Avanços contra aids só foram possíveis graças aos ativistas, afirma o presidente do Banco Mundial
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Avanços contra aids só foram possíveis graças aos ativistas, afirma o presidente do Banco Mundial

Roldão Arruda

23 de julho de 2012 | 21h47

No discurso de abertura da Conferência Internacional de Aids, em Washington, o presidente do Banco Mundial fez um vigoroso elogio aos ativistas que há trinta anos lutam contra a doença e, ao mesmo tempo, contra o preconceito, a falta de solidariedade e a injustiça. Se hoje é possível falar em controle da epidemia e vislumbrar o seu fim, disse o senhor Jim Yong Kim, isso deve-se fundamentalmente às ações desses ativistas.

“Estivemos virando a maré da aids, passo a passo, dolorosamente, durante trinta anos”, afirmou. “E praticamente a cada passo foram os ativistas e suas comunidades que comandaram essa caminhada”.

A parte inicial do discurso, no domingo, 22, tratou apenas dos ativistas. Segundo o presidente do Banco Mundial, todos os métodos utilizados na área de prevenção surgiram virtualmente desses grupos. Também foram eles, afirmou, que recomendaram desde início práticas de sexo seguro e promoveram o uso de preservativos e a troca de agulhas.

O executivo recordou a história dos grupos que exigiram nas ruas e nos debates públicos mais investimentos no desenvolvimento de novas drogas contra a doença e mudanças nos regulamentos de pesquisas. Eles conseguiram encurtar pela metade, no hemisfério norte, o tempo que se exigia para que novos remédios fossem colocados à disposição dos pacientes.

Para quem não lembra, embora fosse uma questão de urgência, porque milhares de pessoas morriam vítimadas pela doença, os governos, sob pressão de grupos conservadores e religiosos, relutavam muitas vezes em promover campanhas de prevenção, condições adequadas de tratamento, investimentos em pesquisas.

“Foi o profundo entendimento de ativistas das comunidades mais afetadas pela aids que desencadeou um movimento para promover a saúde e a dignidade dos gays, dos profissionais do sexo e consumidores de drogas, que hoje alcança cada canto do planeta”, afirmou o presidente do Banco Mundial. “Foi um movimento que se consolidou na angústia, que tem sede de justiça, que se volta fundamentalmente para a liberação do poder da solidariedade humana.”

Ao destacar alguns grupos que, ao redor do mundo, se destacaram nessa luta, o presidente do Banco Mundial citou uma organização brasileira, o Grupo Pela Vidda, criado em 1989, no auge das manifestações de preconceito contra as vítimas da epidemia.

Nas partes seguintes do discurso, o orador falou sobre as ações que se desenvolvem hoje contra a epidemia, agravada pela pobreza em diversas partes do mundo. A íntegra do pronunciamento, em inglês, pode ser acessada no site do Banco Mundial.

Cópia para o Palácio do Planalto

Ao finalizar, o presidente do banco disse que o movimento contra a aids sinalizou valores que podem ser utilizados no desenvolvimento global, baseados na “solidariedade, coragem, respeito pela dignidade de todas as pessoas e uma persistente busca por justiça”.

Os ativistas brasileiros deveriam enviar cópias do discurso às autoridades de Brasília. Segundo o representante do Unaids no Brasil, Pedro Chequer, o governo da presidente Dilma Roussef têm caminhado para trás nas campanhas de prevenção da doença.

Acompanhe o blog pelo Twitter – @Roarruda

Nota do moderador: Comentários preconceituosos, racistas e homofóbicos, assim como manifestações de intolerância religiosa, xingamentos, ofensas entre leitores, contra o blogueiro e a publicação não serão reproduzidos. Não é permitido postar vídeos e links. Os textos devem ter relação com o tema do post. Não serão publicados textos escritos inteiramente em letras maiúsculas. Os comentários reproduzidos não refletem a linha editorial do blog

 

 

publicidade

publicidade