Trabalhadores de obra perto da avenida Paulista são encontrados em situação análoga à escravidão
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Trabalhadores de obra perto da avenida Paulista são encontrados em situação análoga à escravidão

Redação

16 de fevereiro de 2012 | 12h48

estadão.com.br

Atualizada às 13h56

Uma obra para a ampliação do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, na região da avenida Paulista, em São Paulo, teve trabalhadores encontrados em situação análoga à escravidão pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A denúncia foi feita por um dos trabalhadores que teve seu salário retido por 2 meses. A obra é tocada pela empresa Racional Engenharia que, segundo matéria da agência de notícias Repórter Brasil, afirmou não saber das irregularidades. A empresa alegou que os trabalhadores respondiam a uma empresa terceirzada, a Genecy, criada por um ex-funcionário da construtura.


O grupo de 11 trabalhadores, entre pedreiros e serventes, vivia em alojamentos em Itaquera, na Zona Leste da capital, em situações precárias. De acordo com auditores, os empregados não recebiam dinheiro para locomoção, viviam em um alojamento com instalações irregulares e utilizavam espuma de colchão como papel higiênico.

Segundo o coordenador do Grupo de Combate ao Trabalho Escravo Urbano da Superintendência do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP), os operários tinham a liberdade restringida e chegavam em São Paulo com dívidas contraídas pela passagem comprada pelo empreiteiro Clemilton Oliveira. As pessoas foram aliciadas no Maranhão, em novembro, e vieram a São Paulo em ônibus clandestinos.

A empresa Racional alega que o empreiteiro era o culpado pelas condições em que os trabalhadores foram encontrados. Oliveira foi funcionário da construtora por 32 dias e abriu uma empresa para a prestação de serviços. O relatório apresentado pelo MTE responsabiliza a empresa, já que “os trabalhadores e o encarregado e pseudo-empresário Clemilton são completamente dependentes economicamente de seu contratante único e exclusivo: a Racional”.

A operação foi finalizada em 10 de fevereiro, quando a Racional recebeu os 28 autos de infração pelas irregularidades encontradas. Os trabalhadores retornaram ao Maranhão em 23 de janeiro, após receberem as verbas rescisórias e guias para sacar o Seguro Desemprego do Trabalhador Resgatado.

A obra de ampliação do Hospital Oswaldo Cruz conta com cerca de 280 trabalhadores. No local, ocorreu um acidente fatal em novembro de 2011: um operário morreu ao cair de um andaime da altura de oito andares. A Racional é uma das maiores empresas do ramo no Brasil e, em São Paulo (SP), foi responsável pela construção de shoppings como o Morumbi e o Pátio Higienópolis, de fábricas, hotéis, empresas e obras viárias, entre outras edificações de grande porte.

Em agosto de 2011, a rede varejista espanhola Zara teve trabalhadores da cadeia de fornecedores da empresa encontrados em situações análogas à escravidão. Depois de propor um acordo em novembro, em dezembro do mesmo ano, a empresa assinou um acordo com o Ministério Público do Trabalho para o pagamento de multa, no valor de R$ 3,4 milhões, que serão revertidos em investimentos sociais.

Em nota, a Racional Engenharia afirmou que a realização de uma obra conta com a participação de diversos fornecedores conforme a sua fase de execução e que desconhecia a situação em que os trabalhadores eram mantidos. Segundo a empresa, a Genecy “omitiu que mantinha alojamento” e tão logo soube providenciou “para que fossem pagas todas as verbas trabalhistas, garantido o bem estar dos trabalhadores e o retorno dos mesmos às suas cidades de origem”.

 

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