Para Ari Friedenbach (PPS), redução da maioridade penal não resolve violência entre jovens
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Para Ari Friedenbach (PPS), redução da maioridade penal não resolve violência entre jovens

Lilian Venturini

19 de outubro de 2012 | 11h00

Cristiane Salgado Nunes, de O Estado de S. Paulo

O vereador eleito Ari Friedenbach (PPS) disse nesta sexta-feira, 19, que a redução da maioridade penal não resolve a questão da violência entre os jovens. Apesar de ter sofrido em 2003 com o assassinato de sua filha Liana, de 16 anos, caso em que houve a participação de um menor, ele acha que a medida é ineficaz já que estimularia os criminosos a recrutar adolescentes ainda mais novos. “Sou contra. Seria um debate muito longo com resultado zero, porque precisaria fazer uma nova Constituição para a redução da maioridade”, explicou ele em entrevista à TV Estadão.

No caso de sua filha, o vereador acredita que justiça foi feita e conta que o assassino menor de idade, Champinha, cumpriu os três anos na Fundação Casa, mas foi considerado um psicopata e, por isso, interditado civilmente. “Não quero ver nenhum deles, espero não olhar na cara dessas pessoas, porque não vai me fazer bem e não vai me acrescentar em nada”.

Friedenbach explicou que sua empreitada na política não tem a ver com sentimento de vingança, pois dessa forma se igualaria aos assassinos de Liana. “Eu seria tão lixo como eles. Sempre procurei agir de uma forma racional para poder mudar a sociedade”, comentou. O vereador eleito afirmou que uma de suas preocupações abrange a violência nas escolas, cuja uma das causas seria a ausência da imposição de limites aos jovens. “Eles agridem o professor e ainda filmam e colocam no YouTube”.

Como solução, Friedenbach apontou que o estágio de um mês na Fundação Casa para o aluno que comete agressão ao professor seria educativo. O vereador disse ainda que é importante aumentar as horas diárias que os jovens passam dentro da instituição, acrescentando cursos de dança, teatro e esportes.

Para assegurar a segurança nas escolas públicas, ele se disse a favor da ação da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Temos que ter no mínimo um guarda nas escolas. Ele vai intimidar o tráfico, a violência e o estupro”.

Questionado se vai trabalhar em conjunto com a dita “bancada da segurança”, vereador respondeu que é importante o trabalho em união e com visões diferentes. Além de Friedenbach, o vereador eleito Masataka Ota (PSB) também perdeu seu filho, vítima de um crime brutal em 1997.

Kassab. Avaliando a atual gestão de São Paulo, Friedenbach afirmou que prefeito Gilberto Kassab (PSD) foi melhor nos seus primeiros anos à frente da Prefeitura. “Algumas medidas foram boas, mas a gestão de Kassab poderia ter sido melhor”. Para ele, o projeto Cidade Limpa foi uma medida positiva, que deixou a cidade com um visual melhor. Ele, porém, julgou que as prioridades para o próximo prefeito devem ser o transporte público, para “desafogar o trânsito”, e o “desenvolvimento das periferias”, para levar o emprego mais perto das moradias.

Apesar de seu partido (PPS) apoiar o candidato do PSDB, cujo candidato à Prefeitura é José Serra, Friedenbach avaliou que não haverá problemas se Fernando Haddad (PT) ganhar as eleições. Ele ainda condenou a posição partidarista de políticos que não pensam na cidade como finalidade prioritária.

A série da TV Estadão convidou dez dos novos vereadores com maior número de votos. O mais votado, Roberto Tripoli (PV), recusou o convite. Ricardo Young, mais votado pelo PPS, também foi convidado, mas não vai participar por estar fora de São Paulo. Já foram entrevistados Andrea Matarazzo (PSDB), Conte Lopes (PTB) e Nabil Bonduki (PT).

Além de acompanhar a entrevista pela TV Estadão, você pode enviar sugestões de perguntas pelo Twitter, usando a hashtag #Friedenbach, pelo Facebook ou ainda pelo email eleicoes2012@estadao.com.

Abaixo os melhores momentos:

14h35 – Vereador diz que por causa do apoio de seu partido ao Serra, se o candidato for eleito será mais fácil trabalhar com ele. “Mas se Haddad for eleito, acho que vou conseguir fazer um bom trabalho, porque ele não vai ser prefeito do PT, vai ser de São Paulo. Não podemos ter essa postura de só considerar o partido”.

14h33 – “Eu acho que o Cidade Limpa foi uma medida interessante, a cidade ficou com um visual melhor. Os corredores de ônibus tiveram um crescimento, mas o trânsito ainda continua ruim. Acho que o transporte público deveria ser prioridade. Acho que é fundamental desenvolver a periferia para que as pessoas tenham emprego próximo de casa e não viajem horas para trabalhar”.

14h29 – Friedenbach diz que a 1ª gestão de Kassab foi muito boa, mas “a 2ª não foi tão boa assim”. Vereador diz que é errado classificar gestão em “bom” ou “ruim”. “Existem erros e acertos. Algumas medidas foram boas, mas a gestão Kassab poderia ter sido melhor”.

14h27 – Questionado se vai trabalhar em conjunto com a dita “bancada da segurança”, vereador responde que é importante o trabalho em união e ter visões diferentes. Ele ainda aponta a importância da questão de segurança, que deveria ser mais municipalizada.

14h25 – Vereador diz que a reposta mais rápida do Judiciário é importante para conter a violência. Para ele, é preciso educação de qualidade, “em que os jovens passem pelo menos das 7h até 15h na escola e com cursos de dança, teatro, esporte”.

14h24 – “Eu entendo que um jovem que agride um professor, um mês na Fundação Casa seria extremamente educativo para ele”.

14h22 – Vereador diz que a iluminação pública ajuda a diminuir a violência e aponta a falta de luz nas ruas. Para ele, a Guarda Civil Metropolitana poderia ser usada dentro das escolas públicas. “Temos que ter no mínimo 1 guarda nas escolas. Isso vai intimidar o tráfico, a violência, o estupro. É muito importante ter autoridade dentro das escolas para colocar limites aos jovens”.

14h20 – Vereador diz que a segurança de SP está “caótica”. “Assistimos hoje a impunidade, por isso, os jovens fazem o que querem e vemos até violência na escola. Eles agridem e ainda filmam e colocam no YouTube. Essa falta de limites leva à situações como de um caso de um garoto que levou fora da namorada e a matou”. Vereador diz que jovens precisam aprender que existem limites.

14h19 – Vereador diz que crimes precisam ser diferenciados e não se pode punir jovens que furtam com a mesma rigidez dos que cometem crimes hediondos.

14h17 – Para ele a medida não é eficaz, porque “os criminosos que recrutam menores de 16 anos, então, vão recrutar menores ainda mais novos”.

14h16 – Ari diz que é contra a redução da maioridade penal porque enxerga como uma medida inócua. “Seria um debate muito longo, com resultado zero, porque precisaria fazer uma nova Constituição”.

14h14– “A dor é constante mesmo depois de anos, continua diária. Mas tenho claro na minha cabeça se fizesse as coisas com desejo de vingança me equiparia a eles, seria tão lixo como eles. Sempre procurei agir de uma forma racional para poder mudar a sociedade”.

14h12 – Vereador conta que Champinha (assassino de Liana) cumpriu os 3 anos na Fundação Casa e como foi constatado como psicopata, e por isso, foi interditado civilmente. “Nenhum deles quero ver, espero não olhar para a cara dessas pessoas, porque não vai me fazer bem, não vai acrescentar em nada”.

14h11 – Friedenbach diz que justiça foi feita no caso de sua filha. “Mas temos Lianas todos os dias sendo assassinadas e famílias não vêem justiça acontecer”.

14h10 – Vereador diz que sua plataforma se baseia na segurança e educação, “dois temas que andam sempre juntos”.

14h08 – Friedenbach diz que depois da tragédia com sua filha se empenhou na questão criminal e o menor infrator. Para o vereador o Código Penal do Adolescente tem que haver mudanças. “Depois de alguns anos, eu percebi que por mais que eu conseguisse implementar o debate política, era preciso uma força maior para essas decisões tormassem corpo. Por isso, decidi me filiar a um partido político e entrei no PPS”.

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