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Prefeitura estuda cotas para o funcionalismo, afirma Netinho

Ricardo Chapola

21 de janeiro de 2013 | 10h00

O Estado de S. Paulo

O secretário Promoção da Igualdade Racial, Netinho de Paula (PC do B), disse ser favorável à criação de cotas raciais para o funcionalismo público na Prefeitura de São Paulo. “É também um projeto de Haddad”, afirmou o secretário à TV Estadão, nesta segunda-feira, 21. Netinho foi o primeiro convidado da série de entrevistas com os novos titulares da gestão do prefeito Fernando Haddad.

Segundo Netinho, a prioridade do prefeito Fernando Haddad será, inicialmente, sensibilizar as pessoas sobre a questão do racismo. A secretaria, que ainda precisa ter sua criação aprovada pela Câmara Municipal, foi anunciada por Haddad no ano passado. Para Netinho, a função principal da secretaria é promover a discussão racial na cidade. “Se conseguir de alguma forma dar oportunidade (a quem sofre preconceito), a cidade ganha economicamente e a gente vai ter uma cidade mais humana” , disse.

Durante a semana, o Estado também vai entrevistar o secretário de Esportes, Celso Jatene (PTB), na quarta-feira, 23, e o secretário de Educação, César Callegari, na quinta-feira, 24.

Abaixo, acompanhe os principais momentos da entrevista:

12h – É encerrada a entrevista.

11h59 – Expectativas para a gestão de Haddad: “Haddad é muito voltado a questões sociais. A minha secretaria tem a função de provocar essa discussão racial na cidade de SP. Economicamente viabilizar principalmente as mulheres negras, que são as mais prejudicadas. É uma secretaria que quer promover uma política de paz na cidade.”

11h58 – Sobre aliança com PT: “Cumpro a minha parte. Eu faço por mim. Não posso dizer se eles usam do que eu penso, da minha popularidade. E quando aceito participar de um projeto, é porque acredito.” Para a secretaria ser efetivada é preciso, primeiro, que a Câmara aprove a criação da nova pasta. Netinho diz já estar buscando apoio entre os vereadores.

11h56 – Netinho fala sobre o episódio de ter sido acusado de agressão. Ele diz sempre estar disposto a falar disso e ter reconhecido o erro. Na avaliação de Netinho, o caso não gerou impactos políticos. Questionado sobre qual é seu sonho político nesse momento, disse que o foco está na secretaria: “Pretendo ser o melhor secretário possível. É a primeira oportunidade no Executivo que eu tenho. Acho que em 2014 posso sair como senador ou como deputado federal.”

11h54 – Eleição para Câmara em 2012: “Em determinado momento, o partido pode ter priorizado a candidatura de Orlando Silva ou do Jamil”, diz Netinho ao comentar seu desempenho nas urnas em 2012. Netinho foi reeleito vereador com quase 60 mil votos. Para o secretário a explicação de ter menos votos do que o esperado foi pelo fato de, primeiro, ter saído candidato à Prefeitura de SP e depois ter tirado o nome para apoiar Haddad.

11h49 – Orçamento da Secretaria: “Não temos número fechado, mas apresentamos um plano para o prefeito. Se conseguirmos trabalhar com R$ 120, R$ 150 milhões por ano, conseguiremos atender as ações.”

11h47 – Sobre cotas no funcionalismo público: “É um mal necessário. É também um projeto desse governo. O Haddad não vê como prioridade nesse momento. Ele vê como prioridade a sensibilização das pessoas (sobre essa questão).”

11h45 – Sobre o Juventude Viva, Netinho explica que as ações envolvem, entre outras coisas, cursos de capacitação, também para jovens presos. “Acho que a juventude pode mais, não precisa ficar restrita a cursos de pedreiro e de garçom. Pode fazer cursos de tecnologia também. Claro que a construção civil tem um mercado aquecido. Mas neste projeto queremos mais.” O programa vem sendo discutido com uma equipe do governo federal, mas Netinho acredita que seja possível fazer parcerias com o governo do Estado de São Paulo. “É a primeira vez que esse programa é pensado em uma cidade grande, como São Paulo. Para ações de prevenção, o município dá conta. Mas para as demais precisa do governo do Estado.”

11h40 – Principal desafio da nova secretaria: “Busquei audiência com ministro Gilberto Carvalho e nós queremos trazer para SP o programa Juventude Viva, de Alagoas. Trata com três ou quatro secretarias, entre elas a de Educação, Cultura e Trabalho.”  Netinho foi questionado sobre a realização de bailes funk na cidade, alvo de críticas de moradores e assunto já abordado pelo prefeito Fernando Haddad. Para o secretário, a solução é dialogar com os jovens: “Por que eles fazem na rua? Porque não tem espaço. TEm que acabar? Não é acabar. Você pode apoiar aquela iniciativa, você pode criar espaços. Os CEUs têm espaços ociosos.” “O grande problema é que deixamos de ouvir os jovens.”

11h38 – Chacinas na periferia de SP: Netinho lembra que os policiais que também morreram nessas ações também eram negros. “Falta diálogo entre os poderes. O que o governo do Estado está assumindo é que a questão social na cidade de SP estava abandonada. Talvez pelo crescimento da esquerda em SP, teve uma reação imediata. É muito claro que o lado social estava abandonado.”

11h35 – Internação compulsória na cracolândia: “A lei antimanicomial veio para acabar com alguns problemas. Essa lei foi muito ampla e não se deu conta de que estava chegando uma epidemia, que é o crack. Não só em São Paulo. Você chega no centro da cidade de São Paulo e vê gente misturada com lixo. Isso não é normal deixar. Sou à favor dessa internação compulsória. Tem que levar para um tratamento. A pergunta é que tipo de tratamento? Acho que foi uma atitude corajosa do governador (Geraldo Alckmin). Essa retaguarda (sobre o tratamento) que tenho dúvidas. O classe média retira e põe numa clínica. O pobre não tem fase nenhuma de tratamento. Em casa não quer e vem pro centro. Tratar dessa questão é uma questão humanitária. Mas não é só retirar, é saber qual o tipo de tratamento que vai ser dado.”

11h30 – Netinho afirmou recentemente que São Paulo é uma cidade racista. Ele explica que isso não é uma afirmação dele e é referendada por intelectuais. Segundo ele, é uma realidade que tem impactos sociais e econômicas para a cidade. “Se conseguir de alguma forma dar oportunidade (a quem sofre preconceito), a cidade ganha economicamente e a gente vai ter uma cidade mais humana” , afirma.

 

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