Relatório confirma Mato Grosso do Sul como principal foco de conflitos indígenas
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Relatório confirma Mato Grosso do Sul como principal foco de conflitos indígenas

Roldão Arruda

21 de julho de 2014 | 19h07

Os problemas enfrentados pelos índios guarani-kaiowá do Mato Grosso do Sul parecem não ter fim. O Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – 2013, divulgado há pouco pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), torna a apontar aquele Estado como o principal foco de conflitos envolvendo indígenas em todo País.

Os indicadores são contundentes. Do total de 56 casos de suicídios entre índios ocorridos no ano passado, 50 ocorreram em Mato Grosso do Sul, no meio dos guarani-kaiowá. Também foram registrados ali 33 dos 53 casos de assassinatos de índios e 16 das 29 tentativas de assassinato.

Segundo o Cimi, o aumento da tensão está ligado a três fatores. Um deles é o fato de estarem concentrados no Mato Grosso do Sul “vultosos interesses econômicos do agronegócio, em função das grandes extensões de plantio de soja, milho e cana-de-açúcar, além da pecuária”.

O outro é a situação de confinamento a territorial a que estariam submetidos os guarani-kaiowá. Um exemplo disso encontra-se na Reserva Indígena de Dourados. Situada no perímetro urbano da cidade, ela concentra 13 mil pessoas numa área de 3,6 hectares de terra. Trata-se da maior concentração populacional entre povos tradicionais, segundo o Cimi. O texto do relatório afirma que isso impossibilita “plantar, fazer rituais, pescar, educar filhos e socializar jovens”; e explica em grande parte o elevado número de suicídios.

O terceiro fator está ligado ao governo federal, que paralisou os processos de demarcação de terras. Segundo o Cimi, isso estaria estimulando a violência contra os indígenas.

Em relação aos suicídios, o Cimi apurou que ocorreram 684 casos entre 2000 e 2013. Na maioria das vezes, a pessoa envolvida é jovem (13 a 21 anos), pertence ao sexo masculino e recorre ao enforcamento.

 

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