STF julga mensalão, 24º dia; Para Barbosa, PP vendeu apoio ao governo na Câmara
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STF julga mensalão, 24º dia; Para Barbosa, PP vendeu apoio ao governo na Câmara

Lilian Venturini

17 de setembro de 2012 | 09h07

O Estado de S.Paulo

O relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, disse nesta segunda-feira, 17, que a cúpula do Partido Progressista participou do esquema de lavagem de dinheiro ao receber quantias em espécie para apoiar a base governista em votações na Câmara dos Deputados. Para ele, que começou a leitura do seu voto para o item 6 do processo, Pedro Henry, José Janene, Pedro Corrêa e João Claudio Genu cometeram os crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e formação de quadrilha.

Barbosa ainda apontou que os executivos da Bônus Banval, Breno Fischberg e Enivaldo Quadrado, também fizeram parte da organização criminosa ao disponibilizarem a empresa para repassar os recursos aos parlamentares do PP, partido para o qual a corretora já prestava serviços.

“Não houve, por qualquer motivo, além da fidelidade de Pedro Correa, Pedro Henry, José Janene e João Cláudio Genu, que explicasse o interesse do PT em realizar os repasses milionários aos parlamentares do PP, tal como confessado pelos réus Marcos Valério e Delúbio Soares”, disse o relator, ao analisar o processo de compra de apoio envolvendo os parlamentares.

Ainda segundo o ministro relator, a cúpula progressista sabia da origem do dinheiro repassado pela Bônus Banval e, por  isso, integrou o esquema de lavagem. “Os três parlamentares que dirigiam o PP beneficiaram-se do pagamento de vantagem indevida, utilizando-se de novas modalidades de lavagem de dinheiro, desta feita por meio da Bônus Banval”, declarou Barbosa, que continua a ler seu voto na quarta-feira, 19.

O item 6 do processo – o quarto a ser julgado – contempla os 23 réus acusados de compra de apoio político ao governo Lula. Entre os réus estão o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o pivô do escândalo, ex-deputado Roberto Jefferson (PTB). A leitura do voto de Barbosa deve levar de duas a três sessões para ser concluída. Na sequência, revisor do processo, ministro Ricardo Lewandowski, lê seu voto. Na semana passada, o STF concluiu o julgamento dos réus acusados de lavagem de dinheiro.

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Veja abaixo os principais momentos da sessão desta segunda-feira:

19h48 – Barbosa diz a Ayres Britto que encerra essa parte de seu voto, que está sendo feito por subitens. O presidente do STF, então, encerra a sessão.

19h46 – “A quadrilha se revela nos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro cometidos indefinidamente em associação estabilizada caracterizada em união no desígnio de lavar valores”, diz Barbosa, dizendo que não se trata de concurso de agentes, uma vez que eles se reuniram para cometer tais crimes por tempo indeterminado.

19h41 – “Conclui-se que os réus do PP – Henry, Genu, Corrêa e Janene – formaram quadrilha primeiramente para os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A partir de fevereiro de 2004, passaram a contar com a adesão de Enivaldo Quadrado e Breno Fischberg”, aponta o ministro relator. Ele destaca novamente que a empresa já mantinha relações com o Partido Progressista. “Os réus mantiveram-se reunidos em quadrilha por vários meses”, completa.

19h35 – Barbosa afirma que Quadrado de reunia com a cúpula do PP frequentemente, o que não está de acordo com a alegação do réu de que não sabia da origem do dinheiro que repassava. Coube a Janene e Genu manter contatos com a Bônus Banval.

19h27 – Deu-se aparência lícita aos recursos por causa do uso de todo o mecanismo de lavagem de dinheiro oferecido por Valério e suas empresas. Segundo Barbosa, a cúpula do PP então cometeu os crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

19h21 – Barbosa afirma também que os quatro réus do PP “formaram uma associação estável para praticar crimes e lavar dinheiro”, citando todo o esquema de venda de apoio e recebimento de dinheiro do PT. Coube a Henry e Correa solicitar dinheiro ao PT, e esse apoio só ocorreu em troca de respaldo ao governo na Câmara dos Deputados.

19h17 – “Por tudo o que ficou demonstrado, os réus João Cláudio Genu, Pedro Henry, Pedro Correa e José Janene, depois com o auxílio de Enivaldo Quadrado e Breno Fischberg, praticaram o crime de lavagem de dinheiro”, afirma Barbosa.

19h11 – “Os réus Quadrado e Fischberg ofereceram sua estrutura empresarial para os fins criminosos dos membros do PP (…) e dessa maneira foram coautores das operações de lavagem de dinheiro”, declara o relator.

19h05 – Ele cita agora Carlos Alberto Quaglia. Em depoimento, ele disse que a Bônus Banval utilizou a Natimar, sua empresa, para crimes de lavagem de dinheiro. Quaglia ainda disse que a Bônus podia “arquitetar” operações para terceiros. Várias pessoas que não reconheceram o recebimento dos depósitos foram indicados como beneficiários das transferências. Assim, havia um processo de dissimulação dos destinatários finais.

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19h01 – O esquema de lavagem de dinheiro foi “sofisticado” com a entrada da Bônus Banval no esquema, diz o relator.

18h59 – Conclui-se, diz Barbosa,  que a Bônus Banval, sem qualquer relação com os beneficiários, simplesmente intermediou o repasse dos recursos que antes eram pagos aos réus ligados ao PP com o auxílio de Genu.

18h58 – Barbosa afirma que há a culpabilidade conjunta de Breno Fischberg e Enivaldo Quadrado. Fischberg era o responsável interno pela Natimar, utilizada pela Bônus Banval para enviar o dinheiro aos indicados pelo PP.

18h49 – Genu teve uma atuação crucial para recolher o dinheiro do PT e repassá-los aos parlamentares do PP. “Os réus João Cláudio Genu, José Janene, Pedro Henry e Pedro Correa organizaram-se mediante divisão de tarefas para prática em concurso de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e a partir de fevereiro de 2004 passaram a contar com a colaboração de Enivaldo Quadrado e Breno Fischberg”, diz o relator.

18h47 – “Está cabalmente comprovada a trama montada pelos réus para a lavagem de dinheiro”, aponta Barbosa. Eles seguiram mecanismos complexos de ocultação e dissimulação de recursos, continua o ministro. Genu continuou a colaborar com os réus mesmo depois da entrada da Bônus Banval no esquema, visitando a empresa para viabilizar a retirada do dinheiro designado pelo PT.

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18h45 – “Os três parlamentares que dirigiam o PP beneficiaram-se do pagamento de vantagem indevida, utilizando-se de novas modalidades de lavagem de dinheiro, desta feita por meio da Bônus Banval”, diz Barbosa. Eles efetuaram transferências para pessoas ligadas ao partido, completa.

18h43 – Janene, em depoimento, disse que apenas havia sido encarregado de entregar as demandas de Delúbio Soares. Ele disse também que Henry orientou os deputados a levar as demandas ao partido. Pedro Correa nega a existência desses repasses, mas disse em interrogatório que o PP autorizou Janene a buscar recursos pagar honorários a um deputado.

18h37 – Barbosa cita uma série de depoimentos, de beneficiários e testemunhas, descrevendo os pagamentos e recebimentos que envolveram a Bônus Banval. Alguns deles receberam quantias modestas, mas vinculadas aos repasses feitos por Tolentino e Valério à empresa de Quadrado e Fischberg.

18h32 – Quadrado recebia o dinheiro em mãos e prosseguia com a distribuição das quantias entre os corruptores, diz Barbosa. A Bônus Banval apenas repassava o dinheiro, mas seus sócios sabiam da origem da verba. Segundo a denúncia, foram sete operações de lavagem.

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18h27 – O relator cita depoimentos de funcionários da Bônus Banval que, segundo ele, confirmam o crime de lavagem de dinheiro. Segundo os depoentes, diz Barbosa, Quadrado usou a empresa para lavar o dinheiro enviado por Valério aos progressistas.

18h21 – Para Barbosa, a materialidade do crime está comprovada. “Os autos demonstram que Quadrado, sócio-proprietário da empresa, foi responsável por orientar que os funcionários fossem os intermediários do recurso, executando assim, de forma dolosa, o crime de lavagem de dinheiro”, diz o relator.

18h18 – Segundo Barbosa, a Bônus Banval foi escolhida pela cúpula do PP porque já prestava serviços ao partido. Assim, poderiam receber os recursos em seus domicílios, sem a necessidade de deslocar Genu para recolher o dinheiro. Foram passados R$ 600 mil por meio desse esquema, diz o relator.

18h13 – As transferências, diz Barbosa, foram feitas com o objetivo de dissimular sua origem. A Bônus Banval recebeu transferências de empresas de Marcos Valério e de Rogério Tolentino para repassá-las aos membros do PP.

18h09 – “Os réus se organizaram para a prática de delitos”, afirma o relator, citando o mecanismo “sofisticado” usado por eles ao incluir a Bônus Banval no esquema.

18h07 – Quadrado teria colocado sua empresa à disposição do PT para repassar verba ao PP e que caberia à empresa efetuar o pagamento pelas pessoas indicadas por Janene. Valério foi apresentado a Quadrado por Janene e, posteriormente, conheceu Delúbio Soares.

18h05 – A partir de 2005, os réus teriam usado motoristas da empresa para sacar o dinheiro para o PP ou enviado dinheiro em nome da Natimar, empresa de Carlos Alberto Quaglia, réu cujo processo foi anulado.

18h04– Ele passa a tratar da Bônus Banval, cujos sócios são os réus Enivaldo Quadrado e Breno Fischberg.

18h00 – “Está comprovada assim a prática de lavagem de dinheiro dos réus do PP com o auxílio de João Cláudio Genu”, finaliza Barbosa.

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17h58 – Genu ficou encarregado de receber os valores, uma vez que o PT se recusou a fazer uma transferência bancária ao PP. Ele se dirigia à agência do Banco Rural para receber os valores. “Assim, Janene, Henry e Correa se valeram do mecanismo de lavagem oferecido pelos réus do núcleo financeiro para receber o dinheiro de maneira segura”, diz Barbosa. Genu foi o executor direto do esquema.

17h56 – Para Barbosa, a cúpula do PP sabia que os recursos que recebiam haviam sido enviados por Delúbio Soares via Simone Vasconcelos. As idas de Delúbio ao gabinete do PP também reforçam a conclusão de que os parlamentares detinham o controle de toda a prática delitiva de lavagem de dinheiro, uma vez que as datas e valores eram ajustadas com o petista e Simone.

17h52 – Nas ocasiões em que esteve com Simone, não houve envio de documentos do Banco Rural. Assim, fica comprovada a operação de lavagem de dinheiro envolvendo Genu, Janene, Corre e Henry. “Genu foi intermediário dos recebimentos e, sabedor da origem do dinheiro, foi executor do crime de lavagem de dinheiro que envolve os réus do PP”, aponta Barbosa.

17h48 – Para o relator, está comprovada a formação de um esquema de lavagem de dinheiro. A falta de um recibo não é o bastante para afastar a materialidade do crime, segundo alega a defesa. Barbosa cita os depoimentos de Simone Vasconcelos confirmando que repassou dinheiro a Genu.

17h45 – Barbosa volta a dizer que as evidências presentes nos autos comprovam a materialidade do crime cometido pela cúpula do PP. Segundo o relator, Henry, Janene e Correa tinham a decisão final no caso. Os acusados negam ter recebido as quantias.

17h40 – As provas, diz Barbosa, confirmam a tese acusatória. Ele cita laudos nos quais são demonstrados emails em que João Cláudio Genu é citado como um dos sacadores do dinheiro no Banco Rural.

17h36 – “Os réus do PP receberam milhões de reais em espécie sem deixar praticamente nenhum rastro no sistema bancário do país”, diz Barbosa. Ainda segundo o relator, a cúpula do partido empregou ainda uma nova sistemática de lavagem de dinheiro, por meio da Bônus Banval. A empresa recebia recursos do Tolentino e de Valério e utilizava uma conta para “lavagem interna” ou distribuía os valores aos membros do PP.

17h33 – O relator descreve o modus operandi em resumo: Delúbio Soares apontava quem deveria ser o beneficiário ao publicitário Marcos Valério, que por sua vez emitia um cheque em nome de sua agência e informava ao Banco Rural quem deveria recebê-lo. As quantias seriam para pagamento de recursos de campanha, segundo o esquema. A SMP&B aparecia como sacadora e beneficiária da quantia e o dinheiro era recebia por saques na boca do caixa ou repassado por Simone Vasconcelos.

17h30 – Barbosa aponta que os réus ligados ao PP sabiam da origem do dinheiro e enviavam Genu para sacar o dinheiro. Ele foi intermediário dos demais réus em cinco repasses do PT pelo mecanismo de lavagem. Além de Genu, funcionário da Bônus Banval também foram usados pela cúpula do PP para receber os repasses.

17h27 – A sessão é retomada.

16h30 – Sessão suspensa por 30 minutos. Barbosa vai falar do crime de lavagem de dinheiro após o intervalo.

16h27 – “Não houve, por qualquer motivo, além da fidelidade de Pedro Correa, Pedro Henry, José Janene e João Cláudio Genu que explicasse o interesse do PT em realizar os repasses milionários aos parlamentares do PP, tal como confessado pelos réus Marcos Valério e Delúbio Soares”, diz o ministro. Os réus receberam o dinheiro por causa de suas funções como deputados, o que configura vantagem indevida, segundo Barbosa.

16h22 – Barbosa agora cita uma série de depoimentos dos acusados do PP sobre o recebimento das quantias e do apoio conferido ao PT. Eles confirmaram o recebimento de alguns valores, mas não negaram que tratava-se de verba em troca de apoio parlamentar. Algumas vezes não disseram para que o dinheiro serviria.

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16h19 – “O dinheiro foi repassado pelo PT depois da reorientação da bancada do PP por parte do deputado Pedro Henry”. Henry, como líder do partido, foi fundamental na divisão de tarefas estabelecida para a prática criminosa, de acordo com Barbosa. As votações demonstram a influência exercida pelos pagamentos.

16h17 – A “doação” ao PP, diz Barbosa, estava vinculada o apoio que o PT pretendia na Câmara dos Deputados. “Nem aliança entre os partidos ocorreram”, continua o relator.

16h15 – “Não existia qualquer outro motivo pelo qual o PT tivesse interesse em financiar o PP naquele momento, a não ser o apoio parlamentar”, aponta Barbosa, dizendo que configura-se aí o crime de corrupção.

DIREITO GV – O ministro relator Joaquim Barbosa iniciou a leitura de seu voto em relação ao item 6 da denúncia da Ação Penal 470. O item descreve as supostas condutas praticadas pelos núcleos político e financeiro, especificamente aquelas relacionadas à compra de votos de parlamentares da Câmara dos Deputados. De acordo com Joaquim Barbosa, as defesas dos acusados sustentam que várias testemunhas afirmaram nunca ter ouvido falar em compra de votos na Câmara. Contudo, o ministro rebate este argumento, ao afirmar que estes depoentes não testemunharam os pagamentos realizados.  Além disso, a confirmação de que vultosas quantias em espécie foram entregues a parlamentares teria sido obtida por meio de confissão de alguns réus, mas também por laudos periciais, recibos informais, e-mails, além de declarações de testemunhas. 

16h10 – Há parlamentares que negam os recebimentos, mas os documentos comprovam que eles foram feitos. Simone Vasconcelos, por exemplo, confirmou ter feito repasses aos assessores dos acusados.

16h07 – “O apoio dos parlamentares acusados não se resumiu às votações na Câmara. Aquele foi apenas o momento crucial do acordo solicitado do PT. Os deputados do PP praticaram atos de ofício. Coube ao acusado Pedro Henry orientar os votos dos demais deputados no sentido daqueles que efetuaram os pagamentos”, aponta Barbosa.

16h04 – O ministro volta a relacionar os repasses feitos pela agência SMP&B aos deputados do PP, dizendo que isso mostra não foi o PT quem pagou – ao menos diretamente – o PP para custear os gastos do deputado acreano. Ele lembra ainda que as votações em que o PP apoiou o PT ocorreram na mesma época em que foram efetuados os pagamentos.

16h01 – Barbosa: “Não houve aliança política, mas ainda assim houve repasse de milhões e milhões”.

15h59 – Barbosa, ainda rebatendo a defesa, afirma que o PP não fez alianças com o PT em quase nenhum município.

15h57 – “A finalidade em que os recursos foram entregues é irrelevante para a consumação do crime de corrupção”, diz Barbosa, rebatendo a afirmação da defesa de Pedro Henry de que o dinheiro serviria para pagar gastos de advocacia de um deputado do Acre.

15h55 – Ao contrário do que alegam as defesas de Pedro Corrêa e Pedro Henry, o PP fazia oposição ao PT na época do esquema. Após as datas em que os pagamentos teriam sido efetuados, o partido começou a seguir o governo nas votações na Câmara. “Fica comprovado assim que os parlamentares prestaram seu apoio ao PT após receberem o dinheiro”, diz o relator do processo.

15h54 – “Marcos Valério foi o elo entre todos esses parlamentares e o PT, representado na pessoa de Delúbio Soares, que decidia quem receberia os pagamentos”, diz Barbosa.

15h51 – Em depoimento, o ex-deputado José Janene disse que o acordo entre os partidos previa o envio de verbas do PT ao PP em troca de apoio. Não havia estabelecimento de valores específicos e o acordo foi discutido entre as cúpulas partidárias, com participação dos presidentes.

15h47 – Testemunhas disseram que o PP não se aliou ao PT, apesar de divergências ideológicas – o partido inclusive chegou a apoiar o PSDB nas eleições de 2004. Delúbio, em depoimento, por sua vez, negou que o PP fosse adversário do PT. Segundo Barbosa, porém, ficou provado que os deputados progressistas receberam dinheiro do PT.

15h44 – Ele passa a tratar agora do subitem de corrupção e começa pelo PP, que teria recebido R$ 4,1 milhões, de acordo com Marcos Valério.

15h40 – Mais uma vez, Barbosa cita os deputados que teriam recebido dinheiro em espécie e também aqueles que contaram com apoio de assessores.  O ministro lembra que esses parlamentares tinham poder de influência em seus partidos e na Câmara, podendo orientar outros deputados a votar de acordo com o que o governo desejava.

15h37 – Simone Vasconcelos fez o pagamento a vários dos parlamentares. Segundo ela, os cheques foram emitidos a mando de Valério para o PT. Após o esclarecimento de que tratava-se de dinheiro de “empréstimos do PT”, os outros dois sócios, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, assinavam o documento.

15h35 – Delúbio Soares, lembra Barbosa, afirmou que a lista entregue por Marcos Valério sobre os parlamentares que receberam dinheiro é verdadeira. Segundo o ex-tesoureiro do PT, foram mais ou menos R$ 55 milhões. Os deputados eram presidentes, vice-presidentes de diretórios partidários nacionais ou líderes de bancadas na Câmara. Os pagamentos começaram em fevereiro de 2003.

15h33 – Ele afirma que os repasses da Valério foram feitos em diferentes  modalidades – por meio de saques de representantes dos deputados nas agência do Banco Rural ou por meio de entrega feita por Simone Vasconcelos pessoalmente.

15h30 – Barbosa cita os depoimentos nos quais Jefferson citou os deputados publicitários e agentes envolvidos no esquema. “Tudo muito bem documentado nos autos”, segundo o revisor. Para ele, apesar das defesas alegarem que o mensalão é uma invenção de Jefferson, está claro que não se trata de mera vingança política, embora este possa ser o motivo que levou o ex-deputado do PTB a abrir os segredos do esquema.

15h28 – Tanto Valério quanto Delúbio Soares alegaram ser amigos, mas negaram ter repassado recursos para políticos após as declarações feitas por Roberto Jefferson que acabaram trazendo o esquema à tona.

15h27 – “Ajuda de campanha também configura vantagem indevida a parlamentar”, diz Barbosa, referindo-se ao crime de caixa dois, admitido por vários dos advogados de defesa dos réus.

15h25 – Barbosa, lembra que várias pessoas do governo, inclusive o ex-presidente Lula, foram informados por Roberto Jefferson do pagamento a deputados em troca de apoio ao governo na Câmara. “O esquema não era desconhecido”, aponta o relator.

15h20 – As defesas alegam que várias testemunhas afirmaram nunca terem ouvido falar em compra de votos na Câmara dos Deputados, mas Barbosa lembra que muitas delas eram amigos dos deputados de mais de 40 anos. As testemunhas, porém, não  presenciaram os saques, os repasses e os demais fatos em julgamento cuja materialidade está provada nos autos, diz Barbosa. O relator diz que essas testemunhas pouco contribuem para o esclarecimento dos fatos. Ele admite que algumas informações podem ser úteis, desde que estejam em harmonia com as demais evidências.

15h16 – Mais uma vez relaciona outros deputados que receberam quantias e toma como exemplo também a emenda da reforma tributária. Poucos deputados dos partidos envolvidos – PT, PMDB, PL e PTB – votaram contra. As legendas, juntas, garantiram mais de 170 votos em favor da reforma. Os pagamentos que garantiram o apoio parlamentar ocorreram duas semanas antes e duas semanas depois do dia da votação.

15h14 – O ministro volta ao caso da reforma da previdência, dizendo que mais de 150 votos a favor da reforma foram dados por deputados de partidos para os quais foram feitos pagamentos. O apoio foi fundamental para passar a reforma.

15h11 – Barbosa lembra que Marcos Valério listou os pagamentos aos debutados. O relator relaciona os pagamentos a Valdemar da Costa Neto, aos deputados do PP, do PTB e do PL.

15h09 – Vários deputados  – quase todos, na verdade – das bancadas dos parlamentares envolvidos no esquema votaram em favor do projeto de leis, diferentemente da orientação do governo.

15h06 – A reforma da previdência, diz Barbosa, foi uma das principais votações que demonstram o apoio dos parlamentares comprados pelo PT ou até mesmo das bancadas presididas ou dirigidas por esses deputados. As votações ocorreram justamente na época em que os pagamentos foram feitos. A relação dos votos dos deputados foi usada pela denúncia para exemplificar o apoio dos deputados comprados ao governo. E Barbosa cita mais exemplos, como o projeto de lei de falências.

15h04 – Roberto Jefferson, Valdemar da Costa Neto, Romeu Queiroz, Emerson Palmieri e outros parlamentares foram citados por Marcos Valério nesses depoimentos. O publicitário disse que os pagamentos referem-se a pagamentos de dívidas de campanha e repetiu que o dinheiro é originário de empréstimos tomados junto ao Banco Rural.

15h03 – Valério, ainda em depoimento, disse que o PTB recebeu R$ 10 milhões e que o PL teria recebido R$ 400 mil. Todos os repasses foram feitos a pedido de Delúbio.

15h01 – O revisor novamente diz que Delúbio Soares reconheceu como verdadeiro o repasse aos deputados. Durante dois anos o PT distribuiu verbas em valores e momentos distintos. Valério, em juízo, confirmou ter efetuado a entrega do dinheiro várias vezes. Segundo ele, o PP recebeu R$ 4,1 milhões a mando de Delúbio Soares. A origem do dinheiro, era o empréstimo tomado junto ao Banco Rural.

15h00 – Para Barbosa, o esquema ficou comprovado, mas ficaram duas questões. Os repasses foram feitos com fins políticos? Quem foram os autores dos crimes de corrupção?

14h59 – O relator lembra que, em depoimento, Delúbio Soares disse que o PT repassou R$ 8 milhões para o PP, R$ 4 milhões para o PTB, R$2 milhões para o PMDB e entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões para o PMDB.

15h58 – “O pagamento dos valores aos parlamentares foi admitido por Marcos Valério e pelos próprios parlamentares”, diz Barbosa em seu voto.

14h54 – “O denominado núcleo político partidário comprou apoio político”, diz Barbosa. O ministro diz que é preciso identificar onde e como cada um dos denunciados agiu para que fosse considerado parte no esquema.

14h50 – Barbosa diz que a alegação da defesa de que houve concurso de agentes quanto ao crime de formação de quadrilha é improcedente. O ministro aponta que há indícios o suficiente para apontar a materialidade do crime e, portanto, ter início à ação penal.

14h47 – “Os acusados receberam elevadas quantias em espécie sem qualquer registro formal de contabilidade ou transação bancária”, diz Barbosa, citando a denúncia.

14h43 – O ministro relator lembra que o capítulo 6 é bastante extenso e que é subdividido em subitens.

14h41 – Ele lembra que a Corte rejeitou as acusações de corrupção ativa imputadas a Silvio Pereira, Rogério Tolentino e José Genoíno.

14h39 – O relator lista cada um dos réus envolvidos nesta fatia e os crimes que teriam cometido.

14h36 – Barbosa lembra que a sessão começa a tratar sobre o item 6, que fala sobre os pagamentos aos parlamentares e outros agentes do governo envolvidos no esquema do mensalão. Ao todo, são 23 réus.

14h33 – Ayres Britto faz um breve resumo sobre o julgamento do último item da denúncia.

14h30 – Carlos Ayres Britto abre a sessão desta segunda-feira, 17 de setembro.

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