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Vice-líder do PR no Senado confronta Valdemar Costa Neto e agrava crise na sigla

Bruno Siffredi

20 de setembro de 2011 | 18h27

Andrea Jubé Vianna, da Agência Estado em Brasília

A crise no Partido da República (PR) não se limita às divergências com o Planalto, que levaram a Executiva Nacional a se desligar da base aliada ao governo no Congresso. As turbulências internas deixam o ambiente ainda mais conflagrado no partido: o senador Clésio Andrade (PR-MG), vice-presidente da legenda, revogou nesta terça-feira, 20, a procuração em que conferia poderes ao deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) para representá-lo na Executiva Nacional. É mais um capítulo na crise que se abateu sobre o partido desde a demissão do presidente da sigla, senador Alfredo Nascimento (PR-AM), do cargo de ministro dos Transportes.

Clésio formalizou a decisão em ofício encaminhado nesta terça-feira ao presidente da sigla, Alfredo Nascimento. No documento, o mineiro comunica, ainda, que passará a exercer “plenamente suas atribuições estatutárias”, participando de todas as reuniões da legenda. A iniciativa coloca Clésio em rota de colisão frontal com os principais dirigentes do PR: o secretário-geral da sigla, Valdemar Costa Neto, e seu aliado, Alfredo Nascimento.

O senador mineiro tem dois motivos principais para confrontar Costa Neto e Nascimento. O mais recente diz respeito às eleições municipais de 2012. Costa Neto estaria utilizando a procuração de Clésio para esvaziar os diretórios municipais do PR em Minas Gerais controlados pelo mineiro e retirar poderes de seus apadrinhados. A estratégia fragiliza os poderes de Clésio no Estado, ao mesmo tempo em que fortalece outro aliado de Costa Neto, o também mineiro e líder do PR na Câmara, Lincoln Portela.

Clésio também havia divergido de Costa Neto e Nascimento quanto à saída do PR da base aliada, motivada pelos escândalos de corrupção na pasta dos Transportes. Após a demissão de Nascimento do comando da pasta, o PR decidiu desligar-se da base aliada ao governo. Clésio – que é vice-líder do PR no Senado – continua sendo um dos interlocutores do partido com o Planalto.