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Anos de chumbo: MPF e PF realizam busca em hospital do Exército

Procuradores obtiveram autorização judicial após denúncia de que funcionários teriam ocultado registros de pessoas mortas durante a ditadura. Numa das salas foi encontrado um dossiê sobre os integrantes da Comissão Nacional da Verdade

Roldão Arruda

14 de novembro de 2014 | 22h07

Procuradores do Ministério Público Federal (MPF), com o apoio da Polícia Federal, realizaram nesta sexta-feira, 14, uma busca no Hospital Central do Exército, em Benfica, bairro da zona norte do Rio. Autorizados por um mandado judicial, eles procuravam registros da passagem pelo hospital do engenheiro mecânico Raul Amaro Nin Ferreira.

O engenheiro, que era funcionário do Ministério da Indústria e Comércio, morreu no dia 12 de agosto de 1971, nas dependências daquela instituição, após ter sido torturado por agentes da polícia política.

De acordo com informações divulgadas pela assessoria de comunicação do MPF, há quatro meses os procuradores tentam obter o prontuário de Raul Amaro junto à direção do hospital. Recentemente, diante de informações de que servidores da instituição teriam ocultado parte dos documentos arquivados, eles recorreram à Justiça e obtiveram o mandado de busca e apreensão.

Os servidores, segundo as informações obtidas pelo MPF, ocultaram os documentos em setembro, pouco antes de uma visita de inspeção com integrantes das comissões Nacional e Estadual de Verdade. Na ocasião, nada foi encontrado sobre Raul Amaro.

Na busca realizada agora os procuradores também não encontraram o prontuário do engenheiro. Foram localizados, porém, numa sala da Seção de Informações, um dossiê com notícias e documentos referentes a Raul, e uma pasta com nomes e fotos dos integrantes das comissões Nacional e Estadual da Verdade.

Em uma sala trancada, num prédio anexo ao hospital, foram encontrados prontuários de outros pessoas, datados de 1940 a 1969 e de 1975 a 1983, segundo o MPF. No mesmo local os procuradores também encontraram sacos plásticos com fichas de pacientes atendidos durante o período ditatorial.

Os procuradores integram o Grupo de Trabalho Justiça de Transição. Ainda segundo a assessoria de comunicação, eles devem requisitar nas próximas horas a instauração de inquérito policial para apurar o crime de supressão de documento.

O diretor do hospital teria se declarado surpreso com a localização de registros antigos em local diverso daquele onde são arquivados os prontuários gerais.

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