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Na propaganda, diferenças entre Haddad e Russomano

Roldão Arruda

05 de setembro de 2012 | 18h43

A qualidade técnica do programa de Fernando Haddad (PT) no horário eleitoral chama a atenção. Não há como não se impressionar com o uso de recursos gráficos, grandes planos, tomadas aéreas, tudo num ritmo estonteante, que não poupa nem o candidato. Ele parece andando, olhando a cidade do alto, como um grande planejador, o arquiteto final. Tenta-se de todas as maneiras solidificar a imagem de candidato que combina juventude, energia e criatividade.

Apesar da grandiosidade, porém, a sensação final é de que ainda falta alguma coisa ao programa. Talvez calor humano? Maior proximidade com o cidadão paulistano?

Por outro lado, o programa de Celso Russomano (PRB), o líder nas pesquisas, é de uma pobreza franciscana. Ali não se cria nada. O candidato passeia sem pressa entre o eleitorado, coloca a mão no ombro das pessoas e ouve, com aquele ar paternal, patriarcal, quase pastoral, na linha do “fala que eu te escuto”, o que elas têm a dizer. Dá a impressão de que vai sair dali e pegar um telefone e resolver tudo e depois perguntar se foi bom para as duas partes.

Parece absurdo que isso funcione? Mais absurdo é ter que admitir a existência, numa cidade tão rica, de tanta gente que, por insegurança, carência, anonimato, exclusão, baixo nível de educação, falta de meios de integração social, ainda permaneça tão vulnerável à ideia de um salvador da pátria que irá, sozinho, resgatá-las do vale de lágrimas.

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