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Serra rebate Garcia: ‘ele é de direita’

Armando Fávaro

29 Julho 2010 | 16h06

André Mascarenhas

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, voltou a se defender hoje das acusações de que teria abandonado o campo ideológico da esquerda. As declarações, feitas durante sabatina R7/Record News, vêm um dia após o assessor especial da Presidência da República Marco Aurélio Garcia comparar o tucano a um “troglodita de direita”. Para Serra, as acusações são feitas por “gente que é de direita, que não tem nada pra falar e que monta factóides”.

“Troglodita de direita é quem apoia o presidente do Irã, que manda apedrejar mulher adultera”, afirmou o candidato, numa referência às relações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o mandatário iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Ao ser questionado sobre as declarações de Garcia, que também é coordenador do programa de governo de Dilma Rousseff, Serra foi direto: “Ele é de direita.”

Em contrapartida, o tucano procurou definir o que é ser de esquerda. “Uma coisa é certa: quem se acha de esquerda tem de ser defensor de direitos humanos. Eu não teria confiado em Ahmadinejad”, afirmou.

Serra aproveitou o tema para criticar a política de juros do governo federal. “Defender o maior juro real do mundo é ser de esquerda?”, questionou, ironicamente.

O tucano também reiterou as críticas de seu vice, Índio da Costa (DEM), que acusou o PT de ligação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). “O PT errou ao tratar (as Farc) como força política, sendo que é, na verdade, do narcotráfico”, criticou. Serra também negou que sua campanha esteja fazendo “terrorismo eleitoral”, como acusam os adversários. “É o oposto. Eu vivo o tempo inteiro querendo discutir teses”, afirmou. Em seguida, atacou. “Para eles, qualquer coisa que você contrarie é terrorismo.”

Debates

Embora os ataques de Marco Aurélio Garcia tenham permeado boa parte da sabatina, o tucano mostrou contrariedade em continuar no tema. “Eu acho essa discussão direita/esquerda uma bobagem”, disse.

Serra apelou para que o debate eleitoral seja pautado pela discussão de idéias. “Não se debatem temas. Hoje, tem um mecanismo que é uma central de boatos, que espalha coisas”, afirmou. “Há uma fuga do debate não apenas física, mas de ideais”, acrescentou, em referência indireta a Dilma.

O tucano também atacou a política externa do governo Lula, mas negou que suas críticas às relações do governo brasileiro com governos como o do venezuelano Hugo Chávez possam refletir, num eventual governo seu, numa deterioração da posição do País na região. “Você assumir um governo é ter uma política de Estado”, disse Serra ao ser questionado sobre que postura adotaria caso tivesse que sentar em uma mesa de negociações com desafetos da região. Mas não baixou o tom contra o líder venezuelano. “O Chávez é dilmista e o PT é chavista”, alfinetou.

Veja a seguir os principais momentos da sabatina:

18h – Em coletiva após a sabatina, Serra negou que se incomode com o rótulo de candidato de direita. Segundo o candidato, as acusações são feitas a “gente que é de direita e que não tem nada pra falar e que monta factóides”. Serra aproveitou o tema para dizer que a política de juros do governo é dedireita. “Defender o maior juro real do mundo é ser de esquerda?”, questionou, ironicamente.

17h46 – Serra encerra sua participação na sabatina.

17h44 – “Todo mundo quer presidídio. Sabe onde? No município vizinho”, diz Serra ao ser questionado sobre se irá construir mais presídios caso seja eleito. Segundo, ele não foi possível avançar na questão em São Paulo devido às resistências da sociedade e governos locais.

17h42 – Serra critica o programa de governo apresentado pelo PT à Justiça eleitoral, e diz que o seu está em fase de conclusão. “Vamos nos comprometer com metas. O resto é trololó”, afirma.

17h42 – Serra critica o programa de governo apresentado pelo PT à Justiça eleitoral, e diz que o seu está em fase de conclusão. “Vamos nos comprometer com metas. O resto é trololó”, afirma.

17h38 – Serra procura diferenciar as multas eleitorais tomadas pelo PSDB e das do PT. “Essas multas que tem chegado, têm sido multas de estados que expuseram a minha imagem num determinado momento”, diz. “Se foi transgressão, se a justiça determinar, o PSDB paga a multa. Agora, eu quero dizer que não houve uma política deliberada disso.” Para o tucano, há diferença em relação às multas tomadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “As grandes transgressões ocorreram no começo, pelo lado do PT”, afirmou. Após citar um advogado que afirma que “tudo vale a pena quando a multa é pequena”, o tucano concluiu: “Aquele que não segue (a lei) tem uma enorme vantagem, porque a multa é pequena.” Questionado se Luyla estaria transgredindo a lei deliberadamente, Serra foi evasivo: “Eu não sei, mas o fato é que aconteceu.”

17h35 – “Eu sempre disse que não colocaria dinheiro público para a contruir estádio aqui em São Paulo”, diz sobre as previsões de gastos com infraestrutura para a Copa de 2014. Serra defende o investimento em transporte público e na adequação dos entornos dos estádios.

17h31 – Serra critica a reforma da Previdência do governo Lula. Para ele, o aposentado ganha mal e é mal tratado pelo Estado brasileiro. “Tratar melhor é melhorar a aposentadoria”, diz. O candidato propõe a criação de um novo sistema voltado para quem ainda não entrou no mercado de trabalho, com a manutenção do atual para quem já contribui com o INSS.

17h26 – “O salário mínimo vai ser o maior possível”, responde ao ser perguntado sobre como tratará a questão. “Se Deus quiser, vai continuar aumentando no rítimo dos últimos anos”. “Acho que nos próximos anos pode aumentar 50%”. 

17h23 – “O Lula também privatizou, sabia?”, provoca ao ser questionado se irá reestatizar alguma empresa privatizada durante o governo Fernando Henrique Cardoso. “Belo Monte é tudo dinheiro do governo, mas o dono é privado”, ataca. “Sabe o que vou fazer? Vou estatizar os Correios, que hoje é de um partido”, completa Serra.

17h21 – Serra rechaça a pecha de que seja um candidato das elites. “Eu não acho que alguém que ganha dez salários mínimos ou que fez universidade seja rico. Eu quero o voto de todos”, afirma. “Sempre dediquei minhas políticas aos desamparados.”

17h18 – “Tem que vincular mais à educação”, diz sobre os programas sociais do governo Lula, como o Bolsa Família.

17h16 – Para Serra, os mensalões do PSDB e do PT são de naturezas diferentes. “Eu conheço o (ex-governador Eduardo) Azeredo, e sei que ele nunca recebeu dinheiro para votar em ninguém”, diz.

17h13 – “Não sou à favor do controle da internet”, diz em resposta à pergunta de um internauta. O candidato defende, entretanto, algum tipo de remuneração para os direitos autorais de artistas que têm suas obras compartilhadas pela rede. “Acho saudabilíssimo”, diz sobre o compartilhamento de arquivos pela internet.

17h05 – “Se o MST fosse de fato à favor da reforma agrária, o Plínio de Arruda Sampaio estaria com eles”, diz Serra, que aproveita para elogiar a “integridade” de seu adversário na corrida à Presidência. “Eles são fisiológicos”, acrescenta, ao ser questionado o que é, para ele, o MST. Serra aproveita para esclarecer declaração feita no início da semana, quando reproduziu tese do dirigente do MST João Pedro Stedile, para quem haverá mais invasões caso Dilma seja eleita presidente. “Dinheiro de governo é para atender interesse público, não é para dar subsídios para movimentos políticos”, afirma.

17h00 – “Quando eu fui ministro da Saúde, expandi em 50 mil os agentes de saúde”, diz Serra ao ser questionado se irá tirar do serviço público servidores que trabalhem bem. “Você tem que empregar onde precisa”, diz. Ele argumenta ter colocado, no alto escalão do ministério da Saúde, dois médicos ligados ao PT. “Eu não faço a menor diferrenciação de procedência partidária se ele for bom para a função”, acrescenta. O tucano acrescenta ainda não ter decidido se irá acabar com algum ministério. “Sei que vou criar dois”, afirma.

16h53 – Os internautas perguntam por que viajar em São Paulo é tão caro e se serra pretende levar para o plano federal a política de concessões do Estado. “O governo federal arrecadou, de 2006 a 2009, R$ 600 bilhões pela Cide, para recuperar estradas. Não usou um terço”, diz sobre a situação das estradas federais. “O loteamento político faz com que não se sigam prioridades”, critica. Segundo o ex-governador paulista, as melhorias nas estradas dependem do estabelecimento de parcerias com a iniciativa privada, o que implica em pedágios. “Nós até mudamos o sistema de concorrência para o de concessões (em São Paulo). Na Ayrton Senna, o valor do pedágio caiu pela metade”.

16h47 – Serra nega que pretenda acabar com a reeleição no País, mas defende a reforma política. E propõe a criação do voto distrital no País. “Qual é a vantagem disso? O eleitor vai controlar aquele em quem ele votou”, disse.

16h44 – Questionado se nacionalizaria a legislação antitabagista do Estado de São Paulo, Serra diz que não vê necessidade, pois acredita tratar-se de uma responsabilidade dos Estados.

16h38 – “Ele é de direita”, diz Serra sobre o assessor da Presidência, Marco Aurélio Garcia. “Eu acho que essa discussão direita/esquerda é uma bobagem”, diz Serra.

16h34 – Serra reitera as críticas de seu vice, Índio da Costa (DEM), que acusou o PT de ligação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc): “O PT errou ao tratar [as Farc] como força política, sendo que é, na verdade, do narcotráfico”, diz, depois de afirmar que “todo mundo sabe da ligação do PT com as Farc. As Farc são uma força do narcotráfico.” Serra também negou que sua campanha esteja fazendo “terrorismo eleitoral”, como acusam os adversários. “É o oposto. Eu vivo o tempo inteiro querendo discutir teses”, disse. Em seguida, atacou o PT. “Para eles, qualquer coisa que você contrarie é terrorismo.” Segundo o tucano, os adversários recorrem a essas acusações porque “não têm discurso”.

16h28 – Serra volta a criticar a política externa do governo Lula. Ele usa a questão dos presos políticos de Cuba para argumentar que o País não usa sua influência na região para influenciar em questões como a dos direitos humanos. “O Brasil não usou sua influência para resolver essa questão”, afirmou. “Você assumir um governo é ter uma política de Estado”, diz Serra ao ser questionado sobre que postura adotaria caso tivesse que sentar em uma mesa de negociações com desafetos da região, como o presidente venezuelano, Hugo Chávez. “O Chávez é dilmista e o PT é chavista”, acrescentou.

16h25 – Serra rebate as declarações do assessor da Presidência Marco Aurélio Garcia, para quem o tucano “abandonou a esquerda”. “Troglodita de direita é quem apoia o presidente do Irã, que manda apedrejar mulher adultera”, afirma o candidato, numa referência às relações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o mandatário iraniano, Mahmud Ahmadinejad.

16h23 – Serra usa os dados do Ideb em São Paulo para defender sua gestão à frente do governo. “Educação não é um desafio de partido, não é de governo, é do Estado brasileiro.”

16h16 – “Eu trabalho, 15, 16 horas por dia. Quanto ao horário, eu não sei qual seria. Não tenho problema em virar madrugadas”, diz Serra ao ser perguntado sobre seus hábitos notívagos.

16h14 – Um dos entrevistadores pergunta se Serra se sentiria constrangido em dizer as qualidades de Dilma Rousseff. “Acho que ela é uma mulher que luta”, responde Serra. “Para por aí?”, questiona o jornalista. “O que você quer, que eu faça um tratado sobre a Dilma?”

16h11 – Questionado sobre o compromisso, firmado em 2004, de se manter na prefeitura, Serra brinca: “Agora ninguém precisa se preocupar porque, se eu ganhar, não vou deixar a Presidência para concorrer a secretário da ONU.”

16h09 – A sabatina começa com a apresentação de reportagem com o currículo de Serra.

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