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Votação do mínimo: Lula lembra ter sido ‘difícil’ aprovar aumento menor do que gostaria em 2004

Ricardo Chapola

16 de fevereiro de 2011 | 19h36

Luciana Nunes Leal

RIO – No dia da votação no Congresso do reajuste do salário mínimo para R$ 545, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou, em conversas no Rio de Janeiro, como foi “difícil” para ele, em 2004, conceder um aumento menor do que gostaria. Lula também disse que, em 2003, primeiro ano de governo, fez um ajuste fiscal “tão forte quanto o de agora”.

Os comentários do ex-presidente foram feitos durante reunião com o presidente do IBGE, Eduardo Nunes, e com o economista Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Vargas, especializado em estudos sobre a pobreza. Segundo assessores, Lula tem se dedicado a ouvir análises sobre a conjuntura nacional e internacional, ao mesmo tempo que define a estrutura e as funções do futuro Instituto Luiz Inácio Lula da Silva, que vai dirigir.

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Hospedado no Sofitel, um dos mais sofisticados hotéis do Rio, Lula recebeu Chico Buarque

Na primeira viagem ao Rio desde que deixou o poder, Lula repetiu pelo menos um hábito dos tempos da presidência. Ele se hospedou no Hotel Sofitel, na Praia de Copacabana, um dos mais sofisticados da cidade, com diárias que vão de R$ 2.785 a R$ 9.347,50, preço da suíte imperial. A gerência não informou se Lula hospedou-se na suíte que costumava frequentar, a presidencial, de R$ 4.432,50 de diária.

No fim da tarde, Lula recebeu a visita do cantor e compositor Chico Buarque, e estava previsto para a noite um jantar com o governador Sérgio Cabral (PMDB). Lula chegou ao hotel no início da tarde e, bem humorado, disse que não tem sido fácil “desencarnar” do papel de presidente. “Primeiro eu tenho que desencarnar. É difícil. Quando o governante sai da presidência com o povo escrevendo faixa na rua `fora fulano, fora beltrano’, ele esquece logo. Mas quando você sai com 90% (de aprovação), é muito difícil porque a população ainda tem muito presente, faz pouco tempo ainda”.

Na conversa com Eduardo Nunes e Marcelo Néri, o ex-presidente repetiu que tem intenção de montar um memorial que reúna informações sobre as lutas sociais. Questionado sobre o instituto que vai fundar em breve, Lula disse que ainda não tem o modelo definido. “Estou tranquilo. Vou tomar muito cuidado para não dar nenhum passo errado, para fazer as coisas bem feitas. Tenho todo tempo da vida pela frente. Mas de política só (vou comentar) depois do carnaval, quando eu sair da minha quarentena”.

O petista disse ter vontade de passar o carnaval no Rio, mas que tudo dependerá do estado de saúde de seu vice, José Alencar, que tem câncer e voltou a ser internado na semana passada. “Se você olhar o Zé Alencar fisicamente e a vontade que ele tem de conversar, se fizer um comício ele vai. Mas sei que não é fácil o que ele teve, perfurou o intestino, é grave. A gente está torcendo, eu sou um cristão que tem muita fé. Vamos ver se Deus ajuda nisso”, declarou Lula.

Ao sair do encontro de mais de uma hora com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o cantor e compositor Chico Buarque disse que conversou “amenidades” com o amigo de mais de 30 anos. “Ele está muito bem, feliz, tranquilo. No tempo da presidência tivemos encontros rápidos. Conversamos amenidades, e marcamos de um dia jogar uma pelada”, disse Chico. Questionado sobre o estado de espírito do presidente, o cantor e compositor respondeu: “Todo mundo fica muito mais à vontade.”

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