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Serra nega pressão para dar tom mais agressivo a campanha

Camila Tuchlinski

04 de junho de 2010 | 12h11

Por Evandro Fadel, de Curitiba

O pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, disse, em entrevista à Rede Independência de Comunicação (RIC), afiliada da Rede Record no Paraná, que não adotará estilo agressivo durante a campanha eleitoral e negou que tivesse havido qualquer cobrança ou reunião do partido para pedir-lhe isso. “Eu tenho o meu estilo, sou do jeito que eu sou”, destacou. “Campanha eleitoral, para mim, é uma oportunidade para apresentar ideias, para apresentar propostas para o Brasil.”

No entanto, ressaltou que pretende estabelecer debates e apresentar diferenças entre as candidaturas, a partir das biografias e das propostas. Serra esteve quinta-feira à noite em Curitiba, quando concedeu a entrevista exclusiva à RIC, apresentada na manhã de ontem (04), e gravou uma participação na propaganda nacional do PSDB. De acordo com o presidente estadual do partido, deputado Valdir Rossoni, toda a programação foi elaborada pela assessoria de Serra. Rossoni e o pré-candidato do PSDB, Beto Richa, estavam no interior do Estado.

As críticas mais pesadas ao governo federal vieram quando o ex-governador paulista comentou a carga tributária. “Realmente é um exagero, prejudica a atividade, o emprego, a produção”, acentuou. Segundo ele, o governo federal aumentou o imposto de saneamento básico de 3% para 7%, o que leva as empresas, na maioria estaduais e municipais, a gastar R$ 2 bilhões. “Tem que pagar para o saneamento ao invés de investir”, criticou.

Diferentemente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o pré-candidato disse que não tem “orgulho” da carga tributária. “De todos os países em desenvolvimento, os chamados países emergentes, o Brasil é onde a população mais paga impostos”, afirmou. “Por outro lado, os serviços que vêm em contrapartida do governo não correspondem a essa carga tributária.” Segundo ele, apesar de ter arrecadado mais de R$ 500 bilhões este ano, o governo cortou recursos da saúde e da educação. “Isso mostra que o dinheiro não está sendo bem gasto”, disse.

Serra afirmou, ainda, que o governo federal “não mergulha” como deveria no problema do tráfico de drogas e contrabando de armas, cujo controle é de sua responsabilidade. “Acho que o governo federal deveria compartilhar com os Estados as responsabilidades na segurança”, opinou. “Ele tem que entrar como ator e não como espectador.” O pré-candidato voltou a afirmar que criará o Ministério de Segurança Pública, colocando à frente “gente especializada”.

Serra evitou falar muito sobre a política paranaense, onde há indefinição em relação ao posicionamento do senador Osmar Dias (PDT), que pretende concorrer ao governo do Estado, mas tem sido assediado pelo PSDB, que lhe ofereceu a possibilidade de ser candidato à reeleição ao Senado, e também para compor com o PT e PMDB. “Eu tenho visão, conversei, estou por dentro, mas se eu falo alguma coisa dá confusão”, ponderou. “Como se dizia antigamente: sapo de fora não chia”.

Declarando-se amigo de Richa e de Osmar, e de ter boas relações com o ex-governador Roberto Requião (PMDB), salientou esperar uma “boa solução para efeito de nossa pregação nacional”. Ao final, Serra alertou: “Até a semana que vem se resolve tudo isso.”

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