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Demóstenes vai à CPI do Cachoeira, mas fica em silêncio

Lilian Venturini

31 Maio 2012 | 09h40

do estadão.com.br – atualizado às 11h28

A sessão desta quinta-feira, 31, da CPI do Cachoeira durou apenas 30 minutos e foi encerrada sem que os parlamentares fizessem perguntas ao senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO). Em um clima tenso, deputados e senadores criticaram a conduta do senador, que fez uso do direito constitucional de permanecer em silêncio, e da presidência da comissão por liberá-lo. Houve intensa discussão e a sessão foi encerrada.

“Anteontem (terça-feira) prestei depoimento por mais de cinco horas no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado cuja pertinência temática é a mesma desta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito”, justificou o senador no início da sessão. A conduta de Demóstenes já havia sido antecipada pela sua defesa, que chegou a pedir o cancelamento da convocação.

A exemplo dos demais depoentes, a presidência da CPI iria liberá-lo, mas diante da reação negativa dos parlamentares, decidiu abrir para participação dos deputados e senadores. Primeiro a dirigir a palavra a Demóstenes, o deputado Silvio Costa (PTB-PE), em tom agressivo, fez duras críticas ao senador. “O seu silêncio é a mais perfeita tradução da sua culpa. Seu silêncio escreve em letras garrafais: eu Demóstenes Torres sou sim membro da quadrilha de Cachoeira. Eu, Demóstenes Torres, sou sim o braço legislativo da quadrilha de Cachoeira”, disse aos gritos.

Antes que o deputado terminasse de falar, o senador Pedro Taques (PDT-MT) interveio, afirmou que a conduta do deputado era inconstitucional e solicitou que a comissão liberasse Demóstenes, a exemplo da conduta adotada com os demais depoentes. A fala do senador deixou o deputado Silvio Costa ainda mais irritado. Eles discutiram e, em meio ao bate-boca, o presidente da comissão, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) encerrou a sessão.

O silêncio do senador Demóstenes foi criticado também pelo relator da CPI, o deputado Odair Cunha (PT-MG), para quem a conduta confirma as suspeitas de envolvimento do parlamentar com o contraventor Carlinhos Cachoeira. “O silêncio de vossa excelência não é o silêncio dos inocentes”, afirmou.

Governadores. A comissão anunciou no início da sessão que foram marcadas para os dias 12 e 13 de junho, respectivamente, as convocações dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).

Abaixo, os principais momentos da sessão:

11h04 – O senador Pedro Taques (PDT-MT) interveio e criticou a conduta do deputado e exigiu que a comissão liberasse Demóstenes, a exemplo do que fez com os demais. O presidente da comissão acatou o pedido e liberou Demóstenes. O deputado Silvio Costa, exaltado, criticou a conduta da CPI. A sessão foi encerrada na sequência.

10h57 – O presidente da comissão iria liberar o senador Demóstenes da sessão (como foi feito com os demais depoentes), mas os parlamentares reagiram de forma contrária. O deputado Silvio Costa (PTB-PE) foi o primeiro a dirigir a palavra a Demóstenes. Em tom agressivo, Silvio Costa criticou o silêncio do senador. “(Seu silêncio diz:) Eu sou, sim, membro da quadrilha de Cachoeira”.

10h51 – O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), ressaltou que não serão feitas perguntas ao senador, mas abriu a participação de parlamentares. Demóstenes continua na sala onde é realizada a sessão.

10h47 – Senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) tem a palavra nesse momento. Parlamentar explica que, em decisão acordada com sua defesa, ele ficará em silêncio, já que prestou depoimento há dois dias no Conselho de Ética e que o conteúdo do seu depoimento será disponibilizado por escrito à CPI.  “Anteontem prestei depoimento por mais de cinco horas no Conselho de Ética do Senado, cuja pertinência temática é a mesma desta comissão”, afirmou.

10h44 – Senador Álvaro Dias pede a convocação urgente de Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, empresa que estaria envolvida no esquema de Carlinhos Cachoeira. O presidente da CPI informou que o pedido será votado na próxima reunião administrativa, possivelmente na terça-feira, 5 de junho.

10h42 – A comissão já marcou para os dias 12 e 13 de junho, respectivamente, a convocação dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).

10h37 – O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), abre a sessão. É a 11ª reunião da comissão.

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