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Tesoureiro do PSDB pagou postagens de perfil de Alckmin no Facebook

Felipe Sigollo, que tem cargo no governo do Estado, admitiu ter "testado o alcance" da ferramenta antes do período eleitoral

Redação

03 de agosto de 2014 | 18h07

Mateus Coutinho e Pedro Venceslau

O tesoureiro do PSDB em São Paulo Felipe Sigollo foi o responsável pelo pagamento de US$ 7.604, cerca de R$ 17.185, para divulgar as postagens do perfil oficial de Geraldo Alckmin (PSDB), que disputa a reeleição ao governo de São Paulo, no Facebook.

A informação foi encaminhada para a Justiça Eleitoral no sábado, pelo próprio Facebook. A empresa foi intimada na quarta-feira para informar o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) quem são os responsáveis pelas publicações pagas em favor do tucano na rede social. A medida atende à representação movida pela coligação “São Paulo quer o Melhor” do candidato do PMDB ao governo estadual, Paulo Skaf, contra Alckmin e o Facebook por suposto beneficiamento do candidato tucano na internet.

Postagens teriam impulsionado governador nas redes sociais. Foto: Marcos de Paula/Estadão

Como não entregou dentro do prazo de 48 horas, a Justiça Eleitoral determinou multa diária de R$ 10 mil contada a partir da sexta-feira e que seria ampliada para R$ 100 mil diários caso a empresa não atendesse a determinação até às 17h deste sábado, 2. A empresa, então, encaminhou um documento no qual identifica o tesoureiro do PSDB no Estado pelos pagamentos para impulsionar a imagem de Alckmin na rede social.

Com isso, o TRE deu o prazo de 24 horas para que a campanha de Skaf se manifeste. Neste domingo, os advogados do PMDB protocolou  no TRE solicitando que o tesoureiro do PSDB seja arrolado como um dos réus no processo, caso a Justiça aceite o pedido, o tucano será notificado para se defender.

Ao Estado, Sigollo, que também é diretor da Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS) do Governo do Estado, reconheceu que fez o uso do instrumento do link patrocinado. Ele disse, contudo, que usou essa ferramenta até o prazo permitido por lei, ou seja, antes da convenção que homologou a candidatura de Alckmin, no dia 29 de junho.

“Nunca pedi autorização para a campanha nem para o próprio governador, essa foi uma iniciativa pessoal minha, para testar o alcance dessa ferramenta”, disse o tucano. Segundo Sigollo, ele usou o cartão de crédito pessoal para pagar durante um ano, dez dólares por dia, para alavancar a página do governador Geraldo Alckmin, prática que é legal e amplamente utilizada por todos os comitês fora do período eleitoral.

Seguidores. Na declaração entregue ao TRE, contudo, o Facebook não traz nenhum detalhamento sobre as datas das postagens, quais postagens foram, ou mesmo quantas foram bancadas pelo tucano. A campanha de Skaf, contudo, deve solicitar à Justiça que a empresa detalhe melhor as quais foram as postagens pagas.

De acordo com os advogados de Skaf, em dezembro do ano passado, Alckmin tinha 100 mil seguidores e em seis meses atingiu 320 mil. “Muito acima do que é esperado para quem não usa links patrocinados”, diz a ação.

O objetivo da campanha de Skaf com a ação é que a Justiça determine ao Facebook que retifique o número de curtidores do perfil de Alckmin, passando a contabilizar somente curtidores registrados sem uso de links patrocinados.

 

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