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66% dos paulistanos aprovavam governo deposto de Goulart

Roldão Arruda

12 de março de 2014 | 21h02

Um pouco antes do golpe militar que depôs o presidente João Goulart, no dia 1.º de abril de 1964, o Ibope realizou uma pesquisa em São Paulo para saber o que os moradores da maior cidade do País achavam do governo. Foram entrevistadas 500 pessoas. O governo foi considerado ótimo por 7% delas, bom por 29% e regular por 30%. Foi apontado como mau por 7% e péssimo por 12%. Outros 9% não souberam responder. No conjunto, portanto, 66% dos paulistanos aprovavam o governo.

A pesquisa foi encomendada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo e aconteceu entre os dias 20 e 30 de março. Hoje faz parte do acervo que o Ibope (sigla para Instituto Brasileiro de Opinião Pública) doou, em 1989, ao Arquivo Edgard Leunroth, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Os dados daquele levantamento são conhecidos. Foram publicados em reportagem do Jornal da Unicamp, na edição de 27 de fevereiro de 2003. Vale relembrá-los, no entanto, no conjunto dos debates sobre os 50 anos do golpe. Segundo o texto do jornalista Luiz Sugimoto, a pesquisa,  “aparentemente, visava perscrutar junto à população o impacto de uma derrubada do governo”.

Os pesquisadores do Ibope também verificaram que a maioria dos entrevistados (80%) tinha conhecimento dos debates e ações do governo relacionadas à encampação de refinarias de petróleo, desapropriação de terras e tabelamento dos aluguéis. No conjunto, 64% dos paulistanos eram favoráveis a essas medidas.

Ao mesmo tempo, porém, 80% eram contra a legalização do Partido Comunista Brasileiro (PCB), 57% viam o comunismo aumentando no país, 32% temiam o regime comunista como um perigo imediato, 36% como um perigo futuro. Para 19% o comunismo não era um perigo.

Outro detalhe da pesquisa: apesar das afirmações da oposição a Goulart de que ele estaria estaria articulando um golpe para se manter no poder, os paulistanos não acreditavam nisso. 45% estavam certos de que ele iria realizar eleições normalmente em 1965 e 22% desconfiavam que pretendia mudar a Constituição para se reeleger. Os que achavam que preparava um golpe somavam 12%.

O favorito nas eleições presidenciais, segundo os entrevistados, era Juscelino Kubitschek, cassado pelos militares logo após o golpe. Em outras pesquisas, o Ibope verificou que o ex-presidente também era favorito em Belo Horizonte, Porto Alegre, Fortaleza, Recife, Salvador e Curitiba.

Apesar de sua aprovação, Goulart não se reelegeria em São Paulo, se pudesse lançar candidatura: 52% dos entrevistados disseram que não votariam nele; e 40% responderam que sim.

Para ler a íntegra da reportagem do Jornal da Unicamp, com resultado dessa e de outras pesquisas feitas pelo Ibope naquele ano de 1964, clique aqui.

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