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Servidores fazem campanha para senadores no Congresso

Jennifer Gonzales

03 de agosto de 2010 | 21h03

Carol Pires

Aproveitando o Senado cheio de parlamentares – reunidos para uma semana de esforço concentrado de votações – vários senadores decidiram levar para o parlamento equipes de TV para gravar com outros senadores mensagens de apoio às suas candidaturas. Em algumas dessas equipes, a reportagem flagrou pessoas caracterizadas com crachás da Câmara e do Senado trabalhando para a campanha eleitoral.

O senador Magno Malta, candidato à reeleição pelo PR do Espírito Santo, por exemplo, é o contratante de uma dessas equipes. A servidora comissionada Janaina Oliveira, que trabalha no gabinete do senador, passou parte da noite gravando com senadores mensagens para Malta.

A servidora gravava uma entrevista com o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) sobre os feitos de Magno Malta no último mandato quando foi abordada pela reportagem, por volta das 20h. Ela confirmou o vínculo com a Casa, mas alegou que o horário de trabalho terminou às 18h e que estava ajudando o senador “por lealdade”.

Ao ser abordado sobre o assunto, Malta se irritou e mandou Janaina voltar para o gabinete. “Fique lá no gabinete. Se você está cometendo um crime, então fique no gabinete”, gritou o senador para a servidora. No sistema do Senado, Janaina aparece lotada na liderança do PR como servidora dispensada de registrar ponto eletrônico, o que significa que ela não recebe hora extra.

Uma equipe do senador Flexa Ribeiro, do PSDB do Pará, também tem equipe de gravação com servidores caracterizados trabalhando. Um deles, o assessor de imprensa do senador, Daniel Nardin, disse que pediu exoneração do Senado no último dia 1º, mas o nome dele não aparece nos últimos boletins de pessoal.

Flexa Ribeiro disse que o servidor dele estava usando o crachá de assessor apenas para ter acesso livre ao plenário para buscar os parlamentares que iriam gravar mensagens. “Vá procurar cabelo na cabeça de outro ovo”, respondeu o senador. Ainda uma segunda servidora identificada com crachá funcional estava ajudando na gravação das entrevistas, mas não quis informar seu nome.

Ao ser confrontado com a informação de que a servidora também havia sido flagrada fazendo trabalho de campanha, Flexa a mandou voltar para o gabinete.

Há uma semana, levantamento feito pelo Estado identificou a transferência de servidores registrados em Brasília para os redutos eleitorais dos senadores. A reportagem constatou que, dos 53 senadores que disputam as eleições, 33 aumentaram o quadro de servidores de confiança entre julho de 2009 e julho de 2010 e transferiram a maioria para os Estados.

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