São Paulo precisa de corredores de ônibus em caráter emergencial, diz Nabil Bonduki (PT)
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São Paulo precisa de corredores de ônibus em caráter emergencial, diz Nabil Bonduki (PT)

Lilian Venturini

17 de outubro de 2012 | 09h00

O Estado de S.Paulo

A construção imediata de corredores de ônibus é a medida prioritária que a Prefeitura deveria tomar para melhorar a mobilidade urbana, na opinião do vereador eleito Nabil Bonduki (PT). O petista foi o terceiro convidado da TV Estadão para a série de entrevistas com os novos nomes da Câmara de São Paulo em 2013.

Para Bonduki, o programa de corredores é necessário em caráter emergencial, além da produção de mais habitações no centro expandido e geração de empregos na periferia, o que reduziria o tempo e a quantidade de deslocamentos dos paulistanos. Ele alerta, porém, que a construção dos corredores não pode ser “sofisticada”. “Em uma ou outra situação isso pode acontecer, mas precisamos de corredores que não exijam muitas desapropriações e sejam compatíveis com a melhoria do espaço público”, indicou.

Além dos ônibus, Bonduki destacou a importância das malhas metroviária e ferroviária na cidade, assuntos que demandarão um diálogo entre a esfera municipal e a estadual. Ele disse não ver “problema nenhum” em ter de dialogar com o governador Geraldo Alckmin sobre essas questões. “Temos que ter essa articulação, uma governança acima da questão partidária. O diálogo é necessário”.

Habitação e áreas verdes. O petista indicou que sua principal área de atuação será no Plano Diretor da cidade, mais especificamente no que diz respeito à habitação. Segundo ele, São Paulo está atrasada nesse aspecto e deixa a desejar na produção de novas unidades habitacionais. O arquiteto sugeriu uma avaliação do que ocorreu na capital na última década e uma análise sobre quais objetivos foram atingidos e quais outros precisam ser tratados.

Quanto às áreas verdes, afirmou que há um déficit em São Paulo. De acordo com o petista, é preciso “reduzir a desigualdade de áreas verdes na cidade” respeitando as contrapartidas estabelecidas pelas normas para novas construções e os mecanismos de preservação ambiental.

Entrevistas. Bonduki é arquiteto e já foi vereador entre 2001-2004. Antes, foi superintendente de Habitação Popular no governo da prefeita Luiza Erundina (1989-1992). Entre 2011 e 2012, comandou a Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente. Nesta campanha, assumiu a coordenação do programa de desenvolvimento urbano do candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Foi eleito com 42.411 votos.

A série da TV Estadão vai entrevistar dez dos novos vereadores com maior número de votos de cada partido. O mais votado, Roberto Tripoli (PV), recusou o convite. Ricardo Young, mais votado pelo PPS, também foi convidado, mas não vai participar por estar fora de São Paulo. Já foram entrevistados Andrea Matarazzo (PSDB) e Conte Lopes (PTB). Na quinta-feira, 18, será a vez de Jair Tatto (PT) e na sexta, 19, Ari Friedenbach (PPS). Além de acompanhar a entrevista pela TV Estadão, você pode enviar sugestões de perguntas pelo Twitter, pelo Facebook ou ainda pelo email eleicoes2012@estadao.com.

Veja abaixo os principais momentos da entrevista:

14h47 – Fim da entrevista com o vereador Nabil Bonduki (PT).

14h45 – Quanto ao monotrilho, Bonduki afirma que é necessário discussão antes de sua implementação. “Tem que ver se é compatível com a demanda e o impacto, se vai valorizar ou degradar a região” onde for construído. E ele finaliza a entrevista dizendo que nos quatro anos em que ocupará o cargo de vereador, quer ajudar a cidade a dar “os primeiros passos” para se tornar um lugar melhor.

14h44 – Ele fala agora do caso do Edifício São Vito, na região central. O projeto de reforma criaria 600 unidades habitacionais e era compatível com o programa proposto para o Parque Dom Pedro. O plano, porém, não foi levado adiante e o edifício foi demolido.

14h42 – Bonduki agora critica o programa urbano da Prefeitura. “Em 8 anos, construiu somente 14 mil unidades habitacionais. Mais gerou problema habitacional que solucionou”, aponta o vereador eleito, o quarto mais votado do PT na cidade.

14h40 – “Metrô, monotrilho e a melhoria dos trens são outras prioridades”, diz Bonduki. Tais assuntos, porém, demandarão diálogo da Câmara Municipal com o governo do Estado, atualmente sob o comando do PSDB. “Não vejo problema nenhum. Temos que ter essa articulação, uma governança acima da questão partidária”, aponta o petista, indicando que está disposto a trabalhar em conjunto com Geraldo Alckmin. “É necessário”, diz ele sobre o diálogo.

14h38 – “O que deve ser feito para melhorar a mobilidade?”, pergunta o internauta. “Além de produzir mais habitação no centro expandido e gerar emprego na periferia, não tenho dúvida de que precisamos de um grande programa de ônibus na cidade em caráter emergencial. Não podemos querer sofisticar demais esse programa. Em uma ou outra situação isso pode acontecer, mas precisamos de corredores que não exijam muitas desapropriações e sejam compatíveis com a melhoria do espaço público”, indica. Para ele, o corredor deve operar com veículos biarticulados ou triarticulados que circulem de ponta a ponta.

14h32 – Sobre as áreas verdes, o petista indica que as contrapartidas entre investimentos e zonas ambientais devem ser respeitadas de acordo com o que as leis preveem. Ele cita o Plano Diretor, segundo o qual a Prefeitura pode trocar áreas verdes potenciais por áreas de mesmo tamanho – e em outro lugar – para construir edificações. Bonduki fala ainda sobre outros mecanismos de preservação. Mas a meta, diz ele, é “reduzir a desigualdade de áreas verdes na cidade”. O déficit de áreas verdes na cidade, diz ele, ocorre porque muitos dos locais destinados a abrigar vegetação estão ocupados por favelas. O petista aponta que é preciso que a Prefeitura indique isso como um déficit e tome medidas para criar mais áreas verdes.

14h30 – Bonduki fala sobre os vários modos de aprovação de obras ilegais, assunto que foi muito explorado pela imprensa há alguns meses com os escândalos envolvendo Hussain Aref Saab.

14h28 – É possível conciliar a urbanização com os interesses do mercado? “Qualquer que seja o projeto, deve haver produção mobiliária. O mercado produz, a questão é que deve produzir de acordo com o interesse público”, o que é previsto em lei, lembra o petista.

14h27 – “Se for o governo Serra, vamos trabalhar no Plano Diretor. O plano não é de uma administração. Quando falamos em desenvolvimento da cidade, estamos falando do desejo coletivo da cidade. Vou batalhar para que seja participativo, seja Haddad, seja Serra. Vamos exigir do governo abertura para que esse debate mobilize a sociedade”, disse o vereador eleito, indicando estar pronto para o diálogo.

14h25 – Quanto ao trânsito e à sustentabilidade, Bonduki indica que os projetos de urbanização têm duração de até 25 anos.

14h23 – O petista fala agora sobre a parte de desenvolvimento urbano do programa de Haddad e fala do Arco do Futuro, cujo objetivo é reurbanizar a cidade, levando mobilidade aos bairros majoritariamente populacionais e, consequentemente, criar emprego nessas regiões. “São Paulo se estruturou do centro para a periferia. Todas as vias convergem para o centro”, diz ele.

14h21 – Quanto ao plano diretor, sugere “uma grande avaliação” do que se passou na cidade na última década. Para ele, é preciso avaliar quais eram os objetivos há 10 anos e o quais deles foram atingidos. Bonduki aponta que a oferta de crédito ampliou a capacidade do brasileiro de financiar habitações, mas que em São Paulo não houve definição de onde as moradias devem ser construídas. O vereador eleito diz que o plano de governo de Fernando Haddad contempla isso.

14h18 – Sobre os planos de habitação, ele afirma que são uma exigência legal e que a Prefeitura de SP está atrasada em relação a isso. “Acredito que o plano original de SP avança em alguns aspectos, organizando a urbanização das favelas, mas deixa a desejar na produção de habitações novas”, afirma. Quanto ao plano substitutivo, afirma que é preciso indicar melhor onde devem ser construídas moradias. Esse debate, diz, deve ser feito em conjunto.

14h15 – Uma leitora pergunta via internet quais são as medidas legais que podem ser tomadas em relação a favelas que estão em áreas de interesse imobiliário. “Acho que o problema das favelas, seja em áreas do centro expandido ou na periferia, está regulamentado. Há a garantia de moradia no Plano Diretor da cidade. Entendo que São Paulo precisa estimular ouso habitacional no centro expandido da cidade de todas as classes sociais”, diz o vereador. Ele aponta que 65% do emprego está no centro, e se houvesse população nessa área, muitas pessoas não precisariam se deslocar grandes distâncias e perder tempo no trânsito. “Precisamos ter produção habitacional para a população de baixa renda”, completa.

14h12 – Participam da entrevista com o vereador Nabil Bonduki os repórteres Marcelo Godoy e Diego Zanchetta, do caderno Metrópole, de O Estado de S. Paulo. Tudo pronto para o início.

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