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Votação do mínimo: Planalto acompanha trabalhos na Câmara

Ricardo Chapola

16 de fevereiro de 2011 | 18h19

Tânia Monteiro e Leonencio Nossa

BRASÍLIA – O Palácio do Planalto está acompanhando atentamente o desenrolar da votação do projeto de lei que define o valor do salário mínimo na Câmara. Hoje pela manhã, os ministros Antonio Palocci (Casa Civil), Luiz Sérgio (da Secretaria de Relações Institucionais), e Gilberto Carvalho (da Secretaria-Geral), que foi incumbido de negociar com as centrais sindicais, se reuniram para uma avaliação da situação pré-votação. Paralelamente, o vice-presidente Michel Temer foi ao Congresso, ajudar nas negociações com os peemedebistas.

A presidente Dilma Rousseff não participou da reunião, mas foi informada pelo ministro Palocci das avaliações feitas pelo governo. No momento da reunião de balanço da votação, Dilma compareceu à cerimônia de lançamento do PAC da mobilidade urbana, embora não estivesse em sua agenda, no segundo andar do Planalto.

A contagem feita pelo Planalto é de que o governo vai obter pelo menos 320 votos favoráveis ao projeto, podendo chegar perto dos 330. Embora não haja preocupação com uma possível derrota, não foi bem recebida, pela presidente Dilma Rousseff, no Planalto, a notícia da liberação da bancada por parte do PDT. A sinalização é de que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, poderá pagar caro por isso, caso o número de votos da bancada pedetista contra os R$ 545 seja muito alto. A decisão da bancada foi mal recebida no Planalto, que considera que Lupi tinha de ter brigado mais para deixar o governo em uma situação mais confortável.

Na avaliação dos ministros da Casa, apesar das dissidências que poderão ocorrer pelo fato de o PDT ter liberado sua bancada e por causa dos tradicionais insatisfeitos do PMDB, ou dos petistas que se julgam impedidos em apoiar um mínimo abaixo das expectativas das centrais sindicais, o governo está certo que o valor de R$ 545 está assegurado e será aprovado na Câmara hoje. Embora conte com cerca de 320 votos, o piso mínimo de votos que o governo obterá, na avaliação do Palácio, é de 300 votos.

Dependendo do número de dissidências que forem registradas em relação ao R$ 545 do novo salário mínimo, o entendimento no Planalto, até a tarde de hoje, é que alguma atitude terá de ser tomada em relação ao partido e aos “traidores”, para que “sirva de exemplo”. O governo não quer ter de ficar negociando a cada votação com os partidos da base e vai exigir cumprimento da fidelidade ao Planalto. Mas a atitude da presidente Dilma em relação aos dissidentes vai depender do tamanho do estrago que esses rebeldes fizerem na base governista. No Palácio, estima-se que possa chegar a 75 o número de votos dos dissidentes.

A presidente Dilma está em audiência no Planalto, mas sendo avisada sobre os passos da votação no Congresso. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), está em contato permanente com o palácio.

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