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Veja a cronologia da queda de Demóstenes

Redação

11 de julho de 2012 | 13h50

estadão.com.br

Por 56 votos, o Senado aprovou no início da tarde deste quarta-feira, 11, a cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Na avaliação da maioria, a relação do parlamentar com o contraventor Carlinhos Cachoeira feriu o decoro parlamentar. Dezenove senadores votaram contra a cassação e cinco se abstiveram. Demóstenes é o segundo senador cassado no País por quebra de decoro.

O senador começou a ter problemas quando seu nome apareceu em interceptações telefônicas da  Polícia Federal, na Operação Monte Carlo, que investiga o contraventor Carlinhos Cachoeira. Assim que surgiram as suspeitas de que ele agia a favor do contraventor no Congresso, o senador foi chamado a depor na CPI que investiga as relações de Cachoeira com agentes públicos e privados, mas não convenceu. No dia seguinte, um processo no Conselho de Ética foi aberto contra ele. Depois de algumas tentativas de defesa, o senador aproveitou a última semana antes que o Senado decidisse sobre sua cassação e ocupou o plenário da Casa para apresentar as suas considerações. Veja abaixo a cronologia do caso até a perda de mandato:

29/02 – Carlos Cachoeira é preso

06/03 – Diante das acusações de envolvimento com Cachoeira, Demóstenes Torres se defende em discurso no Plenário. De acordo com suas explicações, ele manteria uma relação de amizade com Cachoeira, que se casou com a ex-mulher de seu suplente, amiga da esposa do parlamentar.

23/03 – Gravações da Polícia Federal, divulgadas pela imprensa, mostram Demóstenes Torres pedindo R$ 3 mil a Carlinhos Cachoeira para pagar um táxi-aéreo.

27/03 – Demóstenes pede afastamento da liderança do DEM no Senado. No mesmo dia, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, encaminha ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de abertura de inquérito para apurar as denúncias contra o senador.

28/03 – O PSOL pede abertura de processo no Conselho de Ética do Senado contra Demóstenes Torres por quebra de decoro parlamentar.

29/03 – Ministro Ricardo Lewandowski do Supremo Tribunal Federal (STF) decide acatar pedido do procurador-geral, Roberto Gurgel, e abre inquérito para investigar Demóstenes Torres. Para isso, autoriza a quebra do sigilo bancário do senador pelo período de dois anos.

02/04 – O DEM, partido do senador Demóstenes Torres, decide abrir processo disciplinar que poderá levar à sua expulsão do senador.

03/04 – Demóstenes Torres pede desligamento do DEM. Sua saída arquiva processo de expulsão aberto pelo partido.

10/04 – O presidente interino do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), aceita o pedido do PSOL e abre processo contra Demóstenes Torres. O senador Humberto Costa (PT-PE) é designado relator do caso.

12/04 – Demóstenes Torres volta ao Senado depois de 22 dias de ausência e se defende no Conselho de Ética.

29/04 – Conselho de Ética do Senado aprova requerimentos para pedir ao STF e à Procuradoria Geral da República (PGR) informações sobre o envolvimento de Demóstenes Torres e Cachoeira.

03/05 – Relator da denúncia contra Demóstenes no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, senador Humberto Costa (PT-PE) pede abertura de processo disciplinar contra Demóstenes, que pode resultar em sua cassação.

09/05 – O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar aprova relatório do senador Humberto Costa (PT-PE) e abre processo disciplinar contra o senador Demóstenes. A partir da decisão, o Conselho de Ética passa a investigar formalmente a ligação do senador com o Cachoeira.

14/05 – O advogado de Demóstenes Torres, Antonio Carlos de Castro, o kakay, afirma em entrevista no Senado que, com base em depoimentos de delegados à CPI, ficou evidente a falha processual que deu prosseguimento a investigações de seu cliente, sem autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). No mesmo dia, os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Humberto (PT-PE) garantem que as investigações de Demóstenes não estavam voltadas a ele, que apareceu de maneira indireta por causa de ligações entre o parlamentar e Carlinhos Cachoeira.

29/05 – No Conselho de Ética, Demóstenes presta depoimento e nega conhecer as atividades ilícitas de Cachoeira. Diz ser vítima de um conluio do Ministério Público e da Polícia Federal e afirma estar vivendo o pior momento de sua vida.

30/05 – CPI aprova as quebras de sigilo fiscal, bancário, telefônico e de correios eletrônicos do senador Demóstenes Torres e empresas e pessoas ligadas a Cachoeira.

31/05 – Termina em tumulto a reunião da marcada para depoimento do o senador Demóstenes Torres. Atacado pelo deputado Silvio Costa (PTB-PE) por permanece calado, Demóstenes teve seu direito constitucional ao silêncio defendido pelo senador Pedro Taques (PDT-MT). Os dois discutiram, e o presidente Vital do Rêgo (PMDB-PB) encerrou a reunião, que durou apenas 30 minutos.

18/06 – Demóstenes consegue uma liminar no STF para impedir a votação o parecer final do processo aberto contra Demóstenes Torres (sem partido-GO) no Conselho de Ética do Senado.

25/06 – Por unanimidade, o Conselho de Ética do Senado aprovou o relatório do senador Humberto Costa (PT-PE) que pede a cassação de Demóstenes Torres (sem partido-GO) por quebra de decoro parlamentar.

04/07 – A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou o relatório pela admissibilidade do processo de quebra de decoro sofrido pelo senador Demóstenes e o encaminhou ao plenário da Casa, que decidirá, em voto secreto, se o parlamentar perderá ou não seu mandato.

02/07 a 09/07 – Senador usa o plenário do Senado para se defender e tentar evitar a perda de mandato. Os discursos diários na maioria das vezes contou com a presença de poucos senadores. Nos pronunciamentos, o senador se disse vítima de perseguição, questionou a investigação da PF e disse não ser mentiroso./Com informações da Agência Senado

 

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