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Serra vai rebater ataques a FHC

Jennifer Gonzales

05 de agosto de 2010 | 10h03

Julia Duailibi e Christiane Samarco

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, foi preparado por uma equipe de oito pessoas para responder a ataques da adversária Dilma Rousseff (PT), a respeito de sua participação no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Na avaliação dos tucanos, a petista vai criticar a gestão FHC e compará-la aos números positivos do governo Luiz Inácio Lula da Silva. A armadilha, segundo integrantes da campanha, será associar Serra a “passivos” do governo anterior.

Os estrategistas da campanha também querem que Serra não seja agressivo. Avaliam que o ideal é que o candidato seja “light”, aproveitando a experiência que adquiriu nas eleições anteriores para esbanjar segurança e clareza.

Serra se reuniu nas noites de sábado e de domingo, em seu escritório em Pinheiros, na capital paulista, com os marqueteiros Luiz Gonzalez e Woile Guimarães, o estrategista Felipe Soutello, a coordenadora da campanha na internet, Soninha Francine, e o sociólogo Eduardo Graeff para discutir o debate.

Também estavam no grupo integrantes da equipe do tucano no Palácio dos Bandeirantes e na Prefeitura de São Paulo. Levaram dados da gestão de Serra na capital e no Estado – avalia-se que grande parte das críticas da adversária será dirigida à administração Serra em São Paulo.

Na noite de ontem, estava previsto outro encontro para definir pontos do debate, como as perguntas que o tucano fará à petista.

Os tucanos querem explorar temas polêmicos para o PT, como a relação do partido com o Movimento dos Sem-Terra. Mas a avaliação dos tucanos é que as perguntas desse assunto não devem ser feitas diretamente por Serra para não soar provocação. A tese é de que esses temas surgirão naturalmente, colocados pelos outros candidatos ou pelos jornalistas presentes no encontro. Serra, avaliam, deveria aproveitar os momentos de tréplica para lançar assuntos sobre os quais Dilma não poderá dar a palavra final.

A orientação é evitar confronto e ganhar espaço, em um debate ameno, para ser propositivo. Segundo assessores, Serra tem de mostrar que “tem mais ideias, que as ideias são concretas e que tem mais experiência para governar melhor”. Para isso, dizem, o ambiente de confronto não ajudaria o candidato.

Os próprios tucanos, no entanto, fazem uma ponderação. Um debate, por mais calculado que seja, nem sempre transcorre do modo esperado. E, às vezes, a troca de acusações foge do controle. De qualquer maneira, serão feitas pesquisas qualitativas no decorrer do programa. A reação dos grupos servirá para balizar o comportamento de Serra no debate.

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