo à região oeste do Estado. Para o bispo, em vez de continuar ostentando o nome do primeiro presidente da ditadura imposta ao País pelo golpe militar de 1964, ela deveria passar a se chamar Alexandre Vannuchi Leme.

A proposta foi bastante aplaudida pelos participantes da missa, celebrada para lembrar os 40 anos da morte de Alexandre. Estudante do curso de geologia da Universidade de São Paulo (USP) e militante da Aliança Libertadora Nacional (ALN), ele foi morto no dia 17 de março de 1973, aos 22 anos, quando se encontrava detido no Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), do 2.º Exército, em São Paulo. Segundo depoimentos de presos, foi morto sob tortura.

Para o bispo, a troca de nomes não precisaria ocorrer em toda a rodovia. “Não vou pedir muito”, disse. “A mudança poderia ser a partir de Sorocaba. No Brasil é comum uma rodovia ter mais de um nome.”

Sorocaba, localizada a 100 km de São Paulo, é a cidade natal de Alexandre. Seus pais e irmãos ainda moram lá.

Entre os presentes à missa estavam a ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário; o prefeito paulistano, Fernando Haddad; o secretário municipal de Direitos Humanos, Rogério Sotilli; e o presidente da Comissão Estadual da Verdade, deputado Adriano Diogo (PT). A Comissão Nacional da Verdade foi representada por Maria Rita Kehl.

D. Angélico atuou na Região Episcopal de São Miguel, na Zona Leste, e foi convidado por causa de seu envolvimento com questões sociais. A lembrança de seu nome também se deve ao fato de ter sido um dos concelebrantes da histórica missa realizada em 30 de março de 1973 em homenagem a Alexandre. Na época ainda não havia sido nomeado bispo.

Num dos períodos mais duros da ditadura, a missa foi um dos primeiros atos públicos de repúdio à tortura.

A missa, iniciada às 18 horas, foi a segunda homenagem do dia a Vannuchi. No início da tarde, no Instituto de Geoências, da USP, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça havia aceito publicamente o pedido de anistia feito pela família do estudante. Também foi apresentado na ocasião o pedido oficial de desculpas do Estado brasileiro pela morte.

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