Rivais fazem ‘terrorismo’ com privatizações, diz Serra em sabatina
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Rivais fazem ‘terrorismo’ com privatizações, diz Serra em sabatina

Armando Fávaro

21 de junho de 2010 | 10h39

Por André Mascarenhas

Com demonstrações de bom humor e até um pedido de “perdão” por ter se atrasado, o tucano José Serra criticou, em sabatina na manhã de hoje, o que classificou como “terrorismo” feito por adversários em torno da questão das privatizações no debate eleitoral. Para o candidato do PSDB à Presidência da República, o tema “é um falso assunto”.

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Foto: Sérgio Castro/AE

Questionado sobre se há espaço para mais privatizações no País, o tucano disse “não ver muito”, negou qualquer intenção de privatizar a Caixa Econômica Federal ou o Banco do Brasil e defendeu que o governo tenha instrumentos para atuar no mercado financeiro. Como fez no último sábado, na gravação do programa Roda Viva, o tucano voltou a criticar os empréstimos públicos, feitos pelo BNDES, para a fusão de empresas privadas. Ainda assim, garantiu ser um defensor do banco estatal. “Eu criei o Fundo de Amparo ao Trabalhador”, disse, sobre um dos fundos que garantem recursos à instituição.

Ainda assim, ele defendeu o modelo paulista de concessão de rodovias à iniciativa privada. “As duas estradas federais que passam por São Paulo são as piores do Estado”, disse sobre a Régis Bittencourt e a Fernão Dias. “Em SP, 75% dos usuários consideram as estradas (estaduais) paulistas boas ou ótimas. Das dez melhores estradas do Brasil, todas são paulistas”, acrescentou.

Adoção por homossexuais

Na entrevista a jornalistas do jornal Folha de S.Paulo e do portal Uol, Serra disse ser à favor da não obrigatoriedade do voto, contra a descriminalização das drogas e do aborto e defendeu o ensino da “história das religiões” nas escolas públicas. O tucano também defendeu a união civil de homossexuais e a adoção de menores por casais gays, desde que sejam comprovadas as “condições de natureza de psicológicas” dos pais. “Sou, em geral, à favor de políticas afirmativas”, completou, em defesa do modelo de cotas adotada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O candidato do PSDB voltou a exigir um pedido de desculpas de sua principal adversária, a petista Dilma Rousseff, pelo episódio do dossiê contra sua campanha, que teria sido encomendado por petistas. “Por que a Receita Federal, sob o comando de um partido, quebraria o sigilo e deixaria vazar?”, disse o candidato tucano sobre a quebra de sigilo do vice-presidente-executivo do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira. Segundo reportagem, arapongas teriam identificado depósitos de R$ 3,9 milhões na conta do grão tucano. “Acho que, quando há um erro de campanha, tem que se desculpar. O que não pode acontecer é culpar a vítima”, completou.

O candidato do PSDB também teve que se defender das acusações de que estaria fazendo uma “tabelinha” com candidata do PV à Presidência, Marina Silva, que, segundo analistas, estaria se indispondo menos com ele do que com Dilma. “Eu adoraria ser o herdeiro, mas a decisão não é minha”, diz Serra sobre um eventual apoio da candidata do PV no segundo turno. “Eu me considero um ambientalistas. Isso pode ter uma consequência mais tarde.”

Política econômica

Serra procurou pontuar as diferenças entre sua visão de política econômica em relação a do atual governo. Ele criticou a elevação das despesas do governo e a falta de investimentos públicos para fomentar o desenvolvimento. Segundo o candidato, sua gestão não pôde construir um trem rápido ligando o aeroporto de Cumbica ao centro de São Paulo pelo fato de o governo federal não ter construído um novo terminal.

O tucano também criticou a política de elevação de juros para a contenção da inflação. “O Brasil tem três ou quatro recordes de que eu me envergonho: as altas taxas de juros e impostos, a ‘lanterninha’ nos investimentos governamentais e a maior hipervalorização da moeda do mundo”, disse. “Tem um certo arranjo aí que não funciona, e que eu me proponho a consertar”, completou.

Ofensiva na mídia

O tucano também aproveitou a sabatina para cutucar Dilma. “Vemos que esse tipo de debate não arranca pedaço de ninguém”, disse Serra numa referência implícita ao fato de Dilma ter cancelado sua ida à sabatina. Na semana retrasada, ela desistiu de participar do evento para realizar um tour pela Europa. Marina também foi sabatinada pelo jornal.

Além da sabatina, a ofensiva de Serra na mídia ganhará mais um reforço esta noite, quando irá ao ar o programa Roda Viva com o tucano.

O Radar Político acompanhou a sabatina em tempo real. Confira os principais momentos:

13h33 – Serra usa a palavra final para se desculpar do atraso e cutucar sua adversária: “Vemos que esse tipo de debate não arranca pedaço de ninguém”.

13h32 – Para terminar a sabatina, os jornalistas fazem o “pinga-fogo” com o candidato. Veja as opiniões de Serra, em poucas palavras:

Voto obrigatório: “Eu preferiria (o voto) voluntário”

Candidaturas avulsas: “Não tem como. Como você vai regulamentar?”

Descriminalização das drogas: “Não sou a favor. De nenhuma”

Educação religiosa: “O Brasil é um estado laico, apesar de Deus ser citado na Constituição. Acho que, em escola pública, deveria ter, no máximo, um curso sobre a história das religiões.”

Descriminalização do aborto: “Eu não mexeria na atual legislação.” “Acho que o País não tem condições para isso.”

Noite ou dia: “Pra humanidade dia, pra mim, um pouco mais de noite.”

Redução da maioridade penal: “Eu sou contra, mas à favor da proposta de poder reter por mais tempo o adoslescente perigoso.”

Presidencialismo ou parlamentarismo: “Parlamentarismo”

Presença de FHC na campanha: “Na minha vida, sempre. Na campanha, depende dele.”

Problemas com o relógio: “Eu detesmo me atrasar. Mas tem uma coisa. Quando eu chego na hora, não acontece nada. Mas eu sofro também.”

Pena de morte: “Contra, totalmente. Inclusive que se faça um plebiscito sobre isso”.

Autonomia do Banco Central: “Operacional, sim.”

Exclusão do Morumbi da Copa: “Por mim teria feito no Morumbi. As obras que caberiam ao governo do Estado nos nos comprometeríamos. Eu acho que há muita exigência também.”

Hugo Chávez: “Eu não vou ficar falando da vida dos outros. Dá muita confusão, protestos diplomáticos. Eu gosto da Venezuela, dei aula lá.”

Internet banda larga:  “Ainda não tenho uma opinião formada. Vai custar R$ 15 bilhões. De onde vai sair esse dinheiro?”

13h18 – “Eu sempre defendi que seja levantado o embargo econômico a Cuba”, diz Serra ao ser questionado sobre as relações internacionais do Brasil. Ele critica, entretanto, o Irã. “Eu não faria essa negociação”, diz. “Não confiaria nesse parceiro. Guardando as proporções, seria o mesmo que apoiar Hitler”, acrescenta.

13h15 – Aproveitando o gancho da declaração “eu me considero um ambientalista”, Serra é questionado sobre as mudanças no código ambiental. O candidato diz que não há verdade absoluta nesse assunto e defende um modelo em que produção e preservação sejam equilibrados.

13h11 – “Eu adoraria ser o herdeiro, mas a decisão não é minha”, diz Serra sobre um eventual apoio da candidata do PV Marina Silva no segundo turno. Serra se defende das acusações de que estaria fazendo uma “tabelinha” com Marina, que segundo analistas, estaria se indispondo menos com ele do que com Dilma. “Eu me considero um ambientalistas. Isso pode ter uma consequência mais tarde”, diz. Ele acrescenta ter um “grande respeito” e “orgulho” de compartilhar a mesma geração com o candidato do PV ao governo do Rio, Fernando Gabeira.

13h06 – Serra volta a usar o exemplo da celulose, que tem o menor custo fixo do mundo no Brasil, para criticar a “desindustrialização” do País. “Estamos agora nos especializando em vender celulose para a China. E eles vendem o papel para o Brasil. Quase 40% do papel é importado. Isso é absurdo”, diz. Sobre que resposda dar a essa dinâmica, Serra defende uma política de defesa comercial mais forte. “Nós reconhecemos a China como economia de mercado sem ganhar nada em troca por isso”, diz.

13h02 – “As duas estradas federais que passam por São Paulo são as piores do Estado”, diz Serra sobre a Régis Bittencourt e a Fernão Dias. Questionado sobre os altos preços dos pedágios no Estado, o candidato afirma ter mudado em sua gestão essa política, aliviando o valor para os usuários. “Em SP, 75% dos usuários consideram as estradas paulistas boas ou ótimas. Das dez melhores estradas do Brasil, dez são paulistas”, acrescenta.

12h57 – Serra volta a criticar o crescimento das despesas do governo, sem aumentar investimentos. O candidato diz que não pôde fazer em seu governo um trem rápido para o aeroporto de Cumbica pelo fato de o governo não ter construído um novo terminal no aeroporto.

12h54 – “Luta armada, eu nunca acreditei. Tem amigos meus aqui que acreditaram”, diz Serra sobre a ditadura.

12h50 – Serra diz ser favorável à adoção de crianças por casais homossexuais, “se houver condições de natureza de psicológicas”. “Sou, em geral, à favor de políticas afirmativas”, completa.

12h43 – “Eu jamais governei com contrapesos. Isso é ineficiente e prejudica a administração. Eu quero equipes entrosadas”, diz Serra ao ser incitado a explicar a declaração de que o “Banco Central não é a Santa Sé”. Serra diz que fará o governo pensando nos trabalhadores e nos “desamparados”, e que a aliança com a setores produtivos será para beneficiar essas classes.

12h41 – “Qualquer país do mundo, quando o governador é candidato, ele deixa o mandato”, diz Serra, ao responder um internauta que pergunta se a inconclusão de mandatos por ele demonstra uma “sede de poder”.

12h37 – Perguntam como o ex-governador de São Paulo fará para convencer o eleitor satisfeito com Lula a votar nele. “A quem cabe julgar a biografia dos candidatos é o povão e os jornalistas”, diz, depois de se colocar como um político experiente.

12h33 – Serra critica a política de elevação de juros para a contenção da inflação.”O Brasil tem três ou quatro recordes de que eu me envergonho: a taxa de juros, os impostos, é lanterninha na taxa de investimentos governamentais e a maior hipervalorização da moeda do mundo”, diz sobre a política econômica. “Tem um certo arranjo aí que nao funciona, que eu me proponho a consertar.”

12h25 – Questionado por um internauta se recriaria a CPMF, Serra lembra que o imposto cassado pelo Congresso não estava sendo aplicado como deveria, voltado para a Saúde. O candidato aproveita o tema para falar sobre sua ideia de uma reforma tributária. Ele propõe colocar os impostos pagos nas embalagens dos produtos. E diz que não é necessário reformar a Constituição para aprovar mudanças. Ele critica o projeto do governo, dizendo que criaria uma guerra fiscal. “O Brasil tem a maior carga tributária do mundo em desenvolvimento, sem serviços a altura”, diz. O candidato defende enxugar os custos do governo federal. Outra proposta do tucano é eliminar os imostos das empresas de saneamento, em troca de investimentos no setor à fundo perdido. Por fim, diz que irá criar a “nota fiscal brasileira”, no mesmo modelo da nota fiscal paulista.

12h20 – Para Serra, o tema privatizações “é um falso assunto”. Questionado sobre se vê espaço para mais privatizações, o tucano diz “não ver muito”. Ele critica o “terrorismo” que é feito com essa discussão e nega qualquer intenção de privatizar a Caixa Econômica Federal ou o Banco do Brasil. Ele defende que o governo tenha instrumentos para atuar no mercado financeiro. O candidato voltou a criticar os empréstimos públicos, feitos pelo BNDES, para a fusão de empresas privadas. Mas garante ser um defensor do BNDES. “Eu criei o Fundo de Amparo ao Trabalhador”, diz sobre um dos fundos de capitalização do banco.

12h15 – “Só pode virar candidato em julho. É uma distorção”, diz Serra ao ser questionado sobre o programa do PSDB da semana passada, em que ele foi o único político a aparecer. “Uma coisa é você usar o candidato na propaganda do partido. Outra é usar a máquina estatal para promover um candidato”, completa. Serra diz que o governo comete avusos ao usar a máquina, mas desconversa ao ser perguntado sobre se a propaganda do PSDB foi irregular.

12h12 – “Por que a Receita, sob o comando de um partido, quebraria o sigilo e deixaria vazar?”, diz Serra sobre a quebra de sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, no caso do Dossiê. “Acho que quando há um erro de campanha, tem que se desculpar. O que não pode acontecer é culpar a vítima.”

12h09 – “Eu acho que à cassação do Jackon Lago e do Cássio Cunha Lima foi absurda”, diz ao ser questionado se a Lei da Ficha Limpa irá embaralhar sua política de alianças em alguns estados.

“O Jackson foi cassado porque o então governador o apoiava, estavam os dois em uma solenidade e o governador anunciou não sei o que. Ele e outros já foram cassados, já foram punidos. Diante da interpretação do TSE, acho que cada caso vai ser tratado isoladamente”, completa.

12h06 – Perguntado sobre a política do governo federal contra o crack, Serra diz que deve “haver um plano nacional muito mais abrangente do que isso. E tem que combater o tráfico. Com relação aos anos 80, o preço da cocaina caiu 50 vezes”, diz o candidato. Segundo ele, o programa para oferecer leitos em hospitais públicos para dependetes químicos foi uma novidade de seu governo em São Paulo.

12h02 – Questionado sobre qual seria a marca de seu governo em SP, Serra diz discordar de que tenha que haver uma marca. “Acho que minha marcar foi o trabalho”, diz. Ele aproveita para dizer que sua gestão no Ministério da Saúde não teve uma, mas várias marcas. “Fui eu que criei a campanha de vacinação da gripe comum. Até disseram que era porque eu era hipocondríaco”, acrescenta, arrancando risos da plateia.

12h00 – “Tem tanta coisa maluca espalhada”, diz Serra sobre o que classifica como manipulação de dados para combater sua candidatura. “Dizem que eu vou acabar com o Pro-Uni”, diz, para acrescentar que pretende criar o “Pro-Uni técnico”, para estudantes de ensino técnico.

11h52 – “Eu não curto me ver na televisão”, diz ao justificar não ter assistido ao programa do PSDB da semana passada. O entrevistador lê declarações de Serra sobre o Bolsa Família, que o tucano tem defendido na campanha. Segundo o jornalista, Serra, como aliados, criticavam o programa. “É uma pena que você tenha deixado de pesquisar sem ver o que Lula falou sobre o programa antes de ser presidente. Ele chamou de bolsa-esmola”, responde Serra, tirando aplausos da plateia. Serra ressalta ter criado, enquanto ministro, o Bolsa Alimentação para combater a desnutrição. Ele usa o discurso de que foi o governo de Fernando Henrique Cardoso que criou os programas sociais ampliados por Lula. “Esse programa já tinha 1,5 milhão de famílias. O Bolsa Escola (programa do governo FHC) já devia ter 3 ou 4 milhões. O Bolsa Família juntou tudo isso. O Lula chamou de bolsa esmola”, defende-se Serra.

11h50 – “A saúde foi para trás”, diz Serra ao ser questionado se se colocaria como um candidato continuista, dada a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele critica a educação “que vai mal segundo números do próprio governo” e as políticas de segurança do governo federal.

11h47 – Serra critica o fato de o governo ter levantado a questão do pré-sal em ano eleitoral. “Falam como se o pré-sal estivesse aí na esquina”, diz. Ao ser questinado se concorda com a lei aprovada pelo Congresso, serra diz discordar. “Discordo (da lei). Tira tudo do RJ e ES que estão vivendo disso.”

11h45 – A primeira pergunta, como não poderia deixar de ser, é sobre a vice: “Eu também tenho uma enorme curiosidade”, disse Serra, que defende revelar a escolha só ao fim do prazo. “Falta só uma semana”, completou.

11h41 – Serra aparece e é aplaudido. As perguntas serão feitas pelos entrevistadores, plateia e internautas, que puderam mandar vídeos com as questões.

11h41 – Com os sabatinadores a postos, o candidato é anunciado, mas nada dele aparecer. Na plateia, a reação é de desconforto. Uma pessoa dá uma gargalhada.

11h39 – Os entrevistadores já se encontram no teatro. A sabatina deve começar em instantes.

11h30 – Com trinta minutos de atraso, José Serra está a caminho da sabatina, informam os organizadores do evento. A falta de pontualidade do tucano já é parte do folclore político envolvendo sua figura. Veja um perfil de Serra aqui.

11h10 – Em uma breve entrevista, o candidato do PSDB ao Senado por São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, cutuca Dilma Rousseff: “é importante que todos os candidatos participem.” Na semana retrasada, a petista cancelou sua ida à sabatina com o objetivo de realizar um tour pela Europa, gerando críticas entre os tucanos.

10h59 – Em horário de expediente, autoridades paulistas como o prefeito Gilberto Kassab e os vereadores Mara Gabrilli e Floriano Pesaro, já se encontram no teatro em que acontece a sabatina. Os candidatos ao governo do Estado, Geraldo Alckmin, e ao Senado, Aloysio Nunes Ferreira e Orestes Quércia, também estão na plateia. Entre o público, chama a atenção a grande quantidade de jovens em idade universitária. Militantes do PSDB também se encontram no local: “A militância do PSDB é toda da periferia”, disse vice-presidente do diretório regional do PSDB no Jardim São Luiz, Francisco Pansiga Jr.

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