Bala de prata contra Russomanno virá da guerra santa?
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Bala de prata contra Russomanno virá da guerra santa?

Roldão Arruda

29 de setembro de 2012 | 00h31

O candidato do PRB,  o ex-deputado federal Celso Russomanno, perdeu alguns pontos nas intenções de voto do eleitorado, segundo recente pesquisa do Datafolha. Apesar disso, segue na liderança da campanha para a Prefeitura de São Paulo. De acordo com o Ibope, a intenção de voto nele se mantém “homogênea e consistente”.

Essa consistência estimula a imaginação dos adversários, que procuram um fator desestabilizador, uma bala de prata capaz de deter a trajetória do dublê de político e apresentador de TV.

As tentativas já feitas não funcionaram. Uma delas foi chamar a atenção para velhos vídeos disponíveis no Youtube, nos quais o líder das pesquisas entrevista musas carnavalescas para um programa de colunismo social. Num deles, toca o seio da entrevistada; em outro, sugere que o tapa sexo poderia ser menor; e segue por aí.

Nas sociedade patriarcais esse tipo de ataque nem sempre funciona. No caso de Russomanno, já foi até aplaudido por eleitores pela sua, digamos, desinibida performance.

Também não tiveram efeito denúncias de que nem sempre teria agido de maneira correta em suas atividades políticas e empresariais. Nem os apelidos de Menino Malufinho e aventureiro.

Até agora, o que mais preocupou os articuladores de sua campanha ocorreu na área religiosa. Foi quando o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, resolveu responder a uma mensagem com ataques à Igreja Católica, postada na internet pelo presidente do PRB, o bispo evangélico Marcos Pereira, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus.

A manifestação do cardeal foi tão forte e inesperada, uma vez que a mensagem já estava no ar há dezesseis meses, que a luz vermelha acendeu no comando da campanha. Toda a habilidade política do grupo foi mobilizada e decidiu-se, acertadamente, que não haveria bate-boca.

O candidato não foi ao debate promovido pela Arquidiocese para não se expor desnecessariamente e, logo em seguida, se submeteu a um encontro com o arcebispo, dentro das condições impostas por ele, numa espécie de beija-mão, reafirmando sua identidade católica apostólica romana. Paralelamente, o post de Pereira foi retirado da internet e a aguerrida Universal silenciou.

O temor que parece subjacente a essa operação abafa é de que resistência contra Russomanno verificada em alguns redutos católicos mais organizados, especialmente os carismáticos, se alastre por toda a comunidade católica. Quem conhece a história política recente sabe que não é um temor infundado. Existem pelo menos dois bons motivos para existir.

O primeiro é o episódio conhecido como chute na santa, ocorrido em 12 de outubro de 1995. Naquele dia, um pastor da Universal, no programa Despertar da Fé, transmitido pela Record, xingou e chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, na tentativa de mostrar que se tratava de um ídolo de barro. Sua ação, retransmitida pelo Jornal Nacional, provocou uma onda nacional de indignação e o afastamento do pastor. O temor agora, provavelmente, foi o de uma reação semelhante, caso houvesse confronto.

O segundo motivo ocorreu em 2010. Sabe-se que Dilma Rousseff (PT) poderia ter vencido a eleição presidencial no primeiro turno, se a campanha não tivesse sido desestabilizada por uma onda de ataques, na qual era acusada de defender o aborto.

É diante desse cenário, em que fatores religiosos e morais mostram ter tanto peso, que Russomanno (e não só ele) parece temer tanto uma bala de prata disparada desse campo. Não foi por acaso que o líder nas pesquisas decidiu reduzir o corpo a corpo com eleitores após uma senhora, que não se identificou, tê-lo acusado de atacar a Igreja Católica. O candidato não quer marolas. Especialmente as santas.

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