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Ato público pede comissão da verdade na USP

Roldão Arruda

07 de novembro de 2012 | 21h09

Cerca de 200 pessoas participaram hoje, 7, de um ato público para pedir a criação de uma comissão da verdade na Universidade de São Paulo (USP). Estava prevista para o evento a entrega à direção da instituição de um abaixo-assinado, com quase cinco mil assinaturas, endossando o pedido. A entrega não pôde ser realizada, porém, porque a reitoria não enviou representantes ao ato. Por telefone, os organizadores foram informados que serão recebidos no próximo dia 21 pelo secretário-geral da USP, professor Rubens Beçak.

Organizado pelo Fórum Aberto pela Democratização da USP, que reúne associações de professores, estudantes e funcionários, o ato foi realizado no auditório do Instituto de Oceanografia. Entre os presentes encontravam-se a filósofa e professora Marilena Chauí; o juiz Jorge Luiz Souto Maior, da Associação Juízes pela Democracia; o deputado Adriano Diogo, presidente da Comissão Estadual da Verdade, criada na Assembleia Legislativa; o professor Edson Telles, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos; e o procurador Sérgio Gardenghi Suiama, do Grupo Justiça de Transição, do Ministério Público Federal (MPF).

Da lista de aproximadamente 400 mortos e desaparecidos no período do regime militar  (1964-1985), um total de 47 tinham ligações com a USP, segundo informações obtidas pelos organizadores do evento. O objetivo da comissão seria analisar esses casos e outras possíveis violações de direitos humanos ocorridas na instituição, como cassações e aposentadorias compulsórias. O sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) faz parte da lista dos professores que foram obrigados a se afastar da USP.

“Há um movimento geral na sociedade brasileira no sentido de buscar a verdade sobre fatos ocorridos na ditadura”, observou Renan Quinalha, doutorando da USP e membro do Fórum Aberto. “A USP não pode ficar alheia a esse movimento.”

Segundo Quinalha, a coleta de assinaturas e o ato público foram os primeiros passos do movimento para a instalação da comissão.

Durante o ato, ao relembrar a violência da ditadura e a que se verifica hoje no País, a filósofa Marilena Chauí criticou a ideia de que a sociedade brasileira seria essencialmente cordial e pouco afeita à violência. Para ela, a história do País tem sido marcada por todo tipo de violência, com bases no racismo, no sexismo e na distinção de classes, entre outros fatores.

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