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Aumenta o poder de pressão das igrejas evangélicas

Roldão Arruda

08 de outubro de 2012 | 01h10

Ainda não se sabe ao certo qual o peso do voto evangélico nas eleições majoritárias. Sua força é cada vez mais evidente, contudo, no caso das proporcionais. Um novo exemplo disso acaba de ser dado na composição da Câmara Municipal de São Paulo, a maior cidade do País. A bancada evangélica passou de cinco para oito nomes.

Entre os eleitos pela primeira vez encontra-se o pastor Edemilson Chaves (PP). Apadrinhado pelo apóstolo Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, ele aparece em 16.º lugar na lista  dos mais votados, com 45.798 votos. Esse número não fica muito distante da previsão dele, repetida mais de uma vez para jornalistas, de que os fiéis lhe dariam 50 mil votos.

O pastor Jean Madeira, com 34.999 votos, ficou na 26.ª posição. Foi empurrado pelos votos da Igreja Universal do Reino de Deus, que, desde 1986, quando elegeu um deputado para a Assembleia Nacional Constituinte, vem conquistando cada vez mais terreno na área do legislativo em todo o País. A igreja controla atualmente a direção do PRB,  partido ao qual o pastor recém-eleito é filiado.

Imediatamente atrás dele na lista dos mais votados, aparece a psicóloga Patrícia Bezerra (PSDB), com 34.496 votos. É mulher do deputado estadual Carlos Bezerra (PSDB), filho do fundador e líder da Igreja Comunidade da Graça, pastor Carlos Alberto Bezerra.

Entre os evangélicos reeleitos destaca-se o cantor gospel David Soares (PSD), que recebeu 32.049 votos.  A porta do comitê da campanha dele, na Avenida São João, ficava a poucos metros da porta da sede da Igreja Internacional da Graça de Deus, liderada por seu pai, missionário R.R. Soares.

O missionário também empurrou, com sucesso,  a candidatura de outro filho, Daniel Soares (DEM), eleito para a Câmara de Guarulhos.

Os parlamentares evangélicos estão filiados aos mais diversos partidos. Nos parlamentos, sua atuação é marcada sobretudo pelo corporativismo, como observou o professor e pesquisador Leonildo Silveira Campos, no ensaio Os Políticos de Cristo, publicado no livro Os Votos de Deus. De acordo com o texto, eles “procuram se integrar em comissões-chave, por meio das quais possam interferir como grupo parlamentar de pressão, defendendo os interesses da Igreja”.

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