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Vice na chapa de Alckmin projeta segundo turno em São Paulo

Jennifer Gonzales

27 de agosto de 2010 | 00h21

Jair Stangler

O candidato a vice-governador de São Paulo na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Afif Domingos (DEM), projeta segundo turno com o candidato do PT, Aloizio Mercadante. Segundo ele, a coligação que apoia o tucano nunca planejou resolver a eleição no primeiro turno. “Pelo fato de que o PT tem um teto histórico de 33%, 34%. Na hora que ele tem 33%, 34% do eleitorado, dificilmente se resolve no 1º turno. Sempre nos programamos para uma eleição de dois turnos. Fôlego nós temos e não vamos gastar energia à toa.”

O democrata participou de um bandeiraço no Viaduto do Chá, em São Paulo, juntamente com outras lideranças do DEM, do PSDB e do PPS. Ele afirmou ainda considerar Mercadante “um candidato abaixo da crítica”. “E está abaixo do patamar histórico do PT. O PT em São Paulo tem um teto. Só um candidato acima da crítica extrapolaria esse teto”, completou.

Quebra de sigilos

Também presente ao bandeiraço, o secretário de Educação do Estado de São Paulo, Paulo Renato de Souza (PSDB), também comentou o caso dos vazamentos de dados sigilosos da Receita Federal. “Mais uma vez temos o uso desavergonhado, ilegal, inaceitável da máquina pública por um partido político, pelo PT, é um escândalo”, acusa. “Realmente são práticas típicas de um sindicalismo de quinta categoria que estão sendo trazidas infelizmente para a vida pública brasileira”, conclui.

Paulo Renato é categórico ao afirmar que é o PT que está por trás da violação dos dados, mas poupou a candidata apoiada por Lula.”Ninguém vai fazer isso sem uma vinculação partidária”.

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) se diz “muito preocupado” com a violação de dados. “A democracia pressupõe que sejam preservados direitos do cidadão”, diz. Kassab disse que é possível que o caso tenha relação com o PT e com Dilma. “Estamos vivendo um período eleitoral, os primeiros vazamentos indicam pessoas próximas ao candidato Serra. É natural eu achar que tenha”, afirma.

O presidente do PPS e candidato a deputado federal Roberto Freire é o mais contundente na avaliação do episódio dos sigilos quebrados. “Não é mais só Eduardo Jorge e alguns membros do PSDB. Começam a ser algumas pessoas que tem certa expressão na sociedade, como a Ana Maria Braga, o dono das Casas Bahia. Ou seja, nós estamos aí, talvez vendo o ovo da serpente de um Estado fascista e totalitário. Porque isso é um direito fundamental da cidadania, sua privacidade. E a Receita Federal, do governo Lula está quebrando isso. Isso é um atentado à democracia. E a população fica num Estado de euforia como se não estivesse acontecendo nada. Amanhã quando estivermos num regime fascista, as pessoas vão se lembrar que o ovo da serpente da gestação do fascismo já começou há algum tempo, começou lá atrás, com o Palocci e o caseiro”, profetiza.

Freire cobrou a apuração do caso. “Essa quebra do sigilo foi utilizada pelo comitê da candidata, da sra Dilma Rousseff. É necessário que o MP investigue isso”, declara.

Após queda nas pesquisas, PSDB põe o bloco na rua

O secretário de relações institucionais do Estado de SP, Almino Monteiro Álvares Affonso (PSDB), foi o organizador do evento. Ele negou que o evento tenha sido motivado pelas recentes pesquisas que indicam vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno. “Sou um velho militante da velha guarda e me sentia triste por não termos a campanha na rua. A ideia se deu nesses últimos dias. Coisas como essas são necessárias independente do que diga o Datafolha”, explicou.

Para Paulo Renato, o crescimento de Dilma nas pesquisas se deve à “superexposição do presidente”. “Uma coisa que nunca se viu na história republicana do Brasil e talvez não se veja em outros países, um presidente se jogar tanto numa campanha eleitoral, é algo que fere os princípios republicanos”, diz.

“É como se o juiz estivesse jogando uma partida de futebol do lado de um time. Acho que a população se dará conta disso. A população vai querer refletir mais e vai levar a eleição para o segundo turno. No segundo turno aí não dá para ela se esconder atrás do presidente, aí é ela contra Serra, aí acho que nós ganhamos a eleição”, completa.

Kassab considera também que é possível reverter a situação apresentada pelas pesquisas. “Na minha eleição, por exemplo, nesse período estava numa posição bastante distanciada, estava em torno de 10%. Ganhei as eleições.”

“Na democracia ninguém inventou ainda decreto para pesquisa designar presidente. Quem vai designar o presidente é o voto popular em 3 de outubro”, afirma Freire.

 Lula no programa

Para Afif Domingos, Serra não tentou usar o Lula ao mostrá-lo em seu programa. “O que ele fez foi falar: “Eu tenho o mesmo nível dele”. Fez um enunciado. “Eu e o Lula temos uma biografia , temos uma história. Só que ele está indo embora, eu estou chegando. Quero discutir com ela biografia e história”. Diz não saber avaliar se a estratégia é correta ou não. “O tempo vai demonstrar”, afirma.

É a mesma avaliação que faz Kassab: “Algumas pessoas distorcem (o uso de imagens do Lula). O Lula tem uma estatura. Ninguém entrou no mérito se se faz um bom governo, um mau governo. E que o Serra também tem estatura. Também não se falou se o Serra fez bom ou mau governo.”

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