Dilma anuncia reajuste do Bolsa-Família no programa da Ana Maria Braga
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Dilma anuncia reajuste do Bolsa-Família no programa da Ana Maria Braga

Jennifer Gonzales

01 de março de 2011 | 10h11

Clarissa Thomé e Wladimir D’Andrade


Imagem: Renato Rocha Miranda/Divulgação

A presidente Dilma Rousseff vai reajustar a parcela do Bolsa-Família que é paga de acordo com o número de filhos. Ela fez o anúncio durante a sua participação no programa Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga. “O Bolsa-Família tem uma parte que é fixa e outra que varia conforme a quantidade de filhos. Nós vamos mudar a situação. Vamos privilegiar cada vez mais a mulher recebendo pela quantidade de filhos que têm. Nós vamos reajustar a parcela relativa à quantidade de filho. Porque 34%, 35% das famílias mais pobres têm como chefes uma mulher”, afirmou a presidente.

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A participação nos quatro blocos do programa foi gravada na segunda-feira, 28. Dilma agradeceu a solidariedade de Ana Maria durante o tratamento de um linfoma e ao ouvir um elogio da apresentadora ao seu cabelo, recordou: “Você lembra? Você me disse: `vai crescer'”.

A presidente também falou da fama de durona. “Você já viu algum homem que chegue à direção do país ser chamado de duro, entre todos os últimos 20 presidentes da República? É interessante porque são homens. É esperado da mulher uma fragilidade. A mulher até fisicamente pode ser menos forte do que o homem, mas não necessariamente ela é menos forte do que o homem dentro dela. Eu sempre brinco assim: sou uma mulher forte cercada por homens meigos”, afirmou, provocando risos.

Dilma revelou ainda que gostaria de ter mais ministras no seu governo, mas que isso não foi possível porque recebeu muitas indicações de homens. “Não é que não existam mulheres capazes e competentes. Há uma certa preferência para indicar homens. Como é um governo de coalizões, tenho de levar em conta as indicações. Várias vezes pedi que fossem indicadas mulheres. Mas não desisto, não”.

Everest

Dilma comparou a responsabilidade do cargo para o qual foi eleita em 2010 é como uma escalada diária do Monte Everest. “É como se todos os dias eu tivesse que escalar um Monte Everest”, disse à apresentadora Ana Maria Braga. Para Dilma, a Presidência da República “é um desafio que nunca acaba”, mas “um desafio é o que pode mudar o Brasil”.

Em clima descontraído, a presidente conversou também sobre a emoção que sentiu durante a posse, no dia 1º de janeiro. Classificou como “turbulenta” a sensação que teve ao receber a faixa presidencial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “É um momento muito especial. Por baixo daquela faixa tão levinha existe todo o peso e a responsabilidade de um país.”

Dilma contou ainda sobre a trajetória de sua candidatura desde quando era ministra-chefe da Casa Civil no governo Lula. Disse que no início “não dava muita importância” quando Lula a apresentava como sua candidata, mas que depois seu nome foi evoluindo “naturalmente” como concorrente ao pleito. “As coisas fluíram naturalmente.” Sobre seu padrinho político, Dilma afirmou que Lula é uma pessoa muito doce e com senso de humor, mas também “muito exigente como todo presidente deve ser”.

Ela falou ainda sobre sua família. Disse que o pai foi uma das grandes inspirações para sua carreira e militância política. “Um coisa que meu pai sempre valorizou foi o esforço”, afirmou, ao contar sobre o estímulo que Pedro Rousseff dava a ela para os estudos. Dessa influência, contou Dilma, nasceu sua paixão por livros. Sobre sua mãe, Dilma se referiu a ela como uma pessoa “sempre solidária” aos problemas que enfrentou, como por exemplo o período que passou na prisão durante a ditadura militar.

“Presidenta”

Dilma defendeu o uso do termo “presidenta”, “para enfatizar que a agora existe uma mulher no mais alto cargo do País”, e tentou amenizar sua imagem de “durona”: “É interessante como esperam de nós, mulheres, uma certa fragilidade. Isso decorre do fato de que a mulher, quando assume um alto cargo, é vista fora do seu papel. Acho que, a partir de agora, isso vai começar a ser encarado como uma coisa normal e natural”, disse.

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